27 de nov. de 2007
Menina de Abaetetuba
Recomeço 137
Advogado morto no ES
O advogado Geraldo Gomes de Paula, de 63 anos, foi ao Departamento de Polícia Judiciária falar com um dos seis presos detidos numa operação policial no Bairro Alagoano, em Vitória. Horas depois, saía morto de uma UTI. Comando da PM diz que o advogado teria caído e batido a cabeça na parede dentro do DPJ de Vitória. De acordo com a PM, ele se negou a apresentar identificação e teria ofendido as autoridades. Foi dada voz de prisão ao advogado, mas ele teria resistido, de acordo com a versão da polícia, e recuado, desequilibrando-se e batendo a cabeça.
O tenente Rafael Bonicen, acusado como responsável pelo morte do advogado, já responde a outros cinco processos, de acordo com o Tribunal de Justiça, mas o comandante-geral da Polícia Militar no Espírito Santo, Antonio Carlos Coutinho, afirmou que não tomará qualquer atitude precipitada.
“Nós precisamos fazer alguma coisa contra essa violência da polícia. Eu mesmo já tive problemas com policiais. Eles estão cada vez mais truculentos.”
Advogado Marcos Antônio Gomes
“A morte do advogado Geraldo Gomes de Paula é mais uma manifestação de bestialidade do Estado policial, incompatível com o Estado democrático de direito. Este é um crime contra a cidadania, não pode e não vai ficar impune.”
Antônio Augusto Genelu Júnior - Presidente da OAB do Espírito Santo
Sistema penal genocida
26 de nov. de 2007
Juiz do Pará é afastado

Cela onde adolescente ficou com 20 homens
(TV RBA/Diário do Pará/Folha Imagem)
Foram afastados de suas funções todos os acusados de envolvimento no caso, como o policial que cuidava da carceragem, o delegado de plantão e o juiz da comarca, e um inquérito foi aberto para apurar responsabilidades. “Tem toda uma rede de pessoas que fizeram coisas erradas. Vamos ver se eles tomaram providências, e se não tomaram, pecaram por omissão”, disse a coordenadora da comissão para apurar o caso.
Comentário do Recomeço
Barbáries são rotina no sistema carcerário brasileiro. Hoje saiu no jornal Estado de Minas a morte de um advogado espancado até à morte, numa delegacia, em Vitória no espírito Santo. Diz a notícia: "O advogado Geraldo Gomes de Paula, de 63 anos, morreu no fim da manhã de ontem, após ter sofrido traumatismo craniano na quinta-feira, no Departamento de Polícia Judiciária de Vitória (ES). Ele estava em coma na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Lucas, na capital capixaba. Segundo a Secretaria de Saúde do Espírito Santo, o advogado passou por cirurgia neurológica sexta-feira. Geraldo Gomes se feriu ao se envolver em uma confusão com policiais militares. Segundo a primeira versão dos PMs, ele teria sofrido uma queda, mas familiares afirmam que os médicos que o atenderam teriam declarado ser impossível que uma queda causasse as múltiplas lesões que a vítima apresentava na cabeça."
Essa notícia absurda saiu lá no cantinho do jornal, sem nenhum destaque. E se já começam até a matar advogados, que se pressupõem pessoas que sabem se defenden, imaginem o restante da população.
No Brasil, não se tem o hábito ou a cultura de fiscalizar as instituições públicas. No geral, as ouvidorias funcionam mais como "surdorias'. Faz-se uma denúncia e, além de não ser ouvido (não é daí que vem ouvidoria?), ainda se corre o risco de sofrer processo, como aconteceu comigo ao denunciar que a cadeia de Leopoldina é uma barbárie. E acusada pelo próprio juiz, vejam o abuso de poder.
24 de nov. de 2007
Adolescente presa com homens
O sistema de segurança vai investigar com rigor todas as denúncias", disse a governadora, em nota publicada no site do governo.Há pelo menos 11 anos o Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade (MMCC), entidade de defesa dos direitos da mulher, denuncia casos semelhantes no interior do Estado.Em março deste ano, segundo Elisety Maia, coordenadora do MMCC e integrante do Conselho Estadual da Mulher do Pará, ocorreu um outro caso de uma mulher presa na carceragem de Abaetetuba."Fizemos um requerimento colocando a situação ao Conselho Estadual da Mulher e apresentamos como solução a construção de uma delegacia da mulher no município e não houve providências", disse Maia.
Em 1996, o movimento denunciou o caso da presa Salma Simas, então com 40 anos, que dividiu uma cela com outros 35 homens durante sete meses.Simas, presa sob acusação de matar o marido, afirmou na época que foi estuprada diversas vezes na cadeia. Uma primeira sindicância aberta para apurar o caso foi arquivada. A justificativa para colocá-la na cela com os presos foi a mesma dada agora: a falta de cela para mulheres na delegacia. Ela foi inocentada do crime depois.
Eliana Fonseca, representante do MMCC no Conselho Estadual da Mulher do Pará, disse que nos últimos dez anos o movimento já denunciou casos semelhantes ao da menina de Abaetetuba ocorridos em Altamira, Tucuruí e até mesmo em Abaetetuba."O problema de mulher presa convivendo com homens no Pará não é de agora. Infelizmente teve que acontecer este caso com a adolescente para o problema vir à tona."
Ontem, em entrevista coletiva, a governadora se disse "indignada" com a prisão da adolescente e afirmou que o Estado vai averiguar com rigor as responsabilidades. Ela disse que irá investigar todos as denúncias que surgirem.
Menina sairá do Estado - Na madrugada de ontem, chegou a Belém do Pará missão da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, ligada à Presidência da República, chefiada pela advogada Márcia Ustra Soares, 42. Missão: retirar a menina e seus pais do Pará e colocá-los no serviço nacional de proteção a testemunhas, longe de potenciais agressores.A menina fez também um teste de gravidez para constatar se está esperando um filho. É possível que ela tenha engravidado na prisão. Ela disse ter sido estuprada pelos presos no período em que esteve detida.Resultado do exame da arcada dentária atestou que ela tem em torno de 15 anos. O teste foi feito para tirar a dúvida sobre a idade dela.
23 de nov. de 2007
Abaixo-assinado
(22/11/2007)
A divulgação que iniciamos a partir deste blog daquele vídeo da entrevista de Jô Soares com um taxista que trabalhou em Angola. Lembram? Aquele mesmo onde esse taxista abordava “a vida sexual angolana” e falou entre outras coisas que o “negro começa seu relacionamento sexual com garotas de 6, 7 anos e gosta de sentir as mulheres apertadas”. Pois então, aquela nossa divulgação já está tendo dois resultados objetivos para além da indignação. Acabo de receber um abaixo-assinado que está circulando na internet e será encaminhado para os ministros Tarso Genro, Nilcéia Freire e Matilde Ribeiro, como também para o Procurador Geral do Ministério Público do Rio de Janeiro. O abaixo-assinado solicita um pedido de desculpas da Rede Globo por ter transmitido aquele vídeo. Evidente que já o assinei. Sugiro que todos os leitores que como eu se indignaram com aquela estupidez façam o mesmo e divulguem o texto e o vídeo para sua lista de amigos. Quem não tiver assistido ao vídeo pode assisti-lo neste link.
Ilmo Sr, Ministro da Justiça, Tarso Genro Ilma Sra, Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro Ilma Sra, Secretária Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéia Freire Ilmo Sr, Procurador-Geral do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro Nós, os abaixo-assinados, repudiamos o conteúdo exibido na programação da Rede Globo de Televisão, no dia 18 de Junho de 2007, durante o “Programa do Jô”, pedimos uma retratação deste veículo de comunicação pela violência simbólica perpetrada nas afirmações do programa e requeremos do Estado brasileiro a apuração da responsabilidade pelas ofensas reproduzidas. Nesse dia, no programa desse conhecido artista brasileiro foi entrevistado o senhor Ruy Morais e Castro. A entrevista realizada com humor expressou frases racistas metamorforseadas em piadas inocentes que eram abonadas pelos sorrisos e aplausos da platéia, como pode ser conferido no endereço eletrônico: http://www.youtube.com/watch?v=ySWZXekdBkw Durante a reprodução do referido programa, o entrevistado, incitado pelo apresentador, deteve-se em apresentar detalhes do que denominaram “vida sexual angolana”. No relato que faz, vê-se a consagração da idéia de que África e os africanos representam uma civilização homogênea caracterizada pela inferioridade cultural e biológica, legitimando a mentalidade racista sustentada no argumento de que o continente africano, os países africanos, os povos africanos, em particular, a mulher africana são inferiores e que esta inferioridade pode ser comprovada por sua sexualidade animalesca. O constrangimento latente em cada uma das declarações exige uma ação estatal imediata. Não se pode esquecer que o Estado brasileiro assume publicamente o compromisso de promover e defender os direitos humanos do que é prova todas as convenções internacionais de que faz parte. Desde 1994, o Estado brasileiro como signatário da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, conhecida como "Convenção de Belém do Pará" sabe que é função do Estado “incentivar os meios de comunicação a que formulem diretrizes adequadas de divulgação, que contribuam para a erradicação da violência contra a mulher em todas as suas formas e enalteçam o respeito pela dignidade da mulher”. Sabe também, enquanto signatário da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1968) , que “a doutrina da superioridade baseada em diferenças raciais é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa, e que não existe justificação para a discriminação racial, em teoria ou na prática, em lugar algum”. E ratifica, de acordo com o caput da Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher , que é considerada violência psicológica e moral toda forma de constrangimento e ridicularização dirigido a alguém devido ao seu credo religioso, raça, gênero ou origem nacional. A entrevista exibida caminha na direção contrária da luta que, em diversos contextos e em distintas partes do mundo, povos de diferentes nacionalidades empreendem contra todos os tipos de opressão. Umas das questões a ser refletida na nossa sociedade global seria a seguinte: como os estereótipos racistas são reinventados em pleno século XXI? (Memmi, 1989/[1957]: 21, Babha, 2005: 105 - 128, Pinto, 1998: 168 - 210) O senhor Jô Soares e o Senhor Ruy Morais e Castro nos fornecem uma resposta como hipótese: os estereótipos racistas seriam reinventados pela mídia ao veicular atrações racistas como esta, do Programa do Jô. É óbvio que existem outras maneiras de se reinventar o racismo e/ou construir o racismo na sociedade contemporânea, contudo, o desserviço que o poder da mídia pode prestar é um fator considerável dado o seu papel de formadora de opinião. No caso em questão, o fato de a entrevista ter sido televisionada e o seu meio de difusão ter sido a Rede Globo, que detém há anos a maior audiência televisiva do Brasil e ampla exibição internacional, aumenta drasticamente as consequências lesivas das afirmações feitas e a necessidade de ação contra elas. O programa acima mencionado viola os direitos fundamentais expressos na Constituição Federal de 1988, as Convenções Internacionais de que o país é atualmente signatário e constrange toda a sociedade, como se não bastasse legitimar o ideário racista também acaba por propalar uma potente forma de apologia ao sexismo, à xenofobia e à pedofilia. Ridicularizando a diversidade cultural, uma das formas mais vis de que a cultura ocidental pode lançar mão para demonstrar sua suposta superioridade, as declarações feitas na entrevista erigem o androcentrismo como único ponto de vista, apresentando a raça negra como expressão do primitivo, do irracional e as mulheres negras como objetos meramente sexuais, onde o único comportamento “esperado”, independentemente de sua idade, é a promiscuidade e a subordinação de sua sexualidade ao desejo do homem.
21 de nov. de 2007
Fascismo escancarado
(Do secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrane, ao declarar que os traficantes estão se mudando para a Zona Sul para ficarem protegidos da polícia.)
"Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal."
(Do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, defendendo o aborto como forma de conter a violência na capital)
Como se vê, a política é de extermínio. Desde que não atinja ninguém em Copacabana, Ipanema, Leblon, etc, a polícia pode atirar à vontade, e quanto mais matar, mais eficientes são. Bem, como a lei da sobrevivência fala mais alto, os traficantes estão migrando para as favelas, perto dos bairros onde não se pode atirar. Os que estão na mira da execução sumária encontraram a saída. As classes privilegiadas não contavam com a astúcia da vida, não sabem que ela é mutante, dinâmica e criativa.
Quanto ao número de filhos padrão sueco, o governador poderia, sim, implantar nas favelas o padrão sueco, mas através da educação, da informação, de atenção à saúde da mulher, e não matando os filhos que nascem aos montes por falta de políticas públicas que propiciem às mulheres o próprio controle sobre sua fecundidade.
Uma pergunta que não pára de me atormentar: Como governantes e autoridades fazem declarações tão absurdas, fascistas e infames, e não são cobrados pela justiça?
Enquanto isso, sou processada por denunciar as condições da cadeia pública da minha cidade
Eu estou há dois anos respondendo a um processo infernal na justiça, já fui chamada à polícia várias vezes, já compareci a três audiências humilhantes, nas quais sou chamada de RÉ, de CRIMINOSA, ameaçada de condenação, porque escrevi num editorial do jornal Recomeço um alerta para as condições DESUMANAS na nossa cadeia pública, com as seguintes palavras:
“Não é aceitável a conivência de magistrados, fiscais da lei, advogados, enfim, operadores do Direito, com tamanha barbárie. O regime atual é um desrespeito à Constituição, à lei, aos cidadãos deste país, enfim, à nossa inteligência”.A minha declaração é de defesa da vida, contra o extermínio nas prisões, onde os presos são tratados como animais. Como vemos, o judiciário está mais para a defesa da morte do que da vida.
A lição do presidente Lula

Desde que assumiu, Lula tem sido execrado publicamente de forma cruel e desumana. Tornou-se o alvo predileto de pessoas mesquinhas e inescrupulosas, famosas ou anônimas, intelectuais ou analfabetas, sobretudo, e principalmente, de jornalistas venais e raivosos que se servem de seus editoriais para desferirem seus golpes rasteiros. Ao visitar blogs que fazem oposição a Lula chego a ter ânsia de vômito com tanta crueldade e baixaria, impublicáveis, indignas de serem dirigidas a um ser humano. Lula simplesmente sorrir. Ele não diz nada em sua defesa, no entanto, defende a pluralidade de opiniões e o direito que todo cidadão tem de se submeter a um julgamento justo antes de saírem por aí fazendo julgamentos precipitados. Enquanto é maçado pelos covardes, trabalha pelo bem dos que o ofendem, pelo bem da nação, para diminuir as diferenças ainda tão colossais em nosso País e no mundo.
A maior preocupação de Lula é com a pobreza e a fome mundial. Sempre que pode, em suas viagens oficiais, tem criticado os paises ricos que segundo ele poderiam ser mais generosos com os mais pobres.
O presidente Lula é visto lá fora como um grande estadista e os programas sociais do seu governo tem sido implementados com sucesso por outros países. Mas, e por que ele é tão odiado pela mídia e por setores da elite brasileira? Por que será que odeiam tanto um homem que tem feito tudo para dar ao Brasil a condição de País de primeiro mundo? Será por que é nordestino? É por ser de origem humilde e eles odeiam os pobres? É por que não tem curso acadêmico? É por que gosta (como todo bom brasileiro), de tomar umas cachacinhas vez em quando com os amigos, assistindo uma partida de futebol? É por que lhe falta o dedo mínimo e eles, amputados espirituais, odeiam os portadores de deficiências físicas?
O senador Artur Virgílio (PSDB-AM), disse numa entrevista à TV Globo que ele iria sangrar até a morte. E sangra. Ele é humano e a cada invenção de crise, a cada notícia mentirosa, cada chacota e comentário preconceituoso ao seu respeito, ele sangra, mas sangra sorrindo. Lula é o capacho dos colunistas, articulistas, editorialistas da elite branca, fundadores e membros da “Opus Dei”, entretanto, está sempre disposto e solícito, com seu sorriso simpático e otimista, às vezes até ingênuo, a dar entrevistas às emissoras e jornais manipuladores de notícias.
É preciso ter muita coragem para não exigir dessa imprensa covarde e raivosa uma retratação. É preciso muita coragem para sofrer acusações levianas e mentirosas todos os dias sem mover um único músculo em sua defesa. É preciso muita coragem, amor e desprendimento para perdoar essa corja de facínoras. Mas deve doer. Posso sentir seus gemidos a cada sorriso, posso sentir sua apreensão a cada entrevista para não cometer nenhum deslize, o cuidado para acertar, o medo de se expor ao ridículo, na principal atração do circo midiático armado pela imprensa conspiratória e dos setores da direita conservadora.
Lula sangra, injustamente, mas como um homem.
18 de nov. de 2007
17 de nov. de 2007
Deusa da corte
Advogados costumam dizer que há juízes que pensam que são deuses e juízes que têm certeza. É o caso da juíza Adriana Sette da Rocha Raposo, titular da Vara do Trabalho de Santa Rita, na Paraíba.
Nas palavras da juíza: “A liberdade de decisão e a consciência interior situam o juiz dentro do mundo, em um lugar especial que o converte em um ser absoluto e incomparavelmente superior a qualquer outro ser material”.
A consideração sobre a “superioridade” natural dos membros da magistratura faz parte de uma das decisões da juíza. Ela negou pedido de um trabalhador rural por considerar que seus direitos trabalhistas já estavam prescritos. O trabalhador largou o emprego em 1982 e só foi reclamar seus direito em agosto de 2007.
Adriana aproveitou a ocasião de decidir tão magna questão para ressaltar, em poucas palavras, toda a magnificência da profissão dos juízes. O trabalhador, além de perder a causa, teve de ouvir coisas como esta: “Ele [o juiz] é alguém em frente aos demais e em frente à natureza; é, portanto, um sujeito capaz, por si mesmo, de perceber, julgar e resolver acerca de si em relação com tudo o que o rodeia”.
Inacreditável, não é? Apesar do ataque de juizite, diz a notícia que a juíza de Santa Rita é uma atuante servidora da Justiça do Trabalho na Paraíba. Na próxima quinta-feira (22/11) ela promove em sua cidade, o projeto Conciliar e Arrematar. Pela manhã, haverá audiências de conciliação dos processos cujas partes já foram notificadas. À tarde, os processos que não foram resolvidos através de conciliação terão os bens ofertados em leilão.
Notícia completa no site Consultor Jurídico
13 de nov. de 2007
Efeitos da pena de prisão
A REALIDADE DOS EFEITOS DA PENA DE PRISÃO
Atropela-se mais uma vez a real problemática da pena de prisão, que claramente não atinge nenhum dos fins a que se propunha originalmente. No mundo inteiro o aumento da criminalidade e o medo da violência geram uma enorme demanda por leis penais mais severas. Evidentemente que movimentos como esses vão ao encontro das promessas políticas de candidatos convencidos que prender, prender e prender é a única solução.
Esse ciclo tem se perpetuado há tanto tempo a ponto de as reais conseqüências do aumento da população carcerária ficar completamente desconhecido do cidadão comum, que é quem paga os impostos, mas acredita que só a condenação e o aprisionamento de todos os tipos de criminosos resolverá a questão da violência nas nossas cidades.
A realidade, entretanto, é bem outra. A fase da execução penal é, senão, a mais importante do processo penal. É quando se executa e se administra o poder de punir do Estado. É o início e não o fim; é nesta fase que esperamos que o condenado tenha a chance de se recuperar e que no seu retorno ao convívio social esteja preparado para uma vida honesta e digna. Esse objetivo é ao que os grandes penalistas desde o século XVII aspiraram, mas que no mundo inteiro se perdeu diante da crônica falta de atenção aos problemas do sistema penitenciário.
Um dos maiores obstáculos para a reforma do sistema penitenciário é, sem dúvida alguma, a falta de informação é ainda agravada pelo sensacionalismo da mídia, que lucra e investe em programas que exploram o medo da violência. Apesar de ser importante a publicação e transmissão de casos criminosos, é também de fundamental importância que a mesma mídia esclareça que tais casos de crimes violentos representam uma minoria, e que infelizmente não são esses criminosos que lotam nossos presídios atualmente.
A grande maioria dos presos que cumprem pena atualmente foram condenados por crimes não violentos e inevitavelmente retornarão ao convívio social. É neste estágio que devemos todos nos concentrar: ELES RETORNARÃO. E ao serem reintegrados ao mundo, trarão consigo as experiências vividas na prisão, e são essas experiências que determinarão o futuro da vida em liberdade.
A sociedade, os políticos e o sistema judiciário devem se integrar para que o objetivo da recuperação e reabilitação do interno seja ressuscitado. Atualmente os índices de reincidência são altíssimos no mundo inteiro, o que mais uma vez comprova a falência da pena de prisão como é aplicada atualmente.
Sabemos que o sistema penitenciário é um setor do governo altamente sensível aos ânimos sociais e à manipulação política, o que sempre causou uma distorção da realidade carcerária. Este ciclo não é, entretanto, um fenômeno tipicamente brasileiro. A reforma da pena de prisão tropeça nesses obstáculos no mundo inteiro. Penalistas de países como os Estados Unidos lutam para educar e esclarecer a população sobre as limitações das prisões, na esperança de que políticos não abusem do discurso sobre a radicalização das políticas de execução penal.
Quanto mais os políticos e a sociedade se convencerem dessa realidade, mais espaço teremos em nossas prisões para aqueles criminosos notoriamente violentos e irrecuperáveis como, por exemplo, os nocivos traficantes de drogas do Rio de Janeiro e do resto do país.
Elaine Coelho é advogada formada em Direito pelo Uniceub e também jornalista formada em Jornalismo pela Unb; é mestre em Criminologia e Justiça Criminal pela Southern Illinois University.
Fonte:jornal Recomeço - edição 80
9 de nov. de 2007
Racista condenado
8 de nov. de 2007
Mais fotos da APAC-LEOPOLDINA
7 de nov. de 2007
APAC de Leopoldina

A capela recuperada, mas encontrada com as pedras da parede à direita cobertas de cimento.
Amanhã, postarei mais fotos das belezas do local.
6 de nov. de 2007
Edição 136
Já está no site do Recomeço a edição 136, com textos de 14 detentos das unidades prisionais de Leopoldina e Cataguases.
3 de nov. de 2007
Beltrane e Eichmann


PARECENÇA ENTRE OS TIRANOS
No interrogatório do seu julgamento pelo holocausto dos judeus na 2ª guerra mundial, Eichmann declarou que não se arrependia de coisa alguma, porque "arrependimento era para criancinhas"(está no livro "Eichmann em Jerusalém", de Hannah Arendt, p. 36).
Penso que o tirano secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrane, dirá o mesmo no dia do seu julgamento pelo holocausto nas favelas, julgamento este que, se não for nesta vida, será na outra (dizem os religiosos que existe). Tomara!
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ENTREVISTA
" Porque um tiro em Copacabana é uma coisa, um tiro na Coréia, no Alemão, é outra. E aí?”, declara o Secretário José Mariano Beltrane na entrevista ao site do Paulo Henrique Amorim. (clique aqui para ler a entrevista)
Impressionante o fascismo escancarado no Brasil. No site, sobre a entrevista, há dezenas de comentários dos leitores parabenizando o secretário fascista por sua proeza de matar tanta gente. Um dos leitores escancara o racismo ao referir-se aos dois fugitivos tentando se salvar dos tiros da polícia no helicóptero (na postagem Genocídio (3)) como "neguinhos":
(...) Dois neguinhos com armamento anti-aéreo tentando abater um helicóptero com funcionários do estado, que vistoriava a região...
Fernando Marques
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Beltrame é ovacionado em festa do lançamento de um novo carro da Citroen
A nossa elite desvairada e burra ovaciona o sósia de Eichmann. Leiam o episódio noticiado no suplemento Veja Rio, logo após as mortes anunciadas no Complexo do Alemão:
"Faltavam vinte minutos para a cantora Marisa Monte subir ao palco quando o presidente da Citroën do Brasil, Sérgio Habib, assumiu o microfone. O show, na casa de espetáculos Vivo Rio, marcaria o lançamento de um novo carro da marca. Depois dos agradecimentos de praxe, Habib pôs-se a citar alguns presentes entre os 3 200 convidados. Quando anunciou o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a platéia veio abaixo. Beltrame foi ovacionado numa noite em que a estrela era Kiefer Sutherland, o performático agente federal Jack Bauer da série americana 24 Horas, contratado como garoto-propaganda do novo carro. O episódio aconteceu na semana passada, poucos dias depois da megaoperação policial no Complexo do Alemão." (Suplemento Veja Rio)
2 de nov. de 2007
Polícia: Inglaterra e Brasil
Polícia inglesa é condenada por caso Jean Charles"A polícia britânica foi condenada ontem a pagar uma multa de 175 mil libras (R$ 630 mil) por erros que levaram ao assassinato, por engano, do brasileiro Jean Charles de Menezes no metrô de Londres em 22 de julho de 2005. Além da multa, a polícia também terá de pagar os custos do processo, de 385 mil libras (R$ 1,4 milhão), o que eleva o valor total para mais de R$ 2 milhões."
- Enquanto isso, no Brasil, mata-se a granel. Se a polícia brasileira fosse julgada pelos milhares de jean charles executados nas favelas e periferias, a instituição teria de sumir do mapa. E pior do que a impunidade da polícia, é a parceria estado-polícia-imprensa-sociedade, todos torcendo pela mortandade de pobres e negros. Pergunto: quanto tempo ainda levará para que nos tornemos um país humano e civilizado?
Aqui as instituições e autoridades nunca são julgadas pelos seus atos. Vejam o depoimento do secretário de Segurança do Rio sobre o relatório de execução sumária:
"A conclusão da perícia independente foi desqualificada pela Secretaria de Segurança Pública do Rio. Em nota, o secretário José Mariano Beltrame disse que os peritos responsáveis pela elaboração não estiveram no Rio de Janeiro para realizar o trabalho. "Trabalharam única e exclusivamente interpretando o laudo realizado pela Polícia Técnica do Rio de Janeiro, o que o desqualifica sob a ótica da ciência da perícia técnica."O secretário também afirmou que a análise divulgada é resultado de pressão de entidades de direitos humanos."
Simples, não? Estamos entendidos e fim de papo. Continua-se a matar.
Laudo independente da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, feito a pedido do próprio governo do Rio, aponta que, "com grau de certeza", houve "execução sumária e arbitrária" dentre as 19 mortes que ocorreram durante operação policial, em junho, no conjunto de favelas do Alemão, na Penha, zona norte do Rio.Segundo o documento, em ao menos duas mortes, as de José da Silva Farias Júnior e Emerson Goulart, "foram encontradas evidências de morte por execução sumária e arbitrária". O governo do Rio contesta a avaliação (leia texto abaixo).A perícia independente indicou ainda que cinco dos mortos foram atingidos por tiros de curta distância e que, em 14, foram encontrados 25 tiros que os atingiram pelas costas.O laudo concluiu ainda que seis dos mortos foram baleados no crânio e na face, e que os 19 mortos foram atingidos por pelo menos 70 tiros, sendo 75% em regiões mortais.A análise pericial independente da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República foi enviada ontem ao governo do Rio.
1 de nov. de 2007
Sistema jurídico falido
31 de out. de 2007
Genocídio (3)
A execução dos jovens, sem julgamento, sem prisão, soma-se às inúmeras ações na escalada de repressão ao povo pobre e favelado. Tão impressionante quanto as cenas exibidas é o crescimento constante da defesa de tais ações pela imprensa e pelo senso comum. Coisas como "tem mais é que matar mesmo", ou "marginal bom é marginal morto" tornam-se lugar comum, ao ponto de filmes como "Tropa de Elite" serem digeridos em especial pelos setores de classe média como a grande sacada no combate à violência.
E na medida em que o espetáculo de horrores passa a ser aplaudido, o fascismo põe o pé fora do armário e a barbárie policial passa até a ser televisionada.
Fonte: Mídia dos oprimidos
30 de out. de 2007
O tempo dos assassinos (Rimbaud)

Você que me ouve, preste muita atenção!
Eu estou chegando, chegando... chegando!
(aaaaaaaa!!!)
Iai, mandou me chamar?
BOPE vai te pegar
BOPE vai te pegar
Homem de preto, qual é sua missão?
Entrar pela favela e deixar corpo no chão
Homem de preto, que é que você faz?
Eu faço muitas coisas
que assustam o satanás
BOPE vai te pegar (pega daqui, pega de lá)
BOPE vai te pegar (pega daqui, pega de lá)
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando
É o BOPE matando
Então não corre porra e não treme mané!
BOPE vai te pegar (pega daqui, pega de lá)
BOPE vai te pegar (pega daqui, pega de lá)
Tropa de elite, osso duro de roer,
pega um pega geral, também vai pega você
Tropa de elite, osso duro de roer,
pega um pega geral, também vai pega você
Bate com o pé, bate com a mão,
bate com o pau o BOPE é mal, quebra geral
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando
Cachorro latindo, criança chorando,
vagabundo vazando
É o BOPE chegando...
É o BOPE matando...
(música do BOPE que os soldados cantam
rapidamente em um trecho do filme Tropa de Elite)
"O terror deste Rio é o ‘caveirão’.
Entra em favela, invade o morrão.
Se você canta e tem amor à vida,
vamos te meter bala e não é perdida”.
29 de out. de 2007
Governador genocida (2)
O Pôncio Pilatos do Palácio Guanabara
A morte de negros e pobres de agora em diante está publicamente autorizada...Em um dos capítulos de “O Príncipe”, Maquiavél indicava a um chefe de estado como deveria agir para evitar ser desprezado e odiado. O referido florentino afirmava que as ações de um príncipe deveriam ser reconhecidas pela grandeza, coragem, gravidade e fortaleza. O chefe de estado deveria furtar-se a ações que fizessem-no ser visto como volúvel, leviano, pusilânime e irresoluto.
Seguindo a cartilha maquiavélica, o governador Sérgio Cabral vem perdendo várias oportunidades de se tornar um “príncipe” estimado entre a população. As duas últimas declarações saídas do seu governo, a primeira proferida pelo seu secretário de segurança e a segunda dita pelo próprio Sérgio Cabral deram um golpe de morte a qualquer tentativa cidadã de política de segurança. As seguidas carnificinas promovidas pela polícia do Rio de Janeiro a as declarações legitimadoras desses dois “representantes do povo” extinguiram qualquer possibilidade de uma ação anti-racista e includente.A morte de negros e pobres de agora em diante está publicamente autorizada e a favela permanece o teatro de operações em que as assim chamadas políticas de segurança estarão livres para agir: seja no controle da natalidade, evitando a “fábrica de marginais”, seja exterminando todo e qualquer elemento suspeito. Qualquer negro, pobre ou favelado é uma ameaça em potencial!!
O governador Sérgio Cabral só aparece nas manchetes relativas a confrontos com traficantes. A grande discussão no seu governo é se o confronto é a melhor das estratégias para derrotar o tráfico. Depois de oito anos de políticas assistencialistas dos governos anteriores, continuamos esperando a tão sonhada conciliação defendida durante a campanha eleitoral. Até aqui a impressão causada pelo governo Sérgio Cabral é a de que este compartilha das convicções de Washington Luis a quem se atribui a famosa frase “questão social é questão de policia”. Essa impressão é reforçada pela obscuridade a que foram relegadas as políticas sociais neste governo. Seria polícia o principal instrumento das políticas sociais do Estado?
Nosso governador parece estar governando o Rio de Janeiro em plena década de 20 do século passado, quando as teorias eugenistas e a criminologia de Lombroso eram grandes novidades e se colocavam como bases teóricas para execução de políticas de governo. Se o governador pretende entrar para história ele tem antecessores de peso que conseguiram alçar essas idéias ao sucesso, mesmo que de forma transitória. Como se pode ver, os exemplos de Hitler e Mussolini jamais cessaram de ser cultivadas no decurso das intervenções governamentais da história brasileira.
Tal é a filosofia a que parece aderir o governador que recebeu 68% dos votos válidos do Rio de Janeiro. No entanto, verdade seja dita, Sérgio Cabral profere uma opinião aceita por numerosas personalidades, desde que o Brasil é Brasil, no Rio de Janeiro e fora dele. Como se pode ver (e cabe lembrar as declarações do Biólogo James Watson) ele não fez mais do que exprimir uma concepção de uma parcela da sociedade brasileira, aquela que consiste em procurar para os grupos sociais, uma origem distinta, gloriosa para alguns e decadente e perniciosa para outros.
No coração carioca a favela é o novo cristo redivivo. Ninguém acredita no poder redentor desta parte da população, muitos riem de suas desgraças, vêem seus moradores carregando suas cruzes e blasfemam pensando estarem lidando com heresias. E o que outrora foram pregos e chicotadas agora são balas de fuzil da guarda do Pilatos do Palácio Guanabara.
Diariamente, para nos salvar do clima de violência carioca, para obter o perdão e diminuir a culpa pequeno burguesa de alguns grupos e nos devolver a graça e beleza do tempo em que “Ipanema era só felicidade”, voltamos às práticas de sacrifícios coletivos em que milhares de vidas de negros e pobres são oferecidos para uma força maligna idolatrada por todos aqueles que compactuam com esse genocídio.
Neste novo cenário, a via-crúcis da população pobre do Rio de Janeiro está nos estágios preliminares de sua escalada. Os esforços do governo para conseguir adesão e solidariedade nos segmentos que vivenciam o extermínio mediante artifícios midiáticos não estão surtindo efeito. O governo do Sérgio Cabral que conquistou grande índice votos nesses segmentos, não está poupando os seus próprios eleitores e está entregando-os à morte em nome da Família, do Estado e da Propriedade. E a favela sofre, fazendo-nos crer que seu sacrifício pode salvar-nos, pondo-nos a refletir e relativizar o sexto mandamento: não matarás!
Será que Sérgio Cabral esqueceu que do ventre de uma dessas mulheres que ele atribuiu como fábrica de marginais saiu o nosso Presidente Lula, aliado de grande importância para o governador? Poderia ele ser racista tendo um pai que embora branco possui características tão negróides? Será que o governador se lembra de que como nós, muitos outros negros votaram nele e hoje pensam nesse voto com constrangimento e vergonha?
De repente .
Uma voz de ai ai se estrangula no fundo do mato:
- não fui eee...u
Bate a porteira da tocaia: Páa
Esta pancada seca
Ouve-se por todo o Brasil.(Raul Bopp)
______________________________AUTORES
Lenora Louro – Psiquiatra
Rogerio José – Historiador
27 de out. de 2007
Educação na cadeia
Um dos detentos a definiu com um "Triunfo à professora Beth":
Oh! Diva Beth! Tu és a luz que resplandece.
Quando entras pela galeria, enche nossos corações de alegria. És uma benção! Este teu lindo sorriso. Deus nos abençoa quando você se põe a orar. Se não acreditas em santos, como posso lhe chamar?
Agradeço a Deus por ter lhe conhecido. És uma graça, és uma irmã que nos abre os braços. Beth, Dona Beth, irmã Beth, não importa. É a heroína que nos traz a vitória.
Leiam o relato da Beth ao passar pelas celas com o carrinho (de supermercado)distribuindo livros:
"Quando chego na porta das celas, eles já brincam: “veio comprar o que D. Beth?” Eu respondo: “hoje vou comprar o incomprável: o seu conhecimento e seu prazer de viajar pelo mundo das letras. Hoje tem Ernest Hemingway”.
Daí eles morrem de rir, e dizem assim: “não vale, torci minha língua”.
Tento convencê-los: “vamos falar juntos e devagar, depois você vai também conseguir falar I love You para sua amada”.
“Não, dona Beth, ela vai pensar que estou xingando.”
Depois desse diálogo, consigo que ele fique com pelo menos dois livros e todos da cela também se contagiam com as gargalhadas e pegam mais livros.
Em outra cela: “Hei, dona Beth, tem” livro quente” hoje? Igual ao O Cortiço, Gabriela...?”
Digo: “Hei, menino, isso demais faz mal, que tal esta linda história real de um náufrago que...?
“Mas, dona Beth, já naufraguei aqui faz tempo!”
Daí não tem jeito, tem que ser mesmo o “livro quente”."
24 de out. de 2007
Sentença inacreditável
Para juiz, proteção à mulher é "diabólica"
22 de out. de 2007
Entrevista aviltante
Veja o vídeo
O Coletivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro e instituto Memória Lélia Gonzalez se manifestaram:
"O endereço acima exibe o vídeo da entrevista feita por Jô Soares ao angolano Ruy Morais e Castro no seu Programa. Entrevista infame e aviltante para nós, mulheres, jovens e meninas negras. Enfim, é de total desrespeito a nossa raça, a nossa gente. Esse é o endereço do desrespeito, do racismo global.
TV GLOBO...NÃO É ASSIM "QUE A GENTE QUER SE VER POR AQUI."
Já enviamos esse material para o Consulado de Angola informando e exigindo uma posição. E , dia 21 de outubro - Domingo, será o dia de repúdio a essa e outras ações da Globo."
20 de out. de 2007
Governador genocida
"Eles (OAB e entidades) têm sua opinião e eu que fazer o meu trabalho, que será o mesmo, de combate à criminalidade. Se eu pudesse chegar para esses marginais e dizer: ‘Me devolva esse fuzil, essa metralhadora .30 e a granada, pois vamos fazer um seminário para discutir como os senhores podem devolver’, eu ficaria feliz da vida."
18 de out. de 2007
Presídios para a desigualdade

HAJA PRESÍDIOS
O governo de São Paulo anuncia que vai construir 44 presídios até 2010. Eles receberão 30 mil detentos a se manter a média de 6 mil presos por ano ingressando no sistema penitenciário paulista. Quando estiverem concluídos, São Paulo totalizará 189 prisões, com mais vagas do que todos os outros Estados somados.
Os presidiários serão quase todos pretos, pobres ou quase pretos de tão pobres, confirmando que o Haiti, um dos países mais miseráveis do mundo, é mesmo aqui. É a maneira de a sociedade se proteger dos ladrões de Rolex de 50 mil reais.
Faz todo o sentido São Paulo ter tamanha quantidade de presídios. É lá que está a maior parte do dinheiro no Brasil e onde a desigualdade brasileira, ao nível de Haiti e dos mais pobres países africanos, se expressa com todo o seu esplendor. Andar por certas áreas de São Paulo chega ser ofensivo. Calçadas com tapetes, carros importados, grifes sofisticadas e restaurantes que cobram por uma refeição o que um trabalhador levaria vários meses para acumular.
Quando perde alguns de seus pertences, a parcela mais rica grita pelo capitão Nascimento, que vem sendo aplaudido nas salas de cinema. Aos mais pobres, a lei e os presídios. Em certos casos, às favas com os direitos civis, a julgar pela aprovação aos métodos do Bope, personagem do pirateado Tropa de Elite.
Nas ruas das grandes cidades, cada vez mais polícia para tomar conta da desigualdade. Nas frequentes blitz, motoristas negros são parados por policiais também negros numa espiral irônica em que pobres tomam conta de pobres enquanto a minoria mantém a mais cruel concentração de renda. Políticas distributivas são atacadas como demagógicas e populistas, e sua continuidade é ameaçada pelo conservadorismo político. O Brasil continua sob o capitalismo selvagem, sem desfrutar das reformas que o civilizaram. Essa é a estreiteza das elites, tão minoritárias e egoístas.
É essa a insustentabilidade do modelo brasileiro. Não tem crescimento de 5 por cento ao ano que reduza as tensões geradas pela desigualdade e concentração de renda. Um estudo de 2006 da New Economic Foundation, da Grã Bretanha, dizia que com o rtimo de crescimento de pouco mais de 2 por cento ao ano, o Brasil levaria 304 anos para atingir o mesmo nível de distribuição de renda dos países ricos. Podemos considerar que com o dobro do crescimento, levaríamos um século e meio. O crescimento da economia é fundamental, sim, para atacar esses problemas, mas é preciso mais. Na Noruega, a diferença entre os 10 por cento mais ricos e os 10 por cento mais pobres é de apenas seis vezes. No Brasil, é de 57 vezes. A fatia de renda do 1 por cento mais rico é a mesma dos 50 por cento mais pobres, diz estudo do Ipea de 2006.
O insuspeito Banco Mundial afirma que a pobreza retarda o crescimento e defende a redistribuição de renda em países como o Brasil. Enquanto a pobreza não for vencida por políticas públicas, entre elas a educação de qualidade universalizada e o acesso ao mercado de trabalho ampliado, não haverá sossego nas grandes cidades, nem presídios que dêem conta da explosão social.
Fonte: site Direto da Redação
17 de out. de 2007
Lula e Edir Macedo???
Lula e Edir Macedo durante inauguração do canal Record News, em SP (Folha Online-17/10/07)A notícia abaixo mostra bem o quanto o Brasil é presa fácil para embusteiros "religiosos". Enquanto em países africanos, governos e justiça vêm usando a lei e a ordem para impedir esses abusos contra o povo, no Brasil, as pseudo-religiões deitam e rolam, inclusive com o beneplácito do próprio presidente da República que, renegando seu passado de conscientização das massas, tem se posicionado a favor das fraudes através da manipulação de fé religiosa. Será que o Lula não sabe a diferença entre religião e exploração? Será que ele diria ao povo pobre brasileiro que a pobreza é fruto dos "espíritos e demônios" e que a solução é procurar um templo da igreja universal, doar seus últimos recursos e aguardar as bênçãos de Deus que, a essa altura, já foram para a conta do Edir Macedo?
Igreja Universal é expulsa da Zâmbia
Em fevereiro, Madagascar baniu a igreja e ordenou que o grupo religioso cessasse suas operações no país, uma grande ilha do Oceano Índico, quatro meses depois de quatro religiosos terem sido presos por supostamente queimar uma Bíblia e outros objetos religiosos.
A Igreja Universal do Reino de Deus, que foi banida de Zâmbia na semana passada por suposta prática de satanismo, incluindo sacrifício humano, decidiu desafiar a decisão de um tribunal do país. Eles entraram com um recurso na Suprema Corte para anular a expulsão imposta.
O Governo africano da Zâmbia também ordenou que dois pastores brasileiros deixassem o país dentro de sete dias, mas estas expulsões também estão sendo contestadas na Suprema Corte.
A igreja alega que os procedimentos naturais da Justiça não foram seguidos", disse o religioso.
Na semana passada, o Governo de Zâmbia retirou o registro da Igreja Universal após relatos de que o grupo estava envolvido em sacrifícios humanos.
A notícia provocou a fúria de milhares de zambianos em Lusaka, que acabaram por quebrar janelas de um novo templo da igreja e por atirar pedras em carros depois de rumores apontarem para o seqüestro de duas pessoas para serem em seguida sacrificadas.
"As permissões de trabalho destes dois pastores foram anuladas", declarara no sábado o secretário das Relações Exteriores, Peter Mumba, destacando que os dois homens, Carlos Barcelos e Jammiya Claver, tinham uma semana para abandonar o país.
A polêmica Igreja Universal foi banida previamente de Zâmbia em 1997, mas voltou a operar no país sob uma ordem judicial.
Em fevereiro, Madagascar baniu a igreja e ordenou que o grupo religioso cessasse suas operações no país, uma grande ilha do Oceano Índico, quatro meses depois de quatro religiosos terem sido presos por supostamente queimar uma Bíblia e outros objetos religiosos, segundo fontes locais.
A Igreja Universal do Reino de Deus foi fundada no Brasil em 1977 pelo bispo Edir Macedo, um ex-funcionário da tesouraria da loteria do Rio de Janeiro (Loterj).
A Universal diz ter seis milhões de membros em 90 países, incluindo os Estados Unidos e nações da Europa e Ásia.
16 de out. de 2007
Drummond

Meu Deus, por que me abandonaste
14 de out. de 2007
FANATISMO RELIGIOSO
Lendo por aí sobre a badalada biografia do bispo Edir Macedo, li que ele é "um dos personagens mais polêmicos" do país.
Que triste sina brasileira! Um homem flagrado naqueles vídeos ensinando os pastores a tirar dinheiro do povo, que acumulou uma fortuna à custa da ingenuidade das pessoas, acusado de "curandeirismo, charlatanismo e estelionato" e só não foi condenado porque, como diz Millôr Fernandes "no Brasil, se o crime compensa, não é crime".
E como compensa abrir "igreja" no Brasil! Em todas as cidades, as "igrejas" viraram concorrentes de farmácias e bares, é o que mais abre em todos os bairros, principalmente os mais pobres.
Quanto recurso não é desviado da qualidade de vida da população para sustentar a vida dos "pastores". Pastores de ovelhinhas incautas, com o aval do estado, que em vez de proteger a população desse estelionato a céu aberto, ainda incentiva esta forma de fanatismo religioso.
Quantas pessoas não morrem sem procurar atendimento médico para suas doenças em função da orientação dos evangélicos de quem cura é Jesus. É óbvio: se gastarem dinheiro com tratamento, médicos, remédios, boa alimentação, não sobrará dinheiro para a conta do Edir Macedo e outros charlatões. Pessoas que deveriam procurar tratamento com psicólogos e psiquiatras são levados a acreditar que estão "possuídos pelo demônio", uma verdadeira volta ao obscurantismo da idade média.
"Bispo Macedo é uma personalidade interessante", continua a matéria. Realmente, muito interessante como este nosso país vem caindo cada vez mais no atoleiro da enganação, enganação dos políticos, das elites exploradoras e agora das pseudo-religiões, cujo crescimento nos faz temer uma volta a tempos sombrios e tenebrosos, de total ignorância dos avanços científicos da humanidade. Tudo em nome do dinheiro, do lucro que vão fortalecer cada vez mais os clãs religiosos.
Vejam com seus próprios olhos a tática de estelionato: como enganar e explorar o povo:
13 de out. de 2007
Sobre crianças jogadas fora
Leia no Blog da Glória
11 de out. de 2007
Das elite
O Estado brasileiro comete, aceita, orienta e permite os homicídios. É, portanto, homicida por sua própria natureza. Apenas símios engravatados com as insígnias das corporações nos peitos (até nos siliconados) e nos cérebros. Serviçais uniformizados e paranóicos.
Leia-se no dicionário o sentido da palavra tropa. O cotidiano mórbido dos meios de comunicação, com suas pedofilias, impunidades, sobretudo, sua apologia aos mais variados crimes caracteriza os jornalistas, articulistas e os chamados repórteres, como uma das tropas subalternadas das elite, estejam elas no status que estiverem. Ferréz cometeu apologia ao crime? Hã, hã! Então conclui-se que até mesmo nas escrituras o "outro" será penalizado. É proibido criar a partir do caos? É proibido confirmar que alguns, embora situados nas camadas inferiores do triângulo hierárquico do poder, estão com seus olhos abertos, seus ouvidos limpos e suas mãos prontas para exercitar o pensamento, a racionalidade? É proibido, por meio da arte da escrita apresentar aos leitores a prova da possibilidade da razão humana?
Ferréz cada dia melhor. Ferréz é um escritor. Ferréz é um psicólogo social. Ferréz é um sociólogo. Ferréz é um cientista social. Ferréz é um filósofo. Ferréz é uma esperança ao que a civilização entendeu como animal racional. Ferréz é a prova de que a linguagem pode ser a flecha cujo alvo é a consciência humana. Os escritos desse rapaz poderiam, se permitissem, nos remeter ao que há de mais valoroso no ser humano: sua capacidade de ultrapassar a inércia, o comodismo, o medo. Férrez não escreve como os notórios, tampouco para aqueles que buscam, através da escrita a manutenção de sua notoriedade; notoriedade esta que os privam da luta diária pelo pão. Seus senhores não os deixam sofrer o infortúnio das necessidades, sequer a necessidade da lucidez, mantendo-os constantemente sob ordens, explícitas ou implícitas. Excitados.
Propagandear a impunidade não é apologia ao crime? Se eles podem cometer latrocínios com as agravantes da premeditaçao e dos motivos fúteis (roubar e matar milhões) sem punição, por que eu não posso furtar (sem violência) um relógio? Não será crime negar o poder das ciências e optar pela disseminação da dor? Não será crime manter crianças, jovens e adultos na ignorância de seu próprio corpo? Não será crime apoiar guerras? Tropas de jornalistas, tropas de professores, tropas de escritores, tropas de cientistas, tropas de empresários, tropas de juízes, tropas de padres e pastores com seus pensamentos uniformes e suas tropas uniformizadas. Apenas símios engravatados com as insígnias das corporações nos peitos (até nos siliconados) e nos cérebros. Serviçais uniformizados e paranóicos. Até para matar deveria existir uma razão. Os animais o sabem e são considerados irracionais. Rascunhos de seres racionais. Uniformes e uniformizados. Batinas ou togas, pouco importa. Co-autores de delitos contra a humanização da vida. Servis cumpridores de códigos de honra e de conduta dos bárbaros. Pobres coitados. Passam pelo planeta como formigas e, quiçá, nem às formigas podem ser comparados.
Um dia a pirâmide hierárquica será revolvida pelos "de baixo" e não haverá padres, polícias ou juízes que conseguirão manejar o populacho. "Sem os im-postos" do poder, a pirâmide não sustenta a ração (para cada tipo de tropa, um cardápio) diária das tropas uniformes e uniformizadas. Sem ração não haverá como justificar o crime com o diploma da representação popular. Os mortos-vivos sairão de seus túmulos e exigirão seu lugar na vida , criando uma nova história desvinculada da estória das elite. E os crimes estarão tipificados em lei, porquanto até hoje, nessa fazenda chamada Brazil, a norma legal não proibe matar. Ao contrário, faz apologia ao crime ao determinar no artigo 121 do Código Penal simplesmente a frase: Matar alguém Ponto e, imediatamente, passa a determinar as penas. O Estado brasileiro comete, aceita, orienta e permite os homicídios. É, portanto, homicida por sua própria natureza. Aceita o delito como um fato, como se todos nós partilhássemos desse lodaçal no qual insistem em se deliciar. E se escrevêssemos "é proibido matar?" e especificássemos tão somente as possibilidades do acontecimento, considerando a insistente barbárie? E se, ao invés de fazer apologia ao roubo, a norma jurídica afirmasse que "roubar é proibido?", quais seriam os doutos que conseguiriam fundamentar as defesas das quadrilhas institucionais? Apologia ao crime? Vamos colocar um pouco de inteligência e ciência nesta afirmativa. Direitinho, certinho, dentro das regras estabelecidas pelas academias e pelas prisões metodológias da falsa ciencia. Recolhamos os pedaços dos cadáveres de Aristóteles, Platão e Rousseau, os amados e assassinados filósofos da civilização. Não nos esqueçamos dos arqueólogos, dos biólogos e dos físicos. Então veremos o que quedaria do "direito penal para o inimigo", do "direito civil para o inimigo", enfim, com que armas teóricas a escolástica medieval justificaria seus crimes diários?
Não assisti ao filme. Respeito o cinema nacional, todavia, há de existir um momento na vida de uma pessoa no qual deverá optar pela maturidade e, para que se atinja a maturidade, necessário será responsabilizar-se por sua sanidade mental, e o primeiro passo, acredito - por enquanto - é abandonar a cegueira e tentar um ensaio sobre a lucidez. Ferréz tem a lucidez que falta aos escrevinhadores do sistema e o jornal foi feliz em usar esse artifício para chamar leitores e fazer propaganda gratuita pela web. Longa vida ao Férrez e que mantenha ereta a espinha dorsal, olhos abertos, ouvidos atentos, tato sensível e inteligência em constante desenvolvimento.
A verdade está sempre mais adiante e começa a se manifestar pela visão da realidade, individualmente, além do medo, além do bem e do mal.
Vera Lúcia Vassouras
Advogada
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Nota: Das elite - Neologismo oriundo do populacho, significando grupo de pessoas que não tem lucidez e, sendo assim, não sabe usar a própria língua com objetivo de propiciar o desenvolvimento da inteligência, podendo significar, ainda, uma nova forma de interpretação rápida da ignorância de membros de qualquer poder que seja exercido em contra o desenvolvimento da racionalidade. Exemplo: literatura das elite, senado das elite, congresso das elite, empresas das elite, justiça das elite, comunicação das elite, escolas das elite, poder das elite, etc. Pronuncia-se como : DAZELITE com o Z sibilado durante a verbalização, imitando-se a linguagem das cascavéis. Uso: deve ser empregado sempre que se pretenda fazer entender sem necessidade de justificação, sendo adequado, para que não se perca, de modo algum, o significado, que após a emissão da palavra dê-se um leve e simpático sorriso, com a finalidade de não provocar a ira de possíveis membros das referidas tropas, geralmente detectados usando uma máscara de demo-cratas, liberais, etc.




Horta cultivada pelos recuperandos



