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31 de out. de 2007

Genocídio (3)

A execução dos jovens, sem julgamento, sem prisão, soma-se às inúmeras ações na escalada de repressão ao povo pobre e favelado. Tão impressionante quanto as cenas exibidas é o crescimento constante da defesa de tais ações pela imprensa e pelo senso comum. Coisas como "tem mais é que matar mesmo", ou "marginal bom é marginal morto" tornam-se lugar comum, ao ponto de filmes como "Tropa de Elite" serem digeridos em especial pelos setores de classe média como a grande sacada no combate à violência.
E na medida em que o espetáculo de horrores passa a ser aplaudido, o fascismo põe o pé fora do armário e a barbárie policial passa até a ser televisionada.

Fonte: Mídia dos oprimidos

30 de out. de 2007

O tempo dos assassinos (Rimbaud)


Você que me ouve, preste muita atenção!
Eu estou chegando, chegando... chegando!
(aaaaaaaa!!!)
Iai, mandou me chamar?
BOPE vai te pegar
BOPE vai te pegar
Homem de preto, qual é sua missão?
Entrar pela favela e deixar corpo no chão
Homem de preto, que é que você faz?
Eu faço muitas coisas
que assustam o satanás
BOPE vai te pegar (pega daqui, pega de lá)
BOPE vai te pegar (pega daqui, pega de lá)
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando
É o BOPE matando
Então não corre porra e não treme mané!
BOPE vai te pegar (pega daqui, pega de lá)
BOPE vai te pegar (pega daqui, pega de lá)
Tropa de elite, osso duro de roer,
pega um pega geral, também vai pega você
Tropa de elite, osso duro de roer,
pega um pega geral, também vai pega você
Bate com o pé, bate com a mão,
bate com o pau o BOPE é mal, quebra geral
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando...
É o BOPE matando...
(música do BOPE que os soldados cantam
rapidamente em um trecho do filme Tropa de Elite)


"O terror deste Rio é o ‘caveirão’.
Entra em favela, invade o morrão.
Se você canta e tem amor à vida,
vamos te meter bala e não é perdida”.

29 de out. de 2007

Governador genocida (2)

O Pôncio Pilatos do Palácio Guanabara
A morte de negros e pobres de agora em diante está publicamente autorizada...

Em um dos capítulos de “O Príncipe”, Maquiavél indicava a um chefe de estado como deveria agir para evitar ser desprezado e odiado. O referido florentino afirmava que as ações de um príncipe deveriam ser reconhecidas pela grandeza, coragem, gravidade e fortaleza. O chefe de estado deveria furtar-se a ações que fizessem-no ser visto como volúvel, leviano, pusilânime e irresoluto.
Seguindo a cartilha maquiavélica, o governador Sérgio Cabral vem perdendo várias oportunidades de se tornar um “príncipe” estimado entre a população. As duas últimas declarações saídas do seu governo, a primeira proferida pelo seu secretário de segurança e a segunda dita pelo próprio Sérgio Cabral deram um golpe de morte a qualquer tentativa cidadã de política de segurança. As seguidas carnificinas promovidas pela polícia do Rio de Janeiro a as declarações legitimadoras desses dois “representantes do povo” extinguiram qualquer possibilidade de uma ação anti-racista e includente.

A morte de negros e pobres de agora em diante está publicamente autorizada e a favela permanece o teatro de operações em que as assim chamadas políticas de segurança estarão livres para agir: seja no controle da natalidade, evitando a “fábrica de marginais”, seja exterminando todo e qualquer elemento suspeito. Qualquer negro, pobre ou favelado é uma ameaça em potencial!!
O governador Sérgio Cabral só aparece nas manchetes relativas a confrontos com traficantes. A grande discussão no seu governo é se o confronto é a melhor das estratégias para derrotar o tráfico. Depois de oito anos de políticas assistencialistas dos governos anteriores, continuamos esperando a tão sonhada conciliação defendida durante a campanha eleitoral. Até aqui a impressão causada pelo governo Sérgio Cabral é a de que este compartilha das convicções de Washington Luis a quem se atribui a famosa frase “questão social é questão de policia”. Essa impressão é reforçada pela obscuridade a que foram relegadas as políticas sociais neste governo. Seria polícia o principal instrumento das políticas sociais do Estado?
Nosso governador parece estar governando o Rio de Janeiro em plena década de 20 do século passado, quando as teorias eugenistas e a criminologia de Lombroso eram grandes novidades e se colocavam como bases teóricas para execução de políticas de governo. Se o governador pretende entrar para história ele tem antecessores de peso que conseguiram alçar essas idéias ao sucesso, mesmo que de forma transitória. Como se pode ver, os exemplos de Hitler e Mussolini jamais cessaram de ser cultivadas no decurso das intervenções governamentais da história brasileira.
Tal é a filosofia a que parece aderir o governador que recebeu 68% dos votos válidos do Rio de Janeiro. No entanto, verdade seja dita, Sérgio Cabral profere uma opinião aceita por numerosas personalidades, desde que o Brasil é Brasil, no Rio de Janeiro e fora dele. Como se pode ver (e cabe lembrar as declarações do Biólogo James Watson) ele não fez mais do que exprimir uma concepção de uma parcela da sociedade brasileira, aquela que consiste em procurar para os grupos sociais, uma origem distinta, gloriosa para alguns e decadente e perniciosa para outros.
No coração carioca a favela é o novo cristo redivivo. Ninguém acredita no poder redentor desta parte da população, muitos riem de suas desgraças, vêem seus moradores carregando suas cruzes e blasfemam pensando estarem lidando com heresias. E o que outrora foram pregos e chicotadas agora são balas de fuzil da guarda do Pilatos do Palácio Guanabara.
Diariamente, para nos salvar do clima de violência carioca, para obter o perdão e diminuir a culpa pequeno burguesa de alguns grupos e nos devolver a graça e beleza do tempo em que “Ipanema era só felicidade”, voltamos às práticas de sacrifícios coletivos em que milhares de vidas de negros e pobres são oferecidos para uma força maligna idolatrada por todos aqueles que compactuam com esse genocídio.
Neste novo cenário, a via-crúcis da população pobre do Rio de Janeiro está nos estágios preliminares de sua escalada. Os esforços do governo para conseguir adesão e solidariedade nos segmentos que vivenciam o extermínio mediante artifícios midiáticos não estão surtindo efeito. O governo do Sérgio Cabral que conquistou grande índice votos nesses segmentos, não está poupando os seus próprios eleitores e está entregando-os à morte em nome da Família, do Estado e da Propriedade. E a favela sofre, fazendo-nos crer que seu sacrifício pode salvar-nos, pondo-nos a refletir e relativizar o sexto mandamento: não matarás!
Será que Sérgio Cabral esqueceu que do ventre de uma dessas mulheres que ele atribuiu como fábrica de marginais saiu o nosso Presidente Lula, aliado de grande importância para o governador? Poderia ele ser racista tendo um pai que embora branco possui características tão negróides? Será que o governador se lembra de que como nós, muitos outros negros votaram nele e hoje pensam nesse voto com constrangimento e vergonha?

De repente .
Uma voz de ai ai se estrangula no fundo do mato:
- não fui eee...u
Bate a porteira da tocaia: Páa
Esta pancada seca
Ouve-se por todo o Brasil
.(Raul Bopp)
______________________________

AUTORES
Lenora Louro – Psiquiatra
Rogerio José – Historiador

27 de out. de 2007

Educação na cadeia

A professora da PAZ
Bety faz um trabalho fantástico dentro da cadeia de Cataguases e Leopoldina. Além de professora de uma turma de alfabetização, dinamiza a biblioteca e presta todo tipo de atendimento aos detentos. É uma educadora supercriativa, fico maravilhada de ouvir os relatos das suas aulas e das sutilezas que lança mão para fazer com que os presos se interessem pelos livros.
Ela faz dentro da prisão o que os demais professores não conseguem nas escolas, com todo espaço e todas as alternativas da liberdade: os alunos gostam das suas aulas e querem continuar aprendendo.

Um dos detentos a definiu com um "Triunfo à professora Beth":
Oh! Diva Beth! Tu és a luz que resplandece.
Quando entras pela galeria, enche nossos corações de alegria. És uma benção! Este teu lindo sorriso. Deus nos abençoa quando você se põe a orar. Se não acreditas em santos, como posso lhe chamar?
Agradeço a Deus por ter lhe conhecido. És uma graça, és uma irmã que nos abre os braços. Beth, Dona Beth, irmã Beth, não importa. É a heroína que nos traz a vitória.

Leiam o relato da Beth ao passar pelas celas com o carrinho (de supermercado)distribuindo livros:

"Quando chego na porta das celas, eles já brincam: “veio comprar o que D. Beth?” Eu respondo: “hoje vou comprar o incomprável: o seu conhecimento e seu prazer de viajar pelo mundo das letras. Hoje tem Ernest Hemingway”.
Daí eles morrem de rir, e dizem assim: “não vale, torci minha língua”.
Tento convencê-los: “vamos falar juntos e devagar, depois você vai também conseguir falar I love You para sua amada”.
“Não, dona Beth, ela vai pensar que estou xingando.”
Depois desse diálogo, consigo que ele fique com pelo menos dois livros e todos da cela também se contagiam com as gargalhadas e pegam mais livros.
Em outra cela: “Hei, dona Beth, tem” livro quente” hoje? Igual ao O Cortiço, Gabriela...?”
Digo: “Hei, menino, isso demais faz mal, que tal esta linda história real de um náufrago que...?
“Mas, dona Beth, já naufraguei aqui faz tempo!”
Daí não tem jeito, tem que ser mesmo o “livro quente”."


A professora Beth
entregando o diploma
ao detento
kllotild Guimarães Pinto

24 de out. de 2007

Sentença inacreditável

Juiz diz que "a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher". É inacreditável, mas está na sentença do juiz, conforme publicado na Folha de São Paulo, dia 21/10/07. Transcrevo a notícia:

Para juiz, proteção à mulher é "diabólica"
O juiz Edilson Rodrigues considerou inconstitucional a Lei Maria da Penha, contra violência doméstica, e afirmou que o mundo é masculino. Segundo ele, homens que não quiserem ser envolvidos nas "armadilhas" dessa lei, que considera "absurda", terão de se manter "tolos".
Alegando ver "um conjunto de regras diabólicas" e lembrando que "a desgraça humana começou por causa da mulher", um juiz de Sete Lagoas (MG) considerou inconstitucional a Lei Maria da Penha e rejeitou pedidos de medidas contra homens que agrediram e ameaçaram suas companheiras. A lei é considerada um marco na defesa da mulher contra a violência doméstica."Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (...) O mundo é masculino! A idéia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!"
A Folha teve acesso a uma das sentenças do juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues que chegou ao Conselho Nacional de Justiça. Em 12 de fevereiro, sugeriu que o controle sobre a violência contra a mulher tornará o homem um tolo."Para não se ver eventualmente envolvido nas armadilhas dessa lei absurda, o homem terá de se manter tolo, mole, no sentido de se ver na contingência de ter de ceder facilmente às pressões."
Também demonstrou receio com o futuro da família. "A vingar esse conjunto de regras diabólicas, a família estará em perigo, como inclusive já está: desfacelada, os filhos sem regras, porque sem pais; o homem subjugado." Ele chama a lei de "monstrengo tinhoso". Rodrigues criticou ainda a "mulher moderna, dita independente, que nem de pai para seus filhos precisa mais, a não ser dos espermatozóides".
Segundo a Folha apurou, o juiz usou uma sentença-padrão, repetindo praticamente os mesmos argumentos nos pedidos de autorização para adoção de medidas de proteção contra mulheres sob risco de violência por parte do marido.A Folha procurou ouvi-lo. A 1ª Vara Criminal e de Menores de Sete Lagoas informou que ele está de férias e que não havia como localizá-lo.
Sancionada em agosto de 2006, a Lei Maria da Penha (nº 11.340) aumentou o rigor nas penas para agressões contra a mulher no lar, além de fornecer instrumentos para ajudar a coibir esse tipo de violência.Seu nome é uma homenagem à biofarmacêutica Maria da Penha Maia, agredida seguidamente pelo marido. Após duas tentativas de assassinato em 1983, ela ficou paraplégica. O marido, Marco Antonio Herredia, só foi preso após 19 anos de julgamento e passou apenas dois anos em regime fechado.
Em todos os casos em suas mãos, Rodrigues negou a vigência da lei em sua comarca, que abrange oito municípios da região metropolitana de Belo Horizonte, com cerca de 250 mil habitantes.
O Ministério Público recorreu ao TJ (Tribunal de Justiça). Conseguiu reverter em um caso e ainda aguarda que os outros sejam julgados.Órgão vai estudar medida legal contra posição de juiz de MG Edilson Rodrigues, juiz de Sete Lagoas, negou a aplicação da Lei Maria da Penha e afirmou que o mundo é masculino em sentença.
O caso do juiz no CNJ
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) vai decidir nos próximos dias se tomará alguma medida contra o juiz de Sete Lagoas (MG), Edilson Rumbelsperger Rodrigues, que negou a aplicação da Lei Maria da Penha. A ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, enviou recentemente ao CNJ cópia da sentença.
Ela também encaminhou uma moção de repúdio da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembléia Legislativa de Pernambuco, que havia tomado conhecimento da polêmica decisão.Os conselheiros do CNJ disseram à Folha que buscam uma forma de adotar medida legal como abertura de processo disciplinar contra Rodrigues. É que o órgão administrativo não tem o poder de rever o teor de decisões judiciais.
A moção de repúdio da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, da assembléia de Pernambuco afirma: "Ao recorrer a argumentos religiosos para justificar o arbítrio do homem sobre a mulher, o magistrado desconsidera o princípio da laicidade [direito do leigo] do Estado."Outro trecho, diz: "O juiz criminal tem como competência coibir a prática dos crimes a partir da condenação de seus autores, nunca fazer juízo de valor acerca da legislação, sobretudo quando tal juízo dissemina preconceito" .

22 de out. de 2007

Entrevista aviltante

Deplorável
Desprezível entrevista com ataque às mulheres angolanas, veiculado pela TV Globo no programa do Jô. Jô Soares demonstra, além de total ignorância sobre antropologia, a ciência que estuda as culturas humanas, falta de ética e respeito ao ser humano ao ridicularizar as tradições e costumes de um povo.

Veja o vídeo

O Coletivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro e instituto Memória Lélia Gonzalez se manifestaram:

"O endereço acima exibe o vídeo da entrevista feita por Jô Soares ao angolano Ruy Morais e Castro no seu Programa. Entrevista infame e aviltante para nós, mulheres, jovens e meninas negras. Enfim, é de total desrespeito a nossa raça, a nossa gente. Esse é o endereço do desrespeito, do racismo global.
TV GLOBO...NÃO É ASSIM "QUE A GENTE QUER SE VER POR AQUI."
Já enviamos esse material para o Consulado de Angola informando e exigindo uma posição. E , dia 21 de outubro - Domingo, será o dia de repúdio a essa e outras ações da Globo."

20 de out. de 2007

Governador genocida

Balanço do Instituto de Segurança Pública do estado (ISP) mostra que policiais civis e militares mataram 694 pessoas durante confrontos no Rio de Janeiro apenas no primeiro semestre deste ano.
Governador Sérgio Cabral defende ação policial que deixou 12 mortos
Diante das críticas críticas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de entidades civis sobre a atuação da polícia nas favelas, o governador respondeu com ironia e cinismo:

"Eles (OAB e entidades) têm sua opinião e eu que fazer o meu trabalho, que será o mesmo, de combate à criminalidade. Se eu pudesse chegar para esses marginais e dizer: ‘Me devolva esse fuzil, essa metralhadora .30 e a granada, pois vamos fazer um seminário para discutir como os senhores podem devolver’, eu ficaria feliz da vida."

18 de out. de 2007

Presídios para a desigualdade








HAJA PRESÍDIOS

O governo de São Paulo anuncia que vai construir 44 presídios até 2010. Eles receberão 30 mil detentos a se manter a média de 6 mil presos por ano ingressando no sistema penitenciário paulista. Quando estiverem concluídos, São Paulo totalizará 189 prisões, com mais vagas do que todos os outros Estados somados.

Os presidiários serão quase todos pretos, pobres ou quase pretos de tão pobres, confirmando que o Haiti, um dos países mais miseráveis do mundo, é mesmo aqui. É a maneira de a sociedade se proteger dos ladrões de Rolex de 50 mil reais.

Faz todo o sentido São Paulo ter tamanha quantidade de presídios. É lá que está a maior parte do dinheiro no Brasil e onde a desigualdade brasileira, ao nível de Haiti e dos mais pobres países africanos, se expressa com todo o seu esplendor. Andar por certas áreas de São Paulo chega ser ofensivo. Calçadas com tapetes, carros importados, grifes sofisticadas e restaurantes que cobram por uma refeição o que um trabalhador levaria vários meses para acumular.

Quando perde alguns de seus pertences, a parcela mais rica grita pelo capitão Nascimento, que vem sendo aplaudido nas salas de cinema. Aos mais pobres, a lei e os presídios. Em certos casos, às favas com os direitos civis, a julgar pela aprovação aos métodos do Bope, personagem do pirateado Tropa de Elite.

Nas ruas das grandes cidades, cada vez mais polícia para tomar conta da desigualdade. Nas frequentes blitz, motoristas negros são parados por policiais também negros numa espiral irônica em que pobres tomam conta de pobres enquanto a minoria mantém a mais cruel concentração de renda. Políticas distributivas são atacadas como demagógicas e populistas, e sua continuidade é ameaçada pelo conservadorismo político. O Brasil continua sob o capitalismo selvagem, sem desfrutar das reformas que o civilizaram. Essa é a estreiteza das elites, tão minoritárias e egoístas.

É essa a insustentabilidade do modelo brasileiro. Não tem crescimento de 5 por cento ao ano que reduza as tensões geradas pela desigualdade e concentração de renda. Um estudo de 2006 da New Economic Foundation, da Grã Bretanha, dizia que com o rtimo de crescimento de pouco mais de 2 por cento ao ano, o Brasil levaria 304 anos para atingir o mesmo nível de distribuição de renda dos países ricos. Podemos considerar que com o dobro do crescimento, levaríamos um século e meio. O crescimento da economia é fundamental, sim, para atacar esses problemas, mas é preciso mais. Na Noruega, a diferença entre os 10 por cento mais ricos e os 10 por cento mais pobres é de apenas seis vezes. No Brasil, é de 57 vezes. A fatia de renda do 1 por cento mais rico é a mesma dos 50 por cento mais pobres, diz estudo do Ipea de 2006.

O insuspeito Banco Mundial afirma que a pobreza retarda o crescimento e defende a redistribuição de renda em países como o Brasil. Enquanto a pobreza não for vencida por políticas públicas, entre elas a educação de qualidade universalizada e o acesso ao mercado de trabalho ampliado, não haverá sossego nas grandes cidades, nem presídios que dêem conta da explosão social.

Fonte: site Direto da Redação

17 de out. de 2007

Lula e Edir Macedo???

Lula e Edir Macedo durante inauguração do canal Record News, em SP (Folha Online-17/10/07)

A notícia abaixo mostra bem o quanto o Brasil é presa fácil para embusteiros "religiosos". Enquanto em países africanos, governos e justiça vêm usando a lei e a ordem para impedir esses abusos contra o povo, no Brasil, as pseudo-religiões deitam e rolam, inclusive com o beneplácito do próprio presidente da República que, renegando seu passado de conscientização das massas, tem se posicionado a favor das fraudes através da manipulação de fé religiosa. Será que o Lula não sabe a diferença entre religião e exploração? Será que ele diria ao povo pobre brasileiro que a pobreza é fruto dos "espíritos e demônios" e que a solução é procurar um templo da igreja universal, doar seus últimos recursos e aguardar as bênçãos de Deus que, a essa altura, já foram para a conta do Edir Macedo?
Que decepção, Lula! Sei que um presidente tem de ter jogo de cintura, ser diplomata, fazer acordos, mas assim está demais!

Igreja Universal é expulsa da Zâmbia
Da France Presse - 06/12/2005

Em fevereiro, Madagascar baniu a igreja e ordenou que o grupo religioso cessasse suas operações no país, uma grande ilha do Oceano Índico, quatro meses depois de quatro religiosos terem sido presos por supostamente queimar uma Bíblia e outros objetos religiosos.

A Igreja Universal do Reino de Deus, que foi banida de Zâmbia na semana passada por suposta prática de satanismo, incluindo sacrifício humano, decidiu desafiar a decisão de um tribunal do país. Eles entraram com um recurso na Suprema Corte para anular a expulsão imposta.
O Governo africano da Zâmbia também ordenou que dois pastores brasileiros deixassem o país dentro de sete dias, mas estas expulsões também estão sendo contestadas na Suprema Corte.
A igreja alega que os procedimentos naturais da Justiça não foram seguidos", disse o religioso.
Na semana passada, o Governo de Zâmbia retirou o registro da Igreja Universal após relatos de que o grupo estava envolvido em sacrifícios humanos.
A notícia provocou a fúria de milhares de zambianos em Lusaka, que acabaram por quebrar janelas de um novo templo da igreja e por atirar pedras em carros depois de rumores apontarem para o seqüestro de duas pessoas para serem em seguida sacrificadas.
"As permissões de trabalho destes dois pastores foram anuladas", declarara no sábado o secretário das Relações Exteriores, Peter Mumba, destacando que os dois homens, Carlos Barcelos e Jammiya Claver, tinham uma semana para abandonar o país.
A polêmica Igreja Universal foi banida previamente de Zâmbia em 1997, mas voltou a operar no país sob uma ordem judicial.
Em fevereiro, Madagascar baniu a igreja e ordenou que o grupo religioso cessasse suas operações no país, uma grande ilha do Oceano Índico, quatro meses depois de quatro religiosos terem sido presos por supostamente queimar uma Bíblia e outros objetos religiosos, segundo fontes locais.
A Igreja Universal do Reino de Deus foi fundada no Brasil em 1977 pelo bispo Edir Macedo, um ex-funcionário da tesouraria da loteria do Rio de Janeiro (Loterj).
A Universal diz ter seis milhões de membros em 90 países, incluindo os Estados Unidos e nações da Europa e Ásia.

16 de out. de 2007

Drummond





Carlos Drummond de Andrade


Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

Pois é, Drummond,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

( Poemas "O sobrevivente" e "Poema das sete faces")

14 de out. de 2007

FANATISMO RELIGIOSO

A BIOGRAFIA DE EDIR MACEDO

Lendo por aí sobre a badalada biografia do bispo Edir Macedo, li que ele é "um dos personagens mais polêmicos" do país.
Que triste sina brasileira! Um homem flagrado naqueles vídeos ensinando os pastores a tirar dinheiro do povo, que acumulou uma fortuna à custa da ingenuidade das pessoas, acusado de "curandeirismo, charlatanismo e estelionato" e só não foi condenado porque, como diz Millôr Fernandes "no Brasil, se o crime compensa, não é crime".
E como compensa abrir "igreja" no Brasil! Em todas as cidades, as "igrejas" viraram concorrentes de farmácias e bares, é o que mais abre em todos os bairros, principalmente os mais pobres.
Quanto recurso não é desviado da qualidade de vida da população para sustentar a vida dos "pastores". Pastores de ovelhinhas incautas, com o aval do estado, que em vez de proteger a população desse estelionato a céu aberto, ainda incentiva esta forma de fanatismo religioso.
Quantas pessoas não morrem sem procurar atendimento médico para suas doenças em função da orientação dos evangélicos de quem cura é Jesus. É óbvio: se gastarem dinheiro com tratamento, médicos, remédios, boa alimentação, não sobrará dinheiro para a conta do Edir Macedo e outros charlatões. Pessoas que deveriam procurar tratamento com psicólogos e psiquiatras são levados a acreditar que estão "possuídos pelo demônio", uma verdadeira volta ao obscurantismo da idade média.
"Bispo Macedo é uma personalidade interessante", continua a matéria. Realmente, muito interessante como este nosso país vem caindo cada vez mais no atoleiro da enganação, enganação dos políticos, das elites exploradoras e agora das pseudo-religiões, cujo crescimento nos faz temer uma volta a tempos sombrios e tenebrosos, de total ignorância dos avanços científicos da humanidade. Tudo em nome do dinheiro, do lucro que vão fortalecer cada vez mais os clãs religiosos.

Vejam com seus próprios olhos a tática de estelionato: como enganar e explorar o povo:

13 de out. de 2007

Sobre crianças jogadas fora

Quem jogou Michele no ribeirão Arrudas?
Não basta condenar os praticantes da violência; é necessário mudar a mentalidade das sociedades e as condições econômicas, sociais subjacentes que a provocam.
Leia no Blog da Glória

11 de out. de 2007

Das elite

FERRÉZ e a Tropa DAS ELITE

O Estado brasileiro comete, aceita, orienta e permite os homicídios. É, portanto, homicida por sua própria natureza. Apenas símios engravatados com as insígnias das corporações nos peitos (até nos siliconados) e nos cérebros. Serviçais uniformizados e paranóicos.

Em qualquer lugar no qual esteja publicado um escrito desse brasileiro, eu o buscarei. Aliás, quanto aos detentores dos meios de comunicação jamais, sob hipótese nenhuma, aplicam o dever de publicação da opinião pública. O máximo que fazem é dedicar um espaço aos "leitores" que devem exprimir sua opinião "respeitando as autoridades constituídas, as instituições, incluindo-se a Igreja e o Estado demo-crático de direito’. Se não se exprimem "como ditam suas políticas" simplesmente não são publicados sem qualquer satisfação a ninguém, tampouco àquele que enviou a mensagem. Por outro lado, usam os tais espaços dos leitores para proceder pesquisas de opinião e, muitas vezes, copiam elementos para modernizar o pensamento do jornal. Evidentemente sem qualquer pagamento de direitos autorais. São apenas leitores. A opinião pública, a grande falácia da liberdade demo-crática, não passa, enfim, de opinião publicada. Portanto, o quarto poder com suas tropas de jornalistas e colunistas e propagandistas e escritores-mercadores-vendedores se estabelecem, também, como tropas.

Leia-se no dicionário o sentido da palavra tropa. O cotidiano mórbido dos meios de comunicação, com suas pedofilias, impunidades, sobretudo, sua apologia aos mais variados crimes caracteriza os jornalistas, articulistas e os chamados repórteres, como uma das tropas subalternadas das elite, estejam elas no status que estiverem. Ferréz cometeu apologia ao crime? Hã, hã! Então conclui-se que até mesmo nas escrituras o "outro" será penalizado. É proibido criar a partir do caos? É proibido confirmar que alguns, embora situados nas camadas inferiores do triângulo hierárquico do poder, estão com seus olhos abertos, seus ouvidos limpos e suas mãos prontas para exercitar o pensamento, a racionalidade? É proibido, por meio da arte da escrita apresentar aos leitores a prova da possibilidade da razão humana?

Ferréz cada dia melhor. Ferréz é um escritor. Ferréz é um psicólogo social. Ferréz é um sociólogo. Ferréz é um cientista social. Ferréz é um filósofo. Ferréz é uma esperança ao que a civilização entendeu como animal racional. Ferréz é a prova de que a linguagem pode ser a flecha cujo alvo é a consciência humana. Os escritos desse rapaz poderiam, se permitissem, nos remeter ao que há de mais valoroso no ser humano: sua capacidade de ultrapassar a inércia, o comodismo, o medo. Férrez não escreve como os notórios, tampouco para aqueles que buscam, através da escrita a manutenção de sua notoriedade; notoriedade esta que os privam da luta diária pelo pão. Seus senhores não os deixam sofrer o infortúnio das necessidades, sequer a necessidade da lucidez, mantendo-os constantemente sob ordens, explícitas ou implícitas. Excitados.
Férrez está fazendo história, os outros, diante dele, são simplórios . Perderam os pêlos, perderam o rabo, perderam as garras, perderam os caninos; todavia, por estarem presos num momento da história da bárbárie, sentem-se como aqueles que, tendo os membros extirpados, continuam a usá-los mentalmente, dilacerando corpos com suas garras. A inteligência, elo perdido entre o macaco e o homem, atua somente nos mitos das filosofias demasiadamente humanas. Escolásticas.
Os clãs construíram suas tropas e as denominaram de instituições religiosas, jurídicas, empresariais, políticas, governamentais. Depois, se autodenomiram elites: elites do poder, elites do judiciário, elites do empresariado, elites do jornalismo. Elites. Criaram um significado, imprimiram nos livros. Buscaram no populacho seus cães de guarda e a eles denomiraram tropas. Fornecendo o uniforme e a ração. Como se fossem cães. De guarda. Adestramento: direita...volver. Às vezes, esquerda, dependendo dos interesses colocados nas bolsas de "valores" do futuro. Em frente, marche. Apontar....Fogo!
Pedofilia, assassinatos, latrocínios dos clãs, impunidades, disseminação da violência, amoralidade administrativa, servilidade, medos, medos, medos. Isso queima. Queima como queimam as balas enviadas na direção dos corpos dóceis dos habitantes nos complexos do alemão, distribuídos por milhões de residências em todo o território nacional. Expectadores passivos. Atiram para todos os lados essas tropas das elite. São papagaios, repetidores, copiladores, jamais criadores. Serviçais, até na literatura. Apologia ao crime? Hã, hã!

Propagandear a impunidade não é apologia ao crime? Se eles podem cometer latrocínios com as agravantes da premeditaçao e dos motivos fúteis (roubar e matar milhões) sem punição, por que eu não posso furtar (sem violência) um relógio? Não será crime negar o poder das ciências e optar pela disseminação da dor? Não será crime manter crianças, jovens e adultos na ignorância de seu próprio corpo? Não será crime apoiar guerras? Tropas de jornalistas, tropas de professores, tropas de escritores, tropas de cientistas, tropas de empresários, tropas de juízes, tropas de padres e pastores com seus pensamentos uniformes e suas tropas uniformizadas. Apenas símios engravatados com as insígnias das corporações nos peitos (até nos siliconados) e nos cérebros. Serviçais uniformizados e paranóicos. Até para matar deveria existir uma razão. Os animais o sabem e são considerados irracionais. Rascunhos de seres racionais. Uniformes e uniformizados. Batinas ou togas, pouco importa. Co-autores de delitos contra a humanização da vida. Servis cumpridores de códigos de honra e de conduta dos bárbaros. Pobres coitados. Passam pelo planeta como formigas e, quiçá, nem às formigas podem ser comparados.

Um dia a pirâmide hierárquica será revolvida pelos "de baixo" e não haverá padres, polícias ou juízes que conseguirão manejar o populacho. "Sem os im-postos" do poder, a pirâmide não sustenta a ração (para cada tipo de tropa, um cardápio) diária das tropas uniformes e uniformizadas. Sem ração não haverá como justificar o crime com o diploma da representação popular. Os mortos-vivos sairão de seus túmulos e exigirão seu lugar na vida , criando uma nova história desvinculada da estória das elite. E os crimes estarão tipificados em lei, porquanto até hoje, nessa fazenda chamada Brazil, a norma legal não proibe matar. Ao contrário, faz apologia ao crime ao determinar no artigo 121 do Código Penal simplesmente a frase: Matar alguém Ponto e, imediatamente, passa a determinar as penas. O Estado brasileiro comete, aceita, orienta e permite os homicídios. É, portanto, homicida por sua própria natureza. Aceita o delito como um fato, como se todos nós partilhássemos desse lodaçal no qual insistem em se deliciar. E se escrevêssemos "é proibido matar?" e especificássemos tão somente as possibilidades do acontecimento, considerando a insistente barbárie? E se, ao invés de fazer apologia ao roubo, a norma jurídica afirmasse que "roubar é proibido?", quais seriam os doutos que conseguiriam fundamentar as defesas das quadrilhas institucionais? Apologia ao crime? Vamos colocar um pouco de inteligência e ciência nesta afirmativa. Direitinho, certinho, dentro das regras estabelecidas pelas academias e pelas prisões metodológias da falsa ciencia. Recolhamos os pedaços dos cadáveres de Aristóteles, Platão e Rousseau, os amados e assassinados filósofos da civilização. Não nos esqueçamos dos arqueólogos, dos biólogos e dos físicos. Então veremos o que quedaria do "direito penal para o inimigo", do "direito civil para o inimigo", enfim,
com que armas teóricas a escolástica medieval justificaria seus crimes diários?

Não assisti ao filme. Respeito o cinema nacional, todavia, há de existir um momento na vida de uma pessoa no qual deverá optar pela maturidade e, para que se atinja a maturidade, necessário será responsabilizar-se por sua sanidade mental, e o primeiro passo, acredito - por enquanto - é abandonar a cegueira e tentar um ensaio sobre a lucidez. Ferréz tem a lucidez que falta aos escrevinhadores do sistema e o jornal foi feliz em usar esse artifício para chamar leitores e fazer propaganda gratuita pela web. Longa vida ao Férrez e que mantenha ereta a espinha dorsal, olhos abertos, ouvidos atentos, tato sensível e inteligência em constante desenvolvimento.
A verdade está sempre mais adiante e começa a se manifestar pela visão da realidade, individualmente, além do medo, além do bem e do mal.

Vera Lúcia Vassouras
Advogada


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Nota: Das elite - Neologismo oriundo do populacho, significando grupo de pessoas que não tem lucidez e, sendo assim, não sabe usar a própria língua com objetivo de propiciar o desenvolvimento da inteligência, podendo significar, ainda, uma nova forma de interpretação rápida da ignorância de membros de qualquer poder que seja exercido em contra o desenvolvimento da racionalidade. Exemplo: literatura das elite, senado das elite, congresso das elite, empresas das elite, justiça das elite, comunicação das elite, escolas das elite, poder das elite, etc. Pronuncia-se como : DAZELITE com o Z sibilado durante a verbalização, imitando-se a linguagem das cascavéis. Uso: deve ser empregado sempre que se pretenda fazer entender sem necessidade de justificação, sendo adequado, para que não se perca, de modo algum, o significado, que após a emissão da palavra dê-se um leve e simpático sorriso, com a finalidade de não provocar a ira de possíveis membros das referidas tropas, geralmente detectados usando uma máscara de demo-cratas, liberais, etc.

10 de out. de 2007

Novela dos poderosos

Mais um capítulo da novela "Os poderosos estão acima da lei"

Na noite de domingo, um promotor de justiça embriagado atropela e mata três pessoas (pai, mãe e filho), em Araçatuba (SP). Mas está tudo bem, não é preso, já pediu uma licença de saúde, continua recebendo seu robusto salário que, nós, contribuintes paspalhos lhe pagamos e, de agora em diante, é só deixar por conta do corporativismo e da nossa justiça de classe para que a vida do promotor volte ao normal, isto é, para que ele continue a ser um "fiscal da lei", acusando os que, diferente dele, estão subordinados à lei no país, de preferência, os pobres, negros, prostitutas, menores... Dias atrás, uma jovem grávida - pobre, é óbvio -chegou à cadeia de Cataguases, transferida de Ponte Nova, presa por "roubar" chocolate num supermercado.
Eta, país de Marrabenta!

Outro capítulo
Dando uma olhada no dicionário, ofício obrigatório de quem se mete a escrever, deparei com a palavra "marralheiro", do espanhol marullero. Lembrei-me do Renan Calheiros. A definição está lá, no Aurélio: "que usa de astúcias para convencer ou iludir; manhoso, astuto, espertalhão, madraço, indolente, mandrião". Só faltou mesmo a definitiva: cara-de-pau. Acrescento. E tem outra: caradura.

8 de out. de 2007

Artigo do Ferréz na FSP

Não vá o sapateiro além da chinela

Em seu artigo "Pensamentos em correria", na Folha de São Paulo, dia 8/10, em contraponto ao badalado artigo do Luciano Huck, ("Pensamentos quase póstumos", 1º/10), o Ferréz se ferrou ao fazer um comentário estapafúrdio sobre educação, referindo-se à falta de escolaridade do assaltante: "Teve educação, a mesma que todos da sua comunidade tiveram, quase nada que sirva pro século 21. A professora passava um monte de coisa na lousa -mas, pra que estudar se, pela nova lei do governo, todo mundo é aprovado?".
É impressionante como todo mundo se mete a palpitar sobre educação, como donos da verdade, repetindo o que ouvem por aí, sem questionar a veracidade dos fatos.
Primeiro que o grande entrave da nossa educação não é a aprovação, mas sim a cultura da repetência que se instalou na escola pública.
Segundo que, se a lei é nova, como diz o autor, como o jovem assaltante já foi atingido pela lei e deixado de estudar por causa dela?
Terceiro que, estatisticamente, os alunos carentes se evadem da escola, não por serem aprovados, mas sim pela repetência em excesso.
Aplica-se, então, ao artigo do Ferréz, o conhecido e sábio ditado: "Não vá o sapateiro além da chinela".

7 de out. de 2007

  • Site Recomeço
    Atualização com a edição 135 do jornal Recomeço impresso, mês de setembro. O site contém fax-simile de todas as edições do jornal Recomeço desde o início da publicação, em junho de 2001. É só clicar no "Edições anteriores". Leia

Luciano Huck descobre a violência

Luciano Huck só agora, quando poderiam ser seus próprios filhos, descobriu a tragédia dos órfãos brasileiros

Luciano Huck conta em artigo no jornal que "quase" foi morto num assalto. E então se dá conta, pela primeira vez, com o que acontece quando um homem, pai de família, é morto precocemente pela violência, e cita a mais trágica das consequências: "não ver os seus filhos crescerem". Estranho que o Luciano só agora resolva se manifestar sobre uma tragédia que se abate sobre milhares de outros filhos de brasileiros que perdem suas vidas nos morros, nas periferias, nas prisões, todos os dias no Brasil. E nem portavam um relógio Rolex como o apresentador. Morrem, assim, à toa, porque são pobres, negros, simplesmente sucata humana.
Num ponto, o autor está certíssimo: sua morte sairia no jornal Nacional e mobilizaria, durante umas boas semanas, a imprensa, a polícia, a sociedade através de seus grupos de movimentos para a paz. E, certamente, seus assassinos seriam encontrados rapidinho, apresentados à imprensa e condenados pela justiça sempre tão cega, surda e lenta quando as vítimas são "gentalha", como diz dona Florinda, no seriado Chaves.

Transcrevo a opinião de MAURO ALVES DA SILVA*, sobre o patético artigo do apresentador da Globo, Luciano Huck, publicado na Folha de São Paulo (01/10/07) com o título "Pensamentos quase póstumos" (transcrito abaixo):


"Somos solidários a todas as vítimas da violência. Mas não podemos deixar de registrar nossa indignação quando uma personalidade pública faz apologia à violência e à tortura. No artigo 'Pensamentos quase póstumos', o apresentador Luciano Huck pergunta: 'Onde está a polícia'? Onde está a 'Elite da Tropa'? Quem sabe até a 'Tropa de Elite'! 'Chamem o comandante Nascimento!'.
Ora, tanto o livro quanto o filme (ficção em forma de documentário) mostram uma polícia brasileira corrupta, torturadora e assassina. Mas, como todo grupo de fanáticos, que se dizem iluminados pela divindade, eles escolheram um lado: proteger a 'elite econômica', os 'mauricinhos' e as 'patricinhas' que financiam o tráfico de drogas.
Para os outros (pobres, os pretos, as prostitutas, os 'di menor', os favelados etc.), justamente aqueles que não têm direito à infância e à educação, a elite econômica apóia uma 'tropa de fanáticos' para jogar nossa juventude na Febem, na cadeia ou na vala comum dos cemitérios públicos."

* Presidente do Grêmio SER Sudeste - Promoção da Cidadania e Defesa do Consumidor (São Paulo, SP)
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Pensamentos quase póstumos
LUCIANO HUCK

Pago todos os impostos. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.
LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do 'Jornal Nacional' de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.
Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.
Por quê? Por causa de um relógio.
Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado.
Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.
Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.
Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável.
Passei um dia na cidade nesta semana -moro no Rio por motivos profissionais- e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres.
Onde está a polícia? Onde está a 'Elite da Tropa'? Quem sabe até a 'Tropa de Elite'! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.
Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso.
Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.
Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir -com um 38 na testa- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase 'infantis' para uma sociedade moderna e justa
De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.
Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber.
Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de 'extraterrestres' fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?
Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no 'Roda Vida' da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal. Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, 'Tropa de Elite' é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando.
Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: 'Cansei'. O Lobão canta: 'Peidei'.
Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.
Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.
Isso não está certo.
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LUCIANO HUCK, 36, apresentador de TV, comanda o programa 'Caldeirão do Huck', na TV Globo. É diretor-presidente do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias

29 de set. de 2007

Protesto contra a polícia

Extermínio em Minas GeraisCentenas de estudantes da Escola Estadual Helena Guerra, em Contagem, na Grande BH, fizeram ontem passeata pela Avenida José Cândido da Silveira, para protestar contra a morte de Daividson Herculano da Silva, de 19 anos. Ele foi morto com um tiro na nuca disparado na madrugada de domingo por policiais militares da 1ª Companhia de Missões Especiais, que suspeitaram do veículo dirigido pelo rapaz. Quatro jovens que estavam no carro ficaram feridos. (Jornal Estado de Minas - 29/9/07)
Se o governador do estado, Aécio Neves, não tem controle sobre a política de extermínio da sua polícia, a população começa a cobrar a real existência do estado de Direito. É um alento ver esses jovens de uma escola pública fazer o que o governador, com todo o seu poder, não faz: cobrar a execução sumária que se instalou em Minas Gerais.
Esses jovens não estão, como a maioria alienada, expectadores da Globo, preocupados com "quem matou Thais", eles querem saber quem matou Daividson e outros mortos todos os dias por uma polícia incompetente e letal, comandada pelo governador do Estado.

28 de set. de 2007

De novo, ministro?

Ministro beneficia outro golpista e ainda culpa a Polícia Federal


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou não ter culpa da fuga do suíço naturalizado brasileiro Mike Niggli, acusado de dar golpes num valor próximo a US$ 80 milhões. Ele foi beneficiado por liminar de Marco Aurélio e está sendo procurado pela Interpol. Niggli foi preso em 2004, para ser extraditado. No ano passado, entretanto, foi beneficiado pela liminar e passou a cumprir prisão domiciliar. No início do mês, o STF determinou que ele fosse novamente preso e extraditado. No entanto, a Interpol já o dava como foragido desde agosto. O ministro diz que a Polícia Federal deveria ter vigiado Niggli, para que ele não deixasse o país. "É claro que a domiciliar também é prisão. O que aconteceu é que não houve a vigilância que deveria ter havido", afirmou.
Fonte: jornal Estado de Minas, 28/9/07, caderno Nacional.

27 de set. de 2007

Tropa de elite

UM TRATADO SOBRE A TORTURA
SANDRA HELENA DE SOUZA
Professora de Filosofia e Ética da UNIFOR

Rodrigo Pimentel é bom de títulos. O ex-capitão do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, designado para acompanhar João Moreira Salles e Kátia Lund quando, em 1998, tomavam depoimentos de policiais militares para um documentário sobre a violência no Rio de Janeiro, acabou por dar o título do filme naquela ocasião: ‘Notícias de uma Guerra Particular’. É dele também o título de meu texto aí em cima.
Em recente entrevista à Folha de São Paulo, diante da já decantada polêmica que envolveu o vazamento do filme Tropa de Elite no lado B do mercado audiovisual, ele diz-se surpreso com o solene silêncio de “dezenas de professores, jornalistas, policiais, promotores” que, tendo visto a cópia pirata do filme, ligavam pra ele pra comentá-lo, mas pareciam ignorar as cenas de tortura que ele acreditava ser então o assunto fundamental. Pimentel é co-autor do livro A Elite da Tropa e também do roteiro do filme Tropa de Elite, este último com Bráulio Mantovani e o diretor José Padilha, com quem ele já havia trabalhado atrás das câmeras no documentário de 2002, ‘Ônibus 174’. O homem, portanto, parece saber do que fala.
Como Pimentel, eu também conversei com pessoas que viram o filme, inclusive policiais militares, e também me pareceu sintomático o pouco caso dado à tortura. A discussão está focada sobre a corrupção policial e o tráfico, bem como o bom-mocismo dos ongueiros da classe média, e a via de mão-dupla que alimenta as festas dos universitários drogaditos e dos bailes funks nos morros cariocas. 23 oficiais do BOPE moveram ação que visava impedir a exibição do filme nos cinemas por considerar que o filme compromete a integridade dos policiais, expõe estratégias militares sigilosas e causa danos morais a indivíduos que estão na ativa. Quase nada sobre o fato de que o filme apresenta o BOPE como uma polícia não-convencional, honestíssima, diga-se de passagem, (o que soa estranhíssimo) e violentíssima também.
Uma elite de assassinos e torturadores bem treinados e extremamente eficientes. O treinamento aliás é um capítulo à parte sobre o qual o filme parece ter sido, no mínimo, delicado. Em alguns blogs de policiais militares se chega a considerar infantis as cenas do treinamento dos caveiras (como são chamados os integrantes do BOPE). Difícil crer que alguém que tenha passado por aquilo possa depois ter uma relação crítica com seu papel, em um jogo cujas regras extrapolam a mera capacidade individual de fazer escolhas. Mas o livro e o filme nos dizem que felizmente nem tudo parece estar perdido.
“A sociedade aceita a tortura policial” diz Pimentel num misto de tristeza e resignação. E aceitamos mesmo. “É lamentável, mas funciona.”
Nos lugares mais insuspeitos falar em direitos humanos passou a ser sinônimo de chacota. A violência cometida contra os bandidos e marginais das camadas sociais inferiores passa a ser considerada como uma guerra civil não declarada, mas tacitamente consentida, que permite a eliminação física e tortura de categorias inteiras de pessoas, criminosas ou não, destituídas de cidadania em seu próprio solo pátrio. Se mega-operações da Polícia Federal prendem figurões de colarinho branco, políticos, empresários, socialites, ouvem-se vozes indignadas sobre algemas e camburões desconfortáveis, celas sem ventilação e banheiro, o direito de não aparecer em público em situação de constrangimento, e coisas do gênero. Chega-se mesmo a falar do perigo do Estado Policial. De matar de rir.

O “USA Patriot Act”, promulgado pelo Senado americano no dia 26 de outubro de 2001 criou a figura dos ‘detainees’, suspeitos de atividades que ponham em perigo a ‘segurança nacional do Estados Unidos’, abolindo todo o estatuto jurídico desses indivíduos, que passam a ser juridicamente inomináveis e inclassificáveis, suas detenções e condições de sobrevivência ficando totalmente fora da lei e do controle do judiciário. Um fenômeno paradoxal situado entre o direito público e o fato político, entre a ordem jurídica e a vida, chamado de Estado de Exceção pelo filósofo italiano Giorgio Agambem. Para o filósofo, o estado de exceção acabou por se tornar a regra das modernas democracias sobretudo pela extensão dos poderes do executivo no âmbito do legislativo através da promulgação de decretos e disposições, constituindo- se assim como cria da tradição democrático-revoluci onária e não da tradição absolutista.
No estado de exceção, a lei pode suspender o império da Constituição, quando as circunstâncias obrigam a dar mais forças e poder de ação às forças armadas e à polícia militar. Vivemos na América Latina, na última quadra do século passado, experiências convergentes de ditaduras constitucionais.
No Brasil, a Anistia de 79 deixou impunes os torturadores, civis e militares, dos chamados ‘subversivos’, e parece assim ter legitimado a continuidade da prática da tortura aplicada aos mais pobres, que de resto sempre foram tratados com extrema violência. Mas é bom que se lembre que o problema do estado de exceção apresenta analogias evidentes com o do direito de resistência, uma ação humana que também parece escapar da esfera do direito.
Assim, o filme Tropa de Elite fala mais pelo que cala. O governador do Rio, que também assistiu à cópia pirata do filme, disse que sofreu “um choque de realidade”. Soa cínico. A rede Globo já sinalizou o interesse de tornar o filme série televisiva, o nosso 24 horas, Jack Bouer em versão tupiniquim. Soa hipócrita. Será interessante acompanhar qual das éticas apresentadas no filme vai ganhar mais pontos na discussão pública que o filme certamente vai provocar. Não sem estupefação, ouvi de uma moça pobre, moradora de favela de Fortaleza, que o filme lhe tinha feito ver o lado humano dos policiais. Soa trágico. O estado de exceção que germina como um ovo de serpente no Rio de Janeiro não acontece sem o beneplácito e vista grossa da elite a quem a tropa sustenta e protege com fidelidade e ferocidade caninas. A ironia maior é que no episódio retratado no filme a operação especial na qual está envolvido o Batalhão é a proteção de sua santidade, João Paulo II, na sua terceira viagem ao Brasil.
“Não há mais inocentes” disse a juíza Flávia Viveiros de Castro, que negou o pedido dos advogados dos oficiais do BOPE que visava impedir a exibição do filme. Certíssima.

26 de set. de 2007

BRAVO!!!

“Não há mais inocentes” disse a juíza Flávia Viveiros de Castro, que negou o pedido dos advogados dos oficiais do BOPE que visava impedir a exibição do filme. Certíssima."
(Do artigo UM TRATADO SOBRE A TORTURA - que postarei amanhã-, da professora Sandra Helena de Souza, da UNIFOR, sobre o filme Tropa de Elite)

JUÍZA AGRESSORA

Transcrito do A Balestra

JUÍZA AGRIDE PROFESSORA EM AUDIÊNCIA
A professora MARIA GIVANILDE DOS SANTOS foi presa por determinação da juíza titular da comarca de Divina Pastora (SE), SORAIA GONÇALVES DE MELO.
Segundo informações da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Sintese), a magistrada teria agredido fisicamente e determinou a prisão da professora, que é líder sindical e participava de uma passeata organizada pela entidade, na cidade de Divina Pastora.
Durante a passeata, os manifestantes cobraram do chefe do Executivo o pagamento de dois meses de salários atrasados. Também pediram um posicionamento a respeito do problema do Ministério Público e Poder Judiciário.
De acordo com o relato do Sintese, terminada a passeata, a professora se dirigiu ao Fórum para uma audiência marcada, anteriormente, com a juíza. Neste encontro, a magistrada teria se mostrado indignada com o ato dos educadores e determinado a prisão de Givanilde. Testemunhas relataram que depois de algemada, a professora foi agredida com dois tapas no rosto pela juíza. O caso foi acompanhado de perto pelos líderes do Sintese e pelo assessor jurídico do sindicato.
O fato foi motivo de pronunciamento na Câmara feito pelo deputado federal IRAN BARBOSA (PT-SE). Ele anunciou que vai ingressar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Corregedoria do Tribunal de Justiça de Sergipe com representação contra a juíza.

Fonte: Conselho Nacional de Justiça

23 de set. de 2007

A bolsa-terno

Policiais militares revistaram 111 pessoas suspeitas, na madrugada de ontem, na Cidade Ocidental. Nenhum dos abordados portava armas ou drogas (Foto José Varella/CB, jornal estado de Minas, 23/9/07)

Comentário - Interessante que os "suspeitos" brasileiros estão sempre de chinelo e bermuda.... Que coisa, heim? Nunca vi uma revista em suspeito de terno, gravata e pisante reluzente. Tive uma idéia: talvez a única forma de melhorar a perseguição aos pobres e negros no país seja a distribuição de ternos e gravatas à população pobre. Seria instituída a bolsa-terno, que acham? Afinal, temos de ser criativos, já que pela via oficial, a injustiça vai de mal a pior.
No livro "As cores da infâmia", de Albert Cossery, o autor conta a história de Ossama que adota a profissão de ladrão, já que esta atividade é tão bem sucedida nas classes "superiores". A primeira providência do jovem para exercer o ofício é a aquisição de um "belo terno", com o qual ficaria imune a suspeitas da polícia e da justiça.

22 de set. de 2007

Início da edição 135

Na primeira página do jornal Recomeço

Recuperandos fazem curso na APAC

A Emater-MG promoveu curso de capacitação para trabalhadores rurais da comunidade Fortaleza, voluntários e recuperandos da APAC. Trata-se do programa “Minas sem fome”, com treinamento sobre implantação de hortas coletivas e individuais, lavouras e pomares
A entrega do diploma pelo Extensionista Agro-pecuário, Cimar Onofre Barbosa, aconteceu no dia 11/9, às 15h, na sede da APAC, com a presença do presidente da APAC, José Clóvis Soares, demais membros da entidade, voluntários e visitantes. Foi uma tarde memorável, com intensa alegria, confraternização e exercício de cidadania por parte de todos os presentes.
























Recuperandos recebem diploma do Consultor Jurídico da APAC, Leonardo Vargas Conte Montenário e do Extensionista da Emater, Cimar Onofre Barbosa.







Recuperando recebe diploma da secretária da APAC, Elizabeth de Almeida Silva
















Recuperandos encerram a solenidade cantando, junto com a professora Beth, a música do Ivan Lins “Depende de nós”

RECUPERANDOS DE LEOPOLDINA

Klotild Guimarães Pinto
TESTEMUNHO

Eu quero agradecer aos leitores, redatores e recuperandos que colaboram com este jornal. As mensagens de apoio, carinho, elogios e até mesmo as criticas. É muito bom saber que os meus artigos são lidos e vistos com bons olhos. Em especial, quero agradecer à Aline de Porto Alegre, RS. Muito obrigado pelas palavras lindas de apoio, incentivo. Palavras de uma pessoa gentil, sensível, inteligente e solidária.
Eu não faço apologia ao crime, ao tráfico, eu apenas escrevo e transmito o que vejo, vivo, ouço e convivo aqui neste lugar.
Eu tento, particularmente, evoluir muito como pessoa, como ser humano, como cidadão como filho. Reencontrei Deus, encontrei a minha fé, aprendi que a família é a base, o alicerce de tudo nesta vida.
Não perdi a ética, o caráter e a minha criação. Passei a ter mais paciência, responsabilidade, tolerância e adquiri mais sabedoria. Vejo as coisas hoje com outros olhos. Aquelas pequenas coisas que eu não dava o devido valor, hoje tem um significado maior pra mim.
Aqui, neste lugar, conheço pessoas que apesar de cometerem crimes não perderam a ética, a disciplina, a responsabilidade, a generosidade. São excelentes pessoas que, ao meu ver, não perderam a sua criação, as raízes familiares, o caráter, a fé, são ótimos pais, filhos, irmãos. Este lugar não destrói o quer temos de melhor: o respeito pelo outro.
Na verdade, eu me sinto outra pessoa, pronto, preparado, convencido de que eu tenho um papel importante nesta vida e que posso mudar o meu futuro, agora, no presente, aprendendo com o meu passado.
Deixo aqui neste jornal o meu testemunho de que tudo é possível, tudo pode mudar, basta nós querermos. E se a mudança é pra melhor ou pior a escolha é nossa. É como no livre arbítrio como justificativa pra nossas escolhas. Aqui é uma encruzilhada, neste caminho você escolhe se é para mudar porque não tem volta. Eu já fiz a minha escolha!

A FLOR DE CACTUS
O que a vida nos ensina quando estamos pra cima, com a casa toda cheia de prata?
O que a vida nos reserva quando estamos pra baixo, no fundo do poço, sem a prata?
O que a vida nos aguarda quando estamos amando sem ser amado?
Somos, sim, escravos da ingratidão.
Comemos no mesmo prato e depois cuspimos nele. Pedimos com uma mão e esbofeteamos com a outra. Chamamos de amigo e com um passe transformamos em inimigo. Quer um pão? Precisa disto ou daquilo? Valeu! O Amor na mesma proporção do ódio.
Na paz e na guerra. E até que a morte nos carregue. Somos vitimas de uma hipocrisia.
Que usa seu belo sorriso como resposta. O que podemos fazer um pelo outro? Jura que ama, mas nada faz por este amor. Na hora do ouro, é só parceiro e bem querer. Na hora da prata é só ameaça, ingratidão e descaso. È como uma flor no meio dos cactos.

MANIFESTAÇAO
Minha loucura é imediata. É por trás de fendas procuro uma saída de emergência.
O vento frio que consome o meu corpo vem com o calor que mantém viva a minha alma.
A dor que sinto é a dor da saudade, a dor da consciência que remédio não cura, só os braços fortes de Deus a me abraçar. Na luta da razão e a fé, vence a paciência de saber aguardar os dias. O tempo me consome como carnívoros na carcaça. Deito e faço do teto de cimento o meu céu e viajo a contar estrelas invisíveis que caem como cadentes no meu imaginário.
Acordar, levantar, alimentar e adormecer. Tratado como cachorro no bambu. Concentração e distração e uma coisa leva a outra. E sem sentido fica e é tratado como louco. Nada tenho pra declarar e quando perguntar, responde rápido: Que tudo vai dar certo, é só aguardar. E como uma manifestação começa a gritar: Que inferno este lugar!

LIVRAMENTO CONDICIONAL
É verdade, o tempo não pára, a vida segue seu rumo e as coisas acontecem por trás dos muros: Preso no art. 33, artigo 12, condenado a três anos de reclusão no regime integralmente fechado, caindo para inicialmente fechado com direito a condicional em 2 anos.
Uma grande expectativa, coração e mente a mil. Boa conduta, benefício e a espera do alvará. Sonhando sair pela porta da frente com dignidade e moral. É assim que vive um recuperando a aguardar o livramento condicional. O mundo lá fora, atualidades e até a minha pequena Leopoldina segue seu ritmo normal. Mas não adianta lamentar se tenho que aguardar a tão sonhada liberdade condicional.

Falando sério
Quem sou eu pra querer te mudar?
Quem sou eu pra te mostrar os caminhos que andei, tudo que já passei?
Querer mostrar que a vida só convém quando a gente paga o mal com o próprio bem.
Pensando bem: com tantas pedras pelo caminho, somente um bom professor pra nos ensinar a chegar. E bom lembrar que o mundo não é só carinho, tem muitos espinhos, tantas mágoas pra rolar, por isso que o preço desta liberdade já não se acha que perdeu. Eu só quero mostrar que o mundo é bom de amor. Tenho tanta dor. Quem sou eu? Só queria enxergar o coração através dos olhos.Como santo salvar, mais quem sou eu? O sentimento é puro e não traído porque eu não brinco de amor. Sabemos que não somos santos, mas sinceros e podemos ser românticos e sedutor jamais brincar de amor.

Triunfo a Irmã Beth
Oh! Diva Beth! Tu és a luz que resplandece.
Quando entras pela galeria, enche nossos corações de alegria. És uma benção! Este teu lindo sorriso. Deus nos abençoa quando você se põe a orar. Se não acreditas em santos, como posso lhe chamar?
Agradeço a Deus por ter lhe conhecido. És uma graça, és uma irmã que nos abre os braços. Beth, Dona Beth, irmã Beth, não importa. É a heroína que nos traz a vitória.
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Geovani Martins Ribeiro

Tornar a escrever-vos as mesmas recomendações, a mim por certo não me são penosos e a vós, é vos conveniente (Felipense 3:16)

Mais uma vez assisto estarrecido um evento chocante porém previsível. Desta vez foi bem perto de nós, aqui na Zona da Mata Mineira, em Ponte Nova, onde vinte e cinco presos foram assassinados de forma brutal dentro de suas celas na cadeia pública de Ponte Nova.
Até quando nossos governantes se manterão inertes diante de situações caóticas, notórias e comprometedoras? A inércia estatal para cuidar do sistema carcerário é emblemática e, se não tomarmos novos rumos, cenas como estas na cadeia de Ponte Nova, como aquelas do ano passado em São Paulo, e muitas outras de menores repercussões, porém tão nefastas quanto aquelas, continuarão acontecendo trivialmente.
O Sistema prisional como existe é insustentável, não recupera o individuo (finalidade principal da pena), expondo-o a condições subumanas, onera o Estado sem, no entanto, este criar estruturas para aplicabilidade da Lei de Execução Penal (instituto moderno e eficiente) além de manter-se tungando princípios, direitos e garantias.
Ao entestarmos nossa Carta Magna-Constituiçao Federal/88, lei principal do país, de onde devem derivar todas as demais normas e procedimentos, logo percebemos o acinte em que se transformou o cárcere. A dignidade da pessoa humana é fundamento da Republica Federativa, artigo 1º, inciso III; já no artigo 5º, inciso III, onde trata dos Direitos e Garantias Fundamentais. A CF de 1988 diz que ninguém será submetido à tortura ou mesmo tratamento desumano ou degradante; O inciso XLVIII do mesmo artigo prescreve formas de individualizar as penas, já o inciso XLIX assegura aos presos o respeito à integridade física e moral.
Quimera, pura fantasia. Que dignidade tiveram os vinte e cinco homens seviciados no xadrez de Ponte Nova? A que foram submetidos, senão à tortura? Quantas pessoas estão sendo aviltadas, desintegradas física e moralmente nesse exato momento, nos depósitos de gente, sem as mínimas condições de sobrevivência?
É o Estado promovendo o inferno. Nem Dante em sua obra conseguiu exprimir com tamanho primor cenas tão assombrosas. Beccaria deve estar remoendo no túmulo. Márquez de Beccario, milanês pertencente à nobreza, no século XVIII, indignava-se contra a desumanidade praticada indiscriminadamente em desfavor do delinqüente. Propulsor do humanitarismo, chamava por melhor tratamento para aqueles que praticaram crimes, mas que com verdadeiros crimes contra a condição de seres humanos, eram punidos.Podemos ver como a causa de Beccaria, apesar da distância e do tempo, é atualíssima e bem nossa.
O inferno carcerário é real, cotidiano e próximo, está acontecendo agora na Cadeia Pública de sua cidade. Esse quadro precisa mudar urgentemente para os infratores poderem reabilitar-se e readquirirem um lugar na sociedade, afastados do crime. Existe alternativa. Cumpro minha pena num Centro de Recuperação modelar no qual os reeducandos são tratados com respeito, dignidade e amor, proporcionando ambiente propicio para a regeneração do homem que errou. O gasto publico é inferior ao das prisões comuns. È uma lástima sermos a exceção ainda.
Geovani Martins Ribeiro. (APAC –Leopoldina)

PARÊNTESE

Em meio à agitação que é a vida da maioria das pessoas hoje em dia, cotidiano de duras competições e corridas em busca de sucesso, o ser humano tem se alheado de tarefas, atividades e sentimentos simples, porém, enobrecedores da alma.
Também a violência, o desamor, a intolerância, a corrupção dentre outras mazelas, tem agravado o desencanto com o belo, com o espiritual.
Gostaria de abrir um parêntese nessa dinâmica existencial conturbada para expressar um caso romântico bem incomum nesse tempo frenético, cuja singeleza nos remete a pensamentos excelsos.
Voltava de um compromisso no centro da cidade quando, virando a esquina próxima da rua onde moro, deparei-me com uma amiga de minha família e sua filha, a qual eu conhecera ainda criança. Elas voltavam da minha casa, haviam ido me ver após seis longos anos de afastamento. Na esquina mesmo conversamos um pouco, foi quando eu e a garota nos analisamos e marcamos um encontro posterior.
Já naquele primeiro instante, vi a beleza e a pureza conjugadas nela e senti algo indescritível, muito gostoso, mais que isso, muito mais. Após aquele momento seria uma pessoa melhor e mais feliz.
Durante um mês, longe novamente, pensei muito na donzela. Ao retornar à cidade convidei-a e sua família para uma pequena confraternização. Na oportunidade nos estudamos outra vez, novamente não falamos nada particularmente.
Nosso corpo comunicou-se por nós.
Saímos juntos à noite, sozinhos, pela primeira vez, quando dialogamos sobre nós. Ela sentira o mesmo que eu nas ocasiões nas quais nos deparamos: uma energia muito forte bonita, atrativa. Enamoramo-nos romanticamente à maneira do interior, respeitosamente.
O relacionamento é recente, todavia, substancial, parece nos conhecermos há séculos. Estamos apaixonados.
Novamente distante, espero o ensejo de revê-la contando os minutos. Sempre tive reservas racionais contra o “amor a primeira vista”, mas meu conceito está mudando.
Agradeço à garota por ser tão especial e ter despertado em mim tão excelente sentimento.

RECONHECEMOS E AGRADECEMOS
Nós, reeducandos da APAC-Leopoldina, prestamos nosso agradecimento pela eminente visita recebida, no último dia 12/8, da editora do jornal Recomeço Maria da Glória C.Reis.
Acompanhada da irmã Beth, tivemos uma tarde gratificante, dessas que nos fazem lembrar da beleza da vida e da divindade do ser humano.
O ambiente ficou tão agradável, impregnado de uma energia superpositiva a alentar-nos.
Particularmente tive o prazer de conhecer a Gueguê e um pouco mais de seu trabalho. São pessoas assim cuja doação ao próximo é cimentado no sentimento de fraternidade cristã que nos estimulam a seguir em frente. Pessoas iguais a você, Gueguê, fazem a diferença num mundo tão indiferente.
Oxalá seu trabalho incite nossa comunidade tão carente de voluntários. Seja modelo, luz para desanuviar o horizonte cinzento de nossa classe social mais privilegiada, seja sal para temperar corações tão insípidos e faltos de amor.
Parabéns, Gueguê, pelo Recomeço e por ser tão especial, volte sempre a APAC, te esperamos de braços e corações abertos.
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Junior Vital
Inesquecível Fernanda


Venho através desta mensagem tentar me comunicar com uma pessoa que já faz parte de minha vida e que até hoje mora no meu coração.
Aconteceram muitas coisas. Duro destino fez com que nos separassem por uma longa distância, pela qual até hoje sofro de saudades e vontade de rever esta pessoa que até hoje nunca saiu dos meus pensamentos.
Espero que ela possa refletir sobre minhas palavras que vêm do coração, pois vivo e me pego pensando como estava junto de você. A vida para mim tinha sentido, hoje eu vivo sem a Felicidade de te sentir presente em minha vida novamente.
Quero que saiba que ainda te amo, mesmo estando longe de você. Este tempo todo você nunca saiu da minha vida, nunca ficou no esquecimento. Espero que você possa levar em consideração tudo que estou dizendo, estas palavras, porque estou sendo sincero e verdadeiro ao dizer que sinto sua falta, que mesmo distante estou aprendendo a te amar. Espero que você possa me responder. De quem ainda te ama mesmo na distância.
Beijos no seu lindo coração.

RECUPERANDAS DE LEOPOLDINA

Rogéria
A DOR DE DEIXAR UM FILHO PARA TRÁS!

Foi você quem amei antes de conhecer. Quem me encantou com brilho do primeiro sorriso, travessuras e peraltices. Você ainda bebezinho ao ouvir eu dizer-lhe eu TE AMO abria logo um sorriso se fazendo entender à importância e o significado dessa frase. Tenha certeza meu filho que a vida pode me tirar tudo, mas o Amor que sinto por você e a saudade de estarmos separados, ninguém tirará.
Foi exatamente no dia 5 de junho que o destino me ironizou lhe vendo partir pela janela do segundo andar, me dando tchau, jogando beijos, dizendo-me te amo também. Essa foi nossa inesperada despedida nos separando e alguns minutos depois me privando de minha liberdade, tirando minha jóia mais preciosa, meu filho, mas minha dignidade, moral, respeito, caráter e principalmente meu amor e minha fé ele nunca irá tirar. Pois me encontro aqui injustamente com um titulo incluso no artigo 33, enquanto os bandidos, traficantes, assassinos e estupradores estão na rua. Atrás de uma justiça falha que é a dos homens onde só o dinheiro fala alto não podendo esperar nada.
Mas espero com muita fé, força, coragem e determinação na justiça de Deus, essa não falha. Essa nos enriquece, enobrece, nos devolvendo tudo que o destino por trás de uma justiça falha me tirou.
Na verdade quando venho ao papel fazer este desabafo ao jornal Recomeço, as palavras ficam escassas, inexistem e só resta um nó na garganta e um aperto no peito causado pela angústia da saudade e a dor de deixar um filho pelo qual nunca me separei para trás, e as lágrimas insistem novamente em cair.
Mas tenha certeza, meu Pequeno Príncipe, que é sua determinação de gente grande provando a todos, inclusive a mim, que é de fato Grande Príncipe, me encorajando, renovando em mim todas as forças e dando-me a certeza que esse momento que é realmente de grande turbulência passará em breve e eu junto com:
Um ser que Deus deu vida
Eu dei a luz e Ele me deu
A dádiva de ser chamada de Mãe.
Direi de mãos dadas com você: nós vencemos, filho, porque não existe obra do acaso no mundo capaz de separar pessoas com Amor e Deus acima de tudo em seus corações.
Que Deus te abençoe e faça com que seus dias sejam cheios de paz, saúde e amor. Este ser que refiro nesse desabafo é você...Márcio Filho
O filho mais lindo do mundo! De sua mãe que não te esquece em momento algum e estará do seu lado sempre. Em todas e quaisquer circunstâncias. E a força desse amor que me faz continuar. O AMOR DE MAE!
Por toda a vida irei te amar.
Você é meu eterno amor.
Saiba que a minha felicidade caminha no compasso da tua existência.
Tu és a razão da minha vida
Eu realmente te amo!
Carinhosamente. Infinitas Saudades.
Sua mãe, Rogéria
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Ione Pimenta Duarte
Mãe, um ser que me deu a vida

Minha mãe! Quero por meio deste jornal lhe dizer o quanto eu te amo, o quanto a senhora é importante e especial para mim.
Mamãe, muita obrigado por tudo que a senhora fez e faz por mim, não me esqueço de nenhum momento que passamos juntas. A senhora sempre será a melhor mãe do mundo
Agradeço a Deus todos os dias por lhe ter como minha mãe. E hoje nesta fase ruim de nossas vidas a senhora me provou, mas uma vez, o quanto sou importante para a senhora.
Mãe, não consigo me esquecer da senhora me dizendo toda semana quando vem me visitar que sou a razão de sua vida, que a senhora me ama muito. Ate consigo fechar os olhos e ver direitinho seu rostinho lindo, seus olhos brilhando e sua voz meiga me dizendo “Minha filha seja forte eu preciso de você para continuar viver, nós vamos vencer e voltar a ser felizes, pois preciso de você filha para ser feliz”.
Mãe, sei o quanto a senhora está sofrendo e sei que não é mais feliz, mas eu vou voltar a lhe fazer feliz. Mãe, a senhora é a minha rainha, é tudo para mim, que Deus continue te dando forças e muito obrigado por lutar por mim. A minha felicidade caminha no compasso da sua existência.
De sua filha que nunca te esquecerá e amará até o infinito.
Ione Pimenta Duarte

DECLARAÇÃO DE AMOR

Para a irmã mais linda e especial deste mundo: MARTA.
Um anjo no sexo de mulher;
O amor em forma de gente;
Um ser humano generoso;
Uma irmã muito especial.
Sou eu uma abençoada por ter Deus te colocado no meu caminho.
E nas manhãs em que o sol te aguarda para nascer, vitoriosos são os que acordam com você. Você, Marta, é uma inspiração para o meu coração sofredor.
E quando a chuva cai serena e fraca, é o seu coração triste e amargurado.
E quando a chuva cai firme e forte alagando a cidade são os seus olhos derramando suas lágrimas.
Você sorri mesmo estando triste para que o sol sempre nos brilhe.
Quando durme o seu sono leve, Deus está do teu lado velando a sua filha abençoada.
Te amo muito. Não te esqueço um minuto sequer. A saudade é grande, mas a vitória é nossa. Que Deus te abençoe minha princesa. Obrigado por tudo.
De sua irmã,
Ione Pimenta Duarte

O PODER DIVINO
Estou privada de minha liberdade e quero falar sobre o meu amado pai celestial, o meu Deus todo poderoso.
Já freqüentei muitas igrejas e sempre confiei em Deus.
Mas foi aqui na prisão que realmente tive um encontro com Ele, foi aqui neste lugar de total sofrimento, dor e humilhação que Deus me mostrou o quanto ele me ama o quanto sou importante e especial para ele. Deus me mostrou o quanto ele tem poder e o tamanho de sua misericórdia. Deus é maravilhoso, ele refrigera a minha alma, me faz acreditar que eu posso e vou vencer, a cada dia ele me mostra um caminho a seguir. Eu acredito que ele me perdoou pelos meus pecados, pois ele fala em sua palavra que, desde que nos arrependemos verdadeiramente de coração, ele está pronto para perdoar.
Nós, os seres humanos, podemos enganar ao homem, mas a Deus, nunca, jamais.
Ele nos conhece por inteiro e sabe o verdadeiro arrependimento e sabe quem realmente merece sua misericórdia.
E é através do meu arrependimento que eu creio verdadeiramente que ele vai me abençoar, fazer de mim mais que vencedora. Deus vai mudar a minha vida, vai transformar o meu ser e mudar a minha história.
Todos os dias clamo a Ele para que me purifique, me lave nas suas águas e eu creio que isso vai acontecer em nome de Jesus. O homem pode não acreditar, pois espero é nele somente. Deus é justiça...
Textos publicados no jornal Recomeço, edição 135, setembro de 2007.

RECUPERANDOS DE CATAGUASES

Alex Sandro Gomes Diniz
A experiência que Deus me deu

Eu, Alex Sandro Gomes Diniz, tenho 28 anos sou carioca e detento dessa cadeia de Cataguases, ainda sem condenação e se Deus quiser não virá. Estou pagando pelo erro que jamais achei que ia cometer de novo, mas isso é uma experiência que Deus me deu de ver e de pensar o quanto eu errei e não quero errar mais.
Cheguei aqui no dia 05/07/07, tenho pouco tempo de cadeia, mas já vi que o sistema é o certo.
O que eu mais quero para minha pessoa, e acredito que os demais também, é uma chance perante à sociedade de mostrar que somos em primeiro lugar seres humanos e cidadãos como todos que estão atrás do muro. É um muro que muitos desconhecem e que apesar de estar privado da liberdade pensa neste mundão ai fora, em vocês ai do outro lado, nos amigos, nos parentes, na mulher e filhos, pensamos até mesmo nos que querem nosso mal.
Eu penso na minha família lá no Rio de Janeiro, na minha mãe tendo dificuldade de me visitar e que está sofrendo muito com tudo isso, saindo de lá de 15 em 15 dias para poder me ver. Penso nos meus irmãos que amo tanto, é muito difícil pra eu ter que ficar longe deles, mais não pensei nisso quando cometi este erro.
Meu maior medo é que meu grande pai não vai me perdoar pelos meus erros, pois ele é uma das pessoas mais importantes da minha vida, sou muito feliz com o pai que tenho. Só queria ser filho de sangue para poder ser correto, honesto, esperto e trabalhador, me espelhar num homem que já fez tudo por mim e eu só o desapontei de todos as formas. Mas com certeza de que vou ter a chance de dar muito orgulho a minha família, principalmente a minha filha de apenas sete anos, que morro de saudades. Mayara é a gatinha mais importante, quero ser um bom pai para ela, como o meu vai ser sempre um paizão pra mim.
Desde já agradeço aos irmãozinhos da cela 6 da cadeia pública da Cataguases, que estão sempre dispostos a somar com um irmão que chega na dependência de um cobertor, de sabonete e até mesmo de um remédio, como eu cheguei com dor e um irmão me arrumou.
Agradeço também aos faxinas que sempre que podem, na humildade nos dão atenção com uma água “gelada” com a “Dalva”, que por sinal acha que passa batida, mas não passa desapercebida, pelo corre do dia a dia.
Agradeço ao coordenador dessa edição que dá a todos a chance de mostrar para as pessoas que somos cidadãos quando pedimos uma carta de emprego.
Valeu, obrigado!
Os escolhido por Deus são os que mais sofrem e nós somos os escolhidos – Amém.
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TODOS TÊM DIREITO À RECUPERAÇÃO
Detentos da Cadeia Pública de Cataguases

Mais não é bem assim que acontece, pois o período de reclusão do detento não é como deveria ser pois aqui seria uma cadeia com uma fábrica que não saiu do projeto, pois o galpão já pronto, mais parece uma moradia de ratos e bichos peçonhentos como escorpiões que já achamos circulando pelas nossas celas.
Na área de saúde está a maior deficiência desta cadeia. Não temos uma enfermaria nem um médico e quando pedimos escolta, o delegado afirma que não tem contingente suficiente para nos atender. Como querer recuperação com tanto descaso das autoridades competentes que só estão preocupadas com o salário alto que recebem e não pensam em como vive o detento nem suas necessidades?
O promotor vem na cadeia e promete aos detentos que vai mudar o cotidiano, mas isso não acontece pois a ultima visita do ilustre promotor desta comarca já tem mais de 4 meses e nem a comida que ele se comprometeu em melhorar, não melhorou.
Parece que eles estão tratando de porco, com uma comida que vem sempre sem estar cozida, mandam carnes impróprias para o consumo humano. Aposto que se os manda-chuvas passassem uma semana presos comendo essa comida talvez quem sabe isso mudasse pois eles sentiriam na pele o que o preso passa na sua caminhada de sofrimento e humilhação que nós vivemos.
A respeito do galpão abandonado que fica ao lado da cadeia é um espaço inválido pois não tem serventia nenhuma, abandonado como está. Isso, sim, se chama desperdício de dinheiro público que não é aplicado como deveria e se esse dinheiro tivesse sido usado para matar a fome de mendigos e moradores de ruas ele não estaria empregado ao lado da cadeia publica de Cataguases, juntando bicho.
Assim que for possível, pedimos a visita de um juiz da corregedoria para dar uma solução aos problemas que deixam o detento indignado com tanto descaso.
Sou um detento que fui enquadrado no art 33 (tráfico) mas, na verdade, sou um mero usuário, o promotor desta comarca só me condenou porque eu não aprontei na cadeia que ele não foi notificado de nenhum incidente provocado por mim por essa razão me qualificou como traficante de drogas Mas se Deus quiser, vai melhorar
Atenciosamente
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Roberto Esquerdinha
LIBERDADE

Estou escrevendo este tema liberdade porque é tudo que nós presos queremos conquistar.
Sou livre quando amo o que faço.
Sou livre quando amo as coisas porque o amor os faz livres e menos escravo.
Sou livre quando a minha liberdade vale mais do que o dinheiro
Sou livre quando aceito que o mais importante é a minha consciência.
Sou livre quando creio que Deus é maior que o meu pecado.
Sou livre quando sei que na hora do fracasso é sempre tempo de começar outra vez.
Sou livre quando estou consciente de que nem tudo me convém.
Sou livre quando acorrentado continuo a gritar o direito da liberdade.
Aos leitores, obrigado pela atenção.
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Edson B.C.
O SOFRIMENTO DO PENSAMENTO

Se enfrentarmos a negatividade com mais negatividade perdemos por alimentar uma fogueira que nos destrói por completo.
É sempre importante olhar pro lado positivo de um conflito que se instala em cada vida.
Neste momento, a força de querer nos transformar com sofrimento e orgulho a covardia em bravura. Mesmo que o erro tenha partido de nossa parte, não devemos nos desesperar.
Afinal de contas, o universo ainda está em transformação, porque nós temos que ser perfeitos?
Sentir-se culpado pelos erros significa criar um terreno para que a covardia e a indecisão se instalem.
É consertar um erro precisa ter muita cautela e opinião disponível a qualquer que seja o erro, pense nisso que está escrito “Errar é humano, mas permanecer no erro é burrice”.
Desde já venho agradecer por este pequeno espaço que foi concedido a mim.
Obrigada, Tia Beth e aos nossos amigos leitores, e todos da direção do nosso jornal, que Deus nos proteja...
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JOSE CARLOS
Os erros são lições de vida

Muitas vezes ao longo de nossas vidas tentamos colocar em prática nossos sonhos e projetos. Porém, nem sempre conseguimos, algo acaba dando errado e ficamos frustrados e desanimados. Com isso, acabamos desistindo e não tentamos dar continuidade às nossas idealizações, pois não temos persistência nem força de vontade de tentar novamente e ver nossos projetos dando certo.
Se as coisas não dão certo, não devemos pensar que foi tudo em vão. Se não deu certo é porque em algum momento você errou. E você não pode justificar seus erros com pensamentos de incapacidade e falta de condições. Talvez se sinta até desencorajado, enfraquecido na luta, mas nunca de considere vencido.
As frustrações causadas pelo fracasso se tornam a razão para o sucesso, com a realização de algo que você jamais imaginou poder conquistar. Por isto não se deve perder tempo com lamentações e sim com uma grande atitude. Nem sempre se ganha, muitas vezes perdemos e não é porque perdemos a batalha que perderemos a guerra.
A felicidade existe, devemos batalhar e correr atrás para que possamos alcançá-la, muitas coisas negativas que acontecem conosco se devem por pensamentos negativos. Pois ao pensar que é infeliz estará percorrendo um caminho oposto ao da felicidade.
Mas não seja covarde desistindo no primeiro obstáculo. Tenha em mente que errar nem sempre é de todo ruim. Com o erro amadurecemos, basta tirarmos proveito deles transformando em lições de vida. Pois é na derrota que descobrimos o quanto somos vencedores. E é através do aprendizado e das experiências colhidas pelas nossas dores que conseguimos nos superar e dar volta por cima e fazer com que nossos sonhos e projetos venham se concretizar em nossas vidas.

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Luiz Cláudio I. Soares
A REVOLTA DE UM CIDADÃO

Eu, Luiz Cláudio, auxiliar de Serviços Gerais, amasiado há 13 anos e pai de 08 filhos.
Hoje no atual momento me encontro preso na cadeia de Cataguases, no artigo 12 do Código Penal. Crime este praticado pelas mãos de malfeitores para prejudicar um cidadão.
Vejam como aconteceu comigo: simplesmente alguém teve a coragem de plantar um grama de droga dentro do banheiro de minha casa, aí fizeram uma denúncia anônima e assim me jogaram na prisão inocentemente.
E por esse motivo estou pagando preso já há um ano e 5 meses por algo que eu não cometi.
Mas sempre contando com a graça de Deus, espero confiante a verdade plena. E que alguém dos órgãos competentes possa fazer algo por mim em beneficio da justiça e da verdade.
Amigo leitor, venho também fazer um pedido humildemente. Se vocês lerem esse artigo e querem ajudar um preso que está preso inocente.
Você pode ajudar.
1-Estou precisando de uma carta de emprego para assim pagar o restante da minha pena no albergue, para dessa forma voltar ao convívio familiar.
2-Você pode também apresentar meu caso às autoridades competentes de tal modo que possa contornar a minha situação.
Amigo leitor, fico grato por sua atenção nestas poucas palavras. E conto com a atenção daqueles que buscam a verdade e a justiça.
Muito Agradecido.

Textos do jornal Recomeço, edição 135, setembro de 2007.