Wikipedia

Resultados da pesquisa

19 de fev. de 2008

Manifesto do GTNM

Transcrevemos o manifesto do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ (GTNM/RJ) contra a condenação da editora do jornal Recomeço
Quem denuncia é processado
No Brasil está se tornando comum não somente perseguir e criminalizar os defensores de direitos humanos, mas processá-los judicialmente. Como aconteceu recentemente a nós do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, mais uma valorosa defensora dos direitos humanos vem sendo processada pela justiça brasileira.
Trata-se da professora Maria da Glória Costa Reis que há sete anos publica, na cidade de Leopoldina (MG), o jornal Recomeço impresso e em site na internet. São matérias voltadas para a defesa dos direitos humanos, em especial sobre a questão carcerária, contando com a produção dos presos que ali têm um espaço de escuta e publicização de algumas de suas questões.
Em 2005, em função do editorial da edição 117 do referido Jornal, o juiz da Comarca de Leopoldina acusou Glória de difamação por ter ela escrito: “Não é aceitável a conivência de magistrados, fiscais da lei, advogados, enfim, operadores do Direito, com tamanha barbárie. O regime atual é um desrespeito à Constituição, à lei, aos cidadãos deste país, enfim, à nossa inteligência”. Glória referia-se, dentre outros abusos praticados na cadeia Pública de Leopoldina, aos presos ficarem 11 meses sem sair da cela nem para um banho de sol sequer.
Em janeiro de 2008, a juíza Tânia Maria Elias Chain condenou Glória Reis a 4 meses de detenção inicialmente em regime aberto.
Diante disto, solicitamos que este Apelo seja o mais amplamente divulgado e que mensagens sejam enviadas para as seguintes autoridades:

Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República
Dr. Paulo Vannuchi
Esplanada dos Ministérios - Bloco T – Ed. Sede - Sala 422 -
Brasília – DF – CEP.: 70064-900
e-mail: acaf@sedh.gov.br
Fone: (61) 3429.9382 Fax: (61) 3429.3261
-------------------------------

Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público

Sr.Antonio Fernando Souza

Ministério Público Federal
SAF Sul, Quadra 4 – Conj. C – Bloco B, sala 501

Brasília – DF – 70050-000

FAX: (61) 30316391

--------------------------
Corregedoria Nacional de Justiça
Ed. Anexo I do Supremo Tribunal Federal,
3° Andar, Sala 360 Praça dos Três Poderes, s/n°
Brasília – DF - CEP: 70.175-900
E-mail: corregedoria@cnj.gov.br
Fones: (61) 3217.4553/4552 - Fax: (61) 3217.4505
----------------------------
Secretário Geral do Ministério Público Federal
Sr. Carlos Frederico Santos Ministério Público Federal SAF Sul, Quadra 4 – Conj. C – Bloco B, – Brasília – DF – 70050-000
FAX: (61) 30315835
----------------------------
Procuradoria da República no Estado de Minas Gerais
Exmo. Sr. Procurador-Chefe Eduardo Morato Fonseca
Rua Pouso Alto, 15 – Bairro da Serra
Belo Horizonte – Minas Gerais – 30240-180
FAX: (31) 21239142Site: http://www.prmg.gov.br/
---------------------------
Presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais
Desembargador Orlando Adão Carvalho
Gabinete da Presidência – Rua Goiás, 253 - anexo II – 14º andar -
Belo Horizonte – MG -
Fone: (31) 3237.6594- gapre@tjmg.gov.br
---------------------------
Corregedor-Geral de Justiça
Desembargador José Francisco Bueno

R. Gonçalves Dias, 2553 - Lourdes -
Belo Horizonte - MG – CEP.: 30140-092.
---------------------------
Assembléia Legislativa de Minas Gerais
Comissão dos Direitos Humanos
Sr. Durval Ângelo Andrade
Gabinete:
R. Rodrigues Caldas, 30 - Palácio da Inconfidência - 1º andar - conj.106
Bairro: Sto. Agostinho - Belo Horizonte – MG -
CEP 30190-921
Tel: (031) 2108-7245 Fax: (031) 2108-7525
E-mail: dep.durval.angelo@almg.gov.br
--------------------------
Assessoria de Comunicação (ASCOM) - faleconosco@tjmg.gov.br
--------------------------
SEAC-Serviço de Atendimento ao Cidadão
Tribunal de Justiça de Minas Gerais seac@tjmg.gov.br
--------------------------
Chefe da Ouvidoria Geral da Cidadania
Sr. Pedro Luis Rocha Montenegro
Ministério da Justiça -Esplanada dos Ministérios - Anexo II – sala T 5 –
Brasília – DF - CEP.: 70064-900
E-mail: ouvidoria@sedh.gov.br
Telefone: (61) 3321.1565
----------------------------------------------------------
Pela Vida, Pela Paz! Tortura Nunca Mais! (no site)
Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2008

18 de fev. de 2008

Indignação!!!

Manifesto diante da sentença de condenação da editora do jornal Recomeço

Meu sentimento em relação ao que acabo de ler é de indignação como professor de Direito Penal e como cidadão.
Primeiro, pelo corporativismo.
Segundo, porque a responsabilidade é, sim, do magistrado, ainda que como cidadão deve aplicar e zelar pelos direitos fundamentais previstos no art. 5, CF, além de ser um agente público que tem o dever de buscar o princípio da humanidade, ainda mais dentro dos presídios.
A desculpa de que o sistema carcerário é falho é RIDÍCULA.
Terceiro, porque não vejo nenhuma imputação direta de fato à pessoa do Magistrado.
Quarto, porque a crítica é livre e não constitui crime.
Quinto, sexto, sétimo... poderia enumerar um sem número de motivos.
Esses fatos só nos fazem desanimar ainda mais com o Direito, ou melhor, com os aplicadores do Direito que se apegam a tecnicismos jurídicos e se olvidam de que o
DIREITO FOI FEITO PARA O HOMEM E NÃO O CONTRÁRIO.
Lamento, lamento, lamento.

Grégore Moreira de Moura
Professor do curso de Pós-Graduação e Curso Preparatório da ANAMAGES/APROBATUM - BH
Autor do livro Do Princípio da Co-culpabilidade - Editora Impetus

17 de fev. de 2008

Segundo aviso ao governador Aécio Neves

Cadeia de Leopoldina(MG):
situação é grave e desumana

Vereadores Emmanuel Azevedo e Luiz Sérgio Ienaco visitam a cadeia

Vereadores fizeram representação às autoridades competentes, relatando:

"Situação é dramática, de calamidade pública, presos tratados como verdadeiros bichos, umidade, mofo, infiltrações por toda parte, esgoto a céu aberto, superlotação, ventilação deficiente, mau cheiro de fezes e urina, instalações elétricas em péssimas condições, celas com mais de 20 detentos onde caberiam no máximo 7, não é lugar para ser humano viver"

doenças de pele
doenças neurológicas
doenças psiquiátricas
presos com pneumonia dormindo no chão frio
presos amontoados dormindo um em cima do outro
não há serviço de saúde
não há material de limpeza e higiene
não há nenhuma atividade ou ocupação
presos com benefício vencido
funciona com 200% acima da capacidade

José Luiz Bello

Pedagogo - Professor Universitário
Coordenador do site
Pedagogia em Foco
Glória
O que mais posso dizer senão que “é lamentável”. Relacionar uma opinião com calúnia e difamação é proibir alguém de se manifestar democraticamente. Nós, que vivemos o terrível período da ditadura militar, sabemos que o cerceamento de opinião nada mais é do que o exercício pleno e claro do autoritarismo.
Se ter a opinião de que “não é aceitável a conivência de magistrados, fiscais da lei, advogados, enfim, operadores do direito com tamanha barbárie” é crime, pois que condenem a maioria da população brasileira, inclusive a mim, já que concordo com seu pensamento.
Um grande abraço, parabéns pela sua luta e minha absoluta solidariedade.

16 de fev. de 2008

Aviso ao governador Aécio Neves

A cadeia de Leopoldina poderá ser a próxima tragédia carcerária de Minas Gerais
Governador, veja a foto. Nesta e nas outras celas em igual condição, tem uma média de 20 pessoas presas. São mais de 100 presos ao todo. Repare nos fios e imagine um curto circuito como aconteceu em Rio Piracicaba em janeiro deste ano.
Sei que o senhor estava de férias, esquiando em Aspen, nos Estados Unidos e, portanto, deve chegar (ou já chegou) super descansado e relaxado, em perfeitas condições de tomar providências enérgicas contra o caos carcerário de Minas Gerais.
Governador, ano passado, Minas Gerais foi palco da terceira maior tragédia no sistema prisional brasileiro, quando no dia 23 de agosto de 2007, 25 presos morreram queimados dentro de uma cela em Ponte Nova, MG (Ler notícia).
Este ano, em janeiro, já morreram mais 8 presos no incêndio em Rio Piracicaba-MG, a 131 km do seu palácio, aí em Belo Horizonte (isso fora os que morrem a granel, cotidianamente, em cadeias e presídios do estado).

Governador, em Leopoldina-MG não será falta de aviso. Eu fui até processada por um juiz e um promotor, e condenada por uma juíza pelo "crime" de escrever um editorial num jornalzinho pedindo às autoridades que olhassem pela situação da cadeia. Sabe o que a juíza disse na sentença? Que o juiz da Execução Penal não é responsável pelas condições da cadeia. Eu não entendo mais nada neste país, as autoridades nunca são responsáveis por nada. O senhor poderia me dizer então, governador, quem é o responsável? Parece que a juíza desconhece a Lei de Execução Penal - L-007.210-1984, Art. 66 - Compete ao juiz da execução:
VI - zelar pelo correto cumprimento da pena e da medida de segurança;
VII - inspecionar, mensalmente, os estabelecimentos penais, tomando providências para o adequado funcionamento e promovendo, quando for o caso, a apuração de responsabilidade;
VIII - interditar, no todo ou em parte, estabelecimento penal que estiver funcionando em condições inadequadas ou com infringência aos dispositivos desta Lei;

Depois das tragédias, leio na imprensa assim: "Por meio de sua assessoria de imprensa, o governador Aécio Neves (PSDB) disse que o caso será investigado". Porém, governador, o senhor tem de investigar "antes"da tragédia.

"Minas tem, proporcionalmente, o maior número de presos em cadeias públicas do país", disse o Presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da OAB/MG, Adilson Rocha (Folha de São Paulo, 3/1/08).
Sei que o senhor não se preocupa muito porque a sociedade não se importa. Os mortos são sempre pessoas pobres, negras, já mesmo excluídas e de somenos importância neste estado rico em que vivemos. Os presos não votam, o que é uma excrescência.

Mas lá fora, governador, nos países civilizados, eles não pensam assim e andam cobrando do Brasil esta mortandade. O senhor poderá começar a sair no noticiário internacional como um governador genocida porque, afinal, os mortos são sempre da raça pobre e da raça negra.

Bem, governador, confesso que, pela primeira vez, há um pouco de interesse pessoal meu nesta minha luta por melhoria das prisões, porque, atualmente, eu sou também uma condenada. Não, não se precipite, não agredi, nem matei ninguém, não roubei, não pratiquei estelionato, não uso nem vendo drogas, ao contrário, sou dessas pessoas meio chatas, toda certinha, que não toma nem uma cervejinha de vez em quando. Fico quieta na minha casa e só saio para fazer meus trabalhos voluntários porque penso assim "a vida foi tão generosa comigo, me deu tanto, pude estudar, ter um emprego, ter roupa, casa e comida, ter uma família, ter lazer e acesso a bens culturais, que agora tenho de contribuir para os que não tiveram a mesma sorte que eu neste país de severinos".

Então, governador, posso ser mais uma detenta nesta cadeia de Leopoldina já que a juíza me condenou a quatro meses de prisão. E morro de medo de fogo.

Prezada Glória

Manifesto minha total solidariedade a você diante deste lamentável episódio, em que mais uma vez fica evidente para quem legisla a Justiça brasileira.
Mayalu Moereira Felix
Professora de Lingüística Departamento de Letras
Universidade Estadual do Maranhão
http://mayafelix.blogspot.com/
________________________

Solidária contigo, joguei de volta minha estrelinha do mar na água.
Juliaura da Luz Bauer - Porto Alegre -RS
http://julidaluz.blogspot.com/

Leia belo texto publicado pela Juliaura sobre a sentença condenatória contra o jornal Recomeço. Clique AQUI

15 de fev. de 2008

Sentença publicada

A TODOS

A sentença da minha condenação encontra-se na íntrega no link:
http://www.jornalrecomeco.com/sentenca/

(Como são oito páginas, estão dispostas uma a uma, para melhor visualização. É só clicar nos números das páginas embaixo)

14 de fev. de 2008

Indignação e Solidariedade - Ir. Beth

Que inversão de valores!
É condenada aquela que deveria ser homenageada pela sua luta diária e intensa contra as crueldades do sistema burocratizado e desumano das nossas prisões.
Ela que, através do jornal Recomeço, há mais de seis anos, tem sido a voz rouca das celas superlotadas, da ausência total do estado e da comunidade , e da teimosia cidadã dos poucos que ousam dedicar uma vida inteira à causa, e de tempo integral, e não só de boca, mas de fato, contribuindo com várias ações que tentam melhorar o cumprimento da pena, de centenas (por que não milhares?), que passaram por todos esses anos de militância e dedicação.
Por diversas vezes, quando fui vereadora, fiz a indicação de prêmios merecidos para que sua luta fosse mais valorizada, mas você, Glória, sempre recusou, dizendo que fazia e faz por amor à causa, e não para alcançar medalhas e títulos.
Fiquei mais chocada ainda quando a malfadada sentença lhe imputa uma culpabilidade de que "poderia inclusive ter ocasionado a realização de outras rebeliões, podendo gerar, por que não, a morte de seres humanos".
Esta tem sido uma tônica na boca das autoridades todas as vezes que denunciamos em público a omissão destes. Recentemente fui proibida de entrar na cadeia por ter ido à rádio e dizer, entre outras coisas, que no Brasil a pena só é restritiva do direito de ir e vir, eles continuam com o direito à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho e, no entanto, estes direitos são descumpridos totalmente na maioria das cadeias e presídios.
Após a proibição da minha presença na cadeia, que dizem "incitava à violência", as tentativas de fugas continuam, as manifestações de desagravo com relação à comida servida continuam. Quer dizer que eu não sou o pivô e nem o Jornal Recomeço poderia ser condenado, e sim homenageado pelo brilhante serviço social.
Na edição de dezembro, na qual fizemos um concurso de Mensagens Natalinas com os detentos, ao entregar o jornal Recomeço em uma das celas da Cadeia de Cataguases, um dos detentos pegou na minha mão e disse: "D. Beth é a primeira vez que o meu nome sai em alguma coisa sem ser em página policial". E choramos juntos, ele pediu para orar por ele para Deus ajudá-lo a mudar o rumo de sua história.
Por esta e outras histórias e testemunhos verdadeiros é que vale a pena continuar. Glória, não desanime, você é uma guerreira.
Esta condenação, não tome só para você, ela é de todos nós, estamos sentindo a mesma dor da injustiça. O Profeta Amos (5.24) já clamava "Até que corra Justiça como um riacho perene", isso há 4.000 anos antes de Cristo. Sua luta não é vã.
(Beth, professora do projeto EJA na cadeia de Cataguases)

Indignação e solidariedade - GTNM

"Arco da Maldade", projeto de monumento feito por Oscar Niemeyer para o Grupo Tortura Nunca Mais/RJ.
"Meu desenho segue a lembrança desses negros tempos, com a pessoa humana impotente diante do ódio organizado. Para os mais sensíveis, para os que vêem o mundo apaixonadamente e amam o seu próximo e se revoltam contra a opressão e o arbítrio, o monumento exprime a revolta que o justifica." Oscar Niemeyer
NOTA DE APOIO A GLÓRIA REIS

O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ vem solidarizar-se com o jornal “Recomeço” e com sua editora Glória Reis.
Ficamos estarrecidos e impactados com a notícia de que, por expressar suas idéias defendendo os direitos dos presos da cidade de Leopoldina, esta defensora dos direitos humanos foi processada e condenada.
Estamos não só solidarizando com sua luta, mas apoiando-a integralmente. Para isso, estamos lançando um Alerta Urgente que será enviado a várias entidades nacionais e internacionais de direitos humanos narrando sua luta e sua condenação e solicitando que mensagens sejam enviadas para algumas autoridades judiciais.
Conte Conosco!
Cecília Coimbra
Presidente do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ - GTNM

Pela Vida, Pela Paz
Tortura Nunca Mais!

13 de fev. de 2008

Indignação e solidariedade (3)

Mais uma uma vez, agradeço a todos que têm enviado mensagens de repúdio à minha condenação, o que me deixa duplamente feliz por saber que nosso povo não perdeu a capacidade de se indignar e protestar contra a injustiça e abuso de poder em nosso país, principalmente quando isso parte da própria instituição encarregada de fazer justiça: o Judiciário.
Hoje recebemos esta manifestação do professor de História de Porto Alegre-RS, Ruy Guimarães.
...a atitude do judiciário mineiro para contigo nada mais é do que mais uma demonstração desta luta entre o poder burguês e o temor do levante do poder popular.
Cara Glória,
Escrevo desde Porto Alegre para empenhar minha solidariedade à tua luta em defesa dos DDHH. Recebi via e-mail a notícia da tua condenação por denunciar a condição desumana em que são mantidos os presos de Leopoldina. Não surpreende que o judiciário mineiro tenha agido de tal forma.
Primeiro, porque Minas (me desculpe o povo lutador de MG, mas este sabe bem do que falo) é o estado mais conservador do Brasil. Não esqueçamos a sustentação que a classe média mineira deu ao golpe de 64 e à ditadura militar. Claro, não podemos esquecer os tantos mineiros e mineiras que deram suas vidas na luta contra a ditadura. Todavia, o conservadorismo é a característica marcante desse estado.
Segundo, porque vivemos num quartel histórico de extremo conservadorismo no mundo inteiro, situação que se agrava após o 11 de setembro novaiorquino. Esta luta do "bem contra o mal", que na verdade é a luta dos opressores contra os oprimidos, dos ricos contra os pobres, do andar de cima contra o subsolo, é a expressão mais cabal, disfarçada de combate à violência e à criminalidade, da luta de classes. Obviamente, não vou dissertar aqui sobre isto, mas é preciso demarcar que a atitude do judiciário mineiro para contigo nada mais é do que mais uma demonstração desta luta entre o poder burguês e o temor do levante do poder popular.
Certamente, estão nas masmorras de Leopoldina, assim como nas masmorras do país e do mundo inteiro, além de alguns psicopatas realmente bandidos, milhares de homens e mulheres que ousaram "agredir" a sacrossanta propriedade privada na busca desesperada da sobrevivência, da comida para si e para os seus.
Muitos que, na ausência de uma alternativa digna de sobrevivência, se submeteram à exploração dos produtores e mercadores da mais lucrativa mercadoria que a sociedade capitalista já produziu (vide a Guerra do Ópio, na China): a droga! Não é por acaso, Glória, que filmes como Tropa de Elite fazem tanto sucesso nos dias de hoje.
Não há dúvida de que vivemos hoje na encruzilhada descrita por Rosa Luxemburgo como socialismo ou barbárie. E, se baixarmos a cabeça, se não houver pessoas como tu que ousam denunciar os podres poderes, a barbárie que campeia dominará finalmente.
Não há dúvida de que a barbárie que campeia e a reação burguesa, com suas leis e seus cárceres, são a clara manifestação da crise porque passa o capitalismo e a sua sociedade e o medo-pânico da derrubada das "Bastilhas" que eles mantêm no mundo inteiro. Desde a que mantém enjaulado, no corredor da morte há décadas o Pantera Negra Mumia Abu Jamal, passando por Guantánamo, Abu-Grahib, até o Presídio Central de Porto Alegre ou o Presídio de Leopoldina.
Para encerrar, companheira, deixo duas frases do velho, bom e sempre atual Karl Marx: "O poder político do Estado moderno nada mais é do que um comitê (Ausschuss) para administrar os negócios comuns de toda a classe burguesa" (Manifesto Comunista).
"Enquanto a aristocracia fazia as leis, regia a administração do Estado, dispunha de todos os poderes públicos organizados e dominava a opinião pública, por meio dos fatos e por meio da imprensa, repetia-se em todas as esferas, desde a corte até o Café Borgne a mesma prostituição, a mesma fraude descarada, o mesmo afã de enriquecimento, não mediante a produção, mas por meio da escamoteação da riqueza alheia, já criada". (As Lutas de Classes na França (1848-1850) ).
Avante, companheira! Não esmoreça na tua luta! Estamos contigo! E, como escreveu o poeta: "glória a todas as lutas inglórias que através da nossa história, não esquecemos jamais..."!
Saludos rojos!
Ruy Guimarães
Porto Alegre - RS

12 de fev. de 2008

Indignação e solidariedade (2)

"Oh, justiça, oh, justiça, por que estais tão distante? Quando os corações de nossos mandatários estarão impregnados de vós?"
(autor desconhecido da Antiga Grécia)

Chega a ser inacreditável. Parece que estamos retornando à era Hitler e Stalin. Deus nos livre disso! Falar, pensar e escrever dá CONDENAÇÃO.

Quando tomei conhecimento da existência desse processo contra o jornal Recomeço, tive dificuldade para encontrar qualquer lógica na acusação. E agora? Como encontrar lógica numa sentença tão severa, se até mesmo uma simples condenação já seria inaceitável? Nem uma simples admoestação, definitivamente, inaceitável. Tudo muito próprio de um regime arbitrário, de um Judiciário que não oferece bons serviços ao cidadão, e ainda se atribui o direito de estar acima do julgamento público. Quanto a essa minha última afirmação, não sou eu que estou dizendo, um membro do Judiciário já o disse antes de mim: Dr. João Batista Herkenhoff. Será se isso também gera processo?

Parece incrível, mas aí está a parte do editorial que deu origem à acusação: “Não é aceitável a conivência de magistrados, fiscais da lei, advogados, enfim, operadores do direito com tamanha barbárie. O regime atual é um desrespeito à Constituição, à lei, aos cidadãos deste país, enfim, à nossa inteligência.” O que há de crime? Nem o nome de alguém foi citado.

Imagino o tempo dispensado em todo o curso desse processo. Concluo que há tempo sobrando no Judiciário e não deve haver situações mais graves e sérias a serem examinadas. Que despacho, meu Deus! Um primor, digno de uma monografia da USP, das mais exigentes.

E que "perigo" representa a CONDENADA para a sociedade! Fico pensando no seu delito – ou no seu crime. É de indignar qualquer cidadão que paga esses pesados impostos em nosso País, impostos que são utilizados para garantir um tempo desperdiçado com um processo como esse. Em que país vivem esses julgadores? Deve ser num país onde não há crimes para julgar.

E mais grave ainda, houve até pré-julgamento: “É melhor aceitar a transação penal porque não haverá absolvição.” Então um juiz, no caso uma juíza, pode condenar antes de ler o processo?

A sentença é rigorosa, recomenda até que se faça a “qualificação completa da SENTENCIADA”; que se “preencha o boletim individual da acusada, remetendo-se ao instituto de Identificação e criminalística do estado de Minas Gerais”; que “oficie-se ao TRE/Cartório Eleitoral”. Bem própria de um condenado de alta periculosidade, que coloca em risco toda a sociedade e com o qual deve-se tomar todo o cuidado. Será um Fernandinho Beira-Mar ou um Elias Maluco?

Bem, Glória, defender presos e pobres é correr risco. E você sabe disso, vai estar sempre na corda bamba. A justiça já era pregada desde a Grécia Antiga, mas não a justiça aplicada a Sócrates; o Império Romano a acalentava com zelo, mas não a dedicada a Cícero; e Cristo já dizia “felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.”

Quanto a essas palavras de Cristo, penso que, quando um cidadão deseja, luta e exige que uma Lei seja cumprida, como é o caso da LEP, (Nº 7210- Lei de Execução Penal), que visa a humanização das prisões, ele está simplesmente manifestando a sua “fome e sede de justiça”. Parece que esse foi o seu pecado, esse o seu crime, essa a sua infração legal.

Li na última edição do GLN, jornal de Leopoldina, a entrevista dada por integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmera de Vereadores de Leopoldina. O assunto foi a cadeia da cidade. Pelo que li, a situação está de calamidade pública. Os entrevistados estavam simplesmente alarmados com o que viram. Então faço aqui uma simples ilação: se hoje a situação está tão calamitosa, como estaria no tempo em que o editorial foi escrito?
Sou de Belo Horizonte e já passei a notícia para os amigos daqui. De minha parte continuarei divulgando este processo absurdo, para que uma sentença “tão primorosa”, “tão (in) justa”, (não) sirva de JURISPRUDÊNCIA neste País.

Marcos – Aposentado de BH
(Não dou meu nome completo porque tenho medo do judiciário mineiro, é isso que essa instituição faz com os cidadãos: medo e silêncio diante dos poderosos. Querem acabar com a nossa cidadania)

11 de fev. de 2008

Indignação e solidariedade

Minha solidariedade ao jornal "Recomeço".
Não há Democracia sem liberdade de imprensa!
Numa sociedade democrática, nem a Justiça, nem qualquer instituição está acima do julgamento público.
Cordialmente,

João Baptista Herkenhoff
----------------------
Glória Reis,
Indignado com a violência da Injustiça que você está sofrendo no momento, com a injusta condenação, manifesto, em meu nome e da Equipe Afropress, nossa integral solidariedade a você e ao trabalho fundamental que você faz em defesa dos que não tem vez nem voz neste país.
A sua condenação - que estamos certos, será revertida em outras instâncias - representa uma grave ameaça ao direito constitucional à liberdade de expressão e, portanto, atenta contra os direitos humanos, uma vez que o Direito à expressão e comunicação também é um Direito Humano fundamental.
Continue firme porque, temos certeza, de que outras vozes como a nossa se levantarão em sua defesa.
Com o abraço e a solidariedade,
Dojival Vieira
Jornalista Responsável pela Afropress - Agência Afroétnica de Notícias
Movimento Brasil Afirmativo - www.afropress.com
Presidente da ONG ABC SEM RACISMO

8 de fev. de 2008

Comunicação

A sentença do processo contra a editora do jornal Recomeço: CONDENADA!

- Cumprimento de pena privativa de liberdade aplicada seja feito, inicialmente, no regime aberto. (Como é primária) substituo a pena privativa de liberdade por uma restririva de direitos (Código Penal, art. 44, 2º) consistente em prestação pecuniária no valor de dois salários-mínimos. - Lance-se o nome da ré no rol dos culpados. - Preencha-se o boletim individual da acusada, remetendo-se ao instituto de Identificação e criminalística do estado de Minas Gerais. - Após o trânsito em julgado da presente, oficie-se ao TRE/Cartório Eleitoral, com vistas ao cumprimento do artigo 15, Inciso lll, da Constituição Federal, fazendo-se constar do mesmo ofício que o tipo penal se subsume nas hipótese da inelegibilidade de que trata a alínea "e", do inciso l, do artigo 1º, da Lei Complementar nº 64/1.990. Anote-se ainda, no ofício, a qualificação completa da SENTENCIADA e se encaminhe, com o mesmo, uma cópia da presente sentença.

No final de 2006, informei aos meus leitores que estava sendo processada pelo juiz da Execução Penal de Leopoldina, acusada de difamação por ter escrito um editorial no qual eu expunha as condições desumanas da cadeia de Leopoldina (onde nada mudou). Vários amigos se manifestaram e alguns sites e blogs publicaram a notícia. A professora Maria Helena Zamora escreveu o artigo "Glória e o Recomeço" no site La Insignia, no qual manifestou sua indignação sobre o fato. Encontrei apoio também da advogada Vera Vassouras ( Aqui) e outras pessoas sensibilizadas, que divulgaram a notícia na internet.
Acredito que as pessoas, assim como eu mesma, no início, não acreditavam que isso fosse adiante. Afinal o que mais se fala neste país é sobre os milhões de processos do Judiciário, de juízes ocupadíssimos, da necessidade de se concentrar na questão urgente da violência urbana que assola o cotidiano do povo brasileiro.
Era inacreditável que um juiz de direito fosse se ocupar com um jornalzinho alternativo, de 200 exemplares, distribuidos numa cidadezinha no interior de Minas Gerais e, principalmente, que só visa contribuir para humanizar o sistema penal e atenuar o caos carcerário em nosso país. Coisa de sonhadores! Ledo engano o nosso, eu e meus ingênuos leitores!
Eles, em bloco, o juiz acusador, o promotor de justiça e a juíza que julgou, vieram com toda sanha e determinação. Não importava a minha inocência, queriam a minha cabeça, daquela mulher "incômoda e perigosa" que publicava no jornal a radiografia da masmorra prisional, pela qual eles são as autoridades responsáveis.
Como na ditadura, houve interrogatório policial, várias audiências, até culminar na minha CONDENAÇÃO, neste janeiro de 2008. A sentença compõe-se de oito páginas primorosamente escritas e recheadas de citações, leis, artigos, verbetes do Houaiss, expressões latinas, e, especialmente, pinceladas de bilis, de quem julga com o fígado.
Deduz-se que a juíza dedicou grande parte de seus dias do fim de 2007 e início de 2008 para se debruçar sobre a estética da sentença. Queria um verniz literário para camuflar o pré-julgamento e criminalizar a inocência. Sobre o veredito, a juíza não necessitou de tempo, muito menos algum princípio de justiça, pois disse textualmente na última audiência:
"É melhor a senhora aceitar a transação penal porque não há a mínima possibilidade de absolvição, embora eu nem tenha lido o processo".
Assim, já saí da audiência com a sentença condenatória. A juíza decidiu sem ler o processo. Depois, na sentença pre-decidida "sem ler o processo", era só enfeitar o ABUSO DE PODER.
____________________
Agradeço a todos os leitores e amigos que se solidarizam comigo, acompanharam o processo e aguardavam a sentença. Saio eu e, acredito, todos nós, mais desesperançados com a justiça deste país.
_____________________

Segue o editorial que deu origem à ação (No final, em vermelho, o "trecho criminoso"):

EDITORIAL - EDIÇÃO 117
(Se quiser ver o editorial no jornal, está na página http://www.jornalrecomeco.com/ . Clicar no "Edições anteriores" e abrir a edição 117 de agosto de 2005)

Que regime é este em Leopoldina?

Com a LEI No 10.792/1º.12.2003, foi criada a RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) para aplicação de penalidade disciplinar ao preso pelo cometimento de falta grave, ou seja, "aos líderes e integrantes de facções criminosas e aos presos cujo comportamento exija tratamento específico" (art. 1º).
Então, assim ficou a redação na LEP, a Lei de Execuções Penais:
Art. 58. O isolamento, a suspensão e a restrição de direitos não poderão exceder a trinta dias, ressalvada a hipótese do regime disciplinar diferenciado." (Redação da LEI No 10.792/1º.12.2003) .
Acontece que, mesmo a RDD garante ao preso “banho de sol por, 'no mínimo', uma hora por dia e visita semanal de duas horas... (arts. 4º e 5º, II, IV e V da resolução).
REGIME COMPLETA UM ANO
Como interpretar o fato de que os presos de Leopoldina, que não se enquadram ao perfil de condenados descrito na Lei, estejam num regime mais diferenciado que o RDD, pois o banho de sol é uma vez por semana e a visita é de 15 minutos através das grades? Esta realidade é a confirmação de que ainda vigora o entendimento de que o preso está sujeito a uma relação especial de poder, embora derive da Constituição a obrigatoriedade da proteção dos seus direitos fundamentais tanto pela autoridade judicial, quanto pela autoridade administrativa.
DIREITOS E DEVERES RECÍPROCOS
Também vigora o entendimento de que há entre preso e administração penitenciária uma relação de sujeição e não uma relação de direitos e deveres recíprocos entre autoridades e prisioneiros .
Não é aceitável a conivência de magistrados, fiscais da lei, advogados, enfim, operadores do direito com tamanha barbárie. O regime atual é um desrespeito à Constituição, à lei, aos cidadãos deste país, enfim, à nossa inteligência.

7 de fev. de 2008

Violência policial e racismo no carnaval da Bahia




O vídeo é de 2007. Como terá sido o carnaval deste ano? O autor do vídeo deixou esta mensagem:

"Carnaval de Salvador 2007, cansei de ver tanta injustiça e de certa forma ser também culpado por ela. Vídeo dedicado a Ali Kamel, Peter Fly e outros brancos de merda como já fui. Em apenas um único dia de carnaval veja quantas cenas de violência policial. Aos cegos que não enxergam o RACISMO explícito, então confira. A nós, BRANCOS, que durante muito tempo achamos tudo "NORMAL", tá na hora de abrirmos os olhos. Quer ajudar? Comece divulgando, mas podemos e precisamos fazer muito mais. É preciso vergonha na cara e coragem! Acorda!"

6 de fev. de 2008

Racismo e prisão

"Todo camburão tem um
pouco de navio negreiro.”

“Dados recentes da Unesco revelam que a vitimização da população negra, da juventude negra, dos homens negros, é 74% superior à da juventude branca. As chances de um jovem negro morrer na Paraíba, em Pernambuco e no Distrito Federal é cinco vezes maior do que a de um jovem branco.”

"Dialogar, portanto, a categoria racismo e sistema penal é um pressuposto de inteligibilidade do sistema. Não há como compreender o sistema penal fora dessa categoria. Foi essa categoria que deu formatação à forma de atuação do sistema penal, que é tão agressivo em cima dos corpos, porque nesses corpos não se reconhece, fundamentalmente, humanidade.”

Professora de direito Ana Luiza Flauzzina (foto), que participou da audiência da CPI do Sistema Carcerário, na Câmara, em outubro de 2007.

Matéria "Racismo ajudou a criar um sistema penal agressivo, diz pesquisadora", no site Agência Brasil

5 de fev. de 2008

Polícia nazista

Tanto o vídeo quanto a pesquisa abaixo são de 1997. Portanto, lá se vão dez anos. A filmagem, na época, chocou o país. Não por ser novidade ou o fato desconhecido, mas por ter sido filmada a atrocidade da polícia. E a pergunta que se faz é: o que mudou? O que os governos fizeram para realmente tornar a polícia uma instituição representativa do estado de Direito que, supostamente, estamos vivendo? Nada. A não ser estimular mais a truculência de uma polícia com poder de vida ou morte sobre os brasileiros. Nessa blitz filmada, um policial atira e mata o jovem Mário José Josino que já estava dentro do carro liberado. Matou à toa, por prazer. Por costume! Até quando?

Pesquisa sobre Violência Policial
Rodrigo Vergara
Jornal "Folha de São Paulo", domingo, 6 de abril de 1997

Negros são mais abordados e agredidos
Os negros são abordados com mais freqüência, recebem mais insultos e mais agressões físicas que os brancos em São Paulo. A desvantagem, revelada pela pesquisa Datafolha, não pára por aí: percentualmente, também há mais revistados negros que qualquer outro grupo étnico.Entre os da raça negra, quase metade (48%) já foi revistada alguma ver. Desses, 21% já foram ofendidos verbalmente e 14%, agredidos fisicamente por policiais.Os pardos superam os negros em ofensas: 27% deles foram ofendidos verbalmente e 12% agredidos fisicamente. Ao todo, 46% já foram revistados alguma vez.

A população branca é menos visada pela polícia. Entre estes, 34% já passaram por uma revista, 17% ouviram ofensas e 6% já foram agredidos, menos da metade da incidência entre negros.A escolaridade e condição financeira têm pouca influência sobre a freqüência e incidência das revistas policiais e da violência praticada pela polícia.Tanto é assim que 36% dos que têm renda familiar até dez salários mínimos (R$ 1.120) já foram revistados, contra 37% daqueles cuja renda supera 20 salários mínimos (R$ 2.240).Entre os entrevistados com nível superior, 38% já foram parados e revistados pela polícia, contra 35% entre os que só têm até o primeiro grau, às vezes incompleto.

A pesquisa identificou também um índice alarmante de violência nas abordagens policiais. Entre os que já foram revistados, 38% foram ofendidos verbalmente e 19%, agredidos fisicamente.Há ainda os que nunca foram revistados pela polícia, mas mesmo assim já foram ofendidos por ela. Ao todo, eles somam 8%.Talvez por conta dessa experiência ações da polícia são consideradas mais violentas do que deveriam por 73% dos entrevistados, índice maior do que o verificado na pesquisa feita em 95, quando 44% tinham essa opinião.Naquela ocasião, a violência utilizada pela polícia, era considerada apropriada por 35%, número que despencou para 14% depois do que os paulistanos puderam ver pela televisão.Ainda assim, 7% dos entrevistados sugerem mais violência aos policiais. Curiosamente, entre os negros há maior incidência dessa opinião: 11% acham que a polícia é menos violenta que o necessário, contra 7% entre os brancos.A imagem da polícia também é mais branda entre os que não viram as imagens da violência praticada pelos PMs pela TV. Nesse universo, 53% acham a polícia mais violenta do que deveria e 14%, menos violenta. (RV)

"Cara de prontuário" é alvo constante

Preto ou mulato, jovem, pobre. Este é o alvo preferido do aparelho repressivo estatal. É o sujeito com "cara de prontuário", como o define o criminalista argentino Eugenio Raúl Zaffaroni.É aquele que - só por pertencer a determinada classe ou minoria, ou por enquadrar-se num estereotipo - torna-se vulnerável à ação do sistema repressivo penal. Ou seja, não precisa praticar nenhum delito para ser suspeito. Basta existir e estar na rua. Zaffaroni desenvolveu a "teoria da vulnerabilidade" ao aparelho repressivo, que ele expõe no livro "En Busca de Las Penas Perdidas". Diz ele que a pessoa em estado de vulnerabilidade é aquela que o sistema penal seleciona e usa para justificar o seu exercício de poder.E o estado de vulnerabilidade decorre ou da simples condição social ou biotipo, ou do comportamento pessoal em tornar-se vulnerável pela prática de crime.Para Zaffaroni, pessoas poderosas, bem vestidas, têm alto grau de invulnerabilidade ao aparelho repressivo penal. Precisariam esforçar-se muito (praticar muitos crimes) para entrarem no sistema. Isso significa que o sistema penal é seletivo e discriminatório, porque seleciona em especial os pobres e/ou pretos ou mulatos.

A "teoria da vulnerabilidade" pode também ser aplicada aos crimes da PM em Diadema. Na favela Naval, as pessoas encaixam-se no perfil definido pelo especialista. São pobres. Não sabem ao certo o que é cidadania. Vivem num lugar marginalizado, onde o Estado é praticamente ausente. O papel do Estado é preenchido por bandidos. A polícia não coíbe a ação criminosa e aterroriza os moradores. Eles não protestam por temerem uma reação ainda mais violenta.O episódio de Diadema provavelmente não aconteceria num bairro mais rico.

Zaffaroni não escreveu sobre o Brasil. As distorções expostas verificam-se no mundo inteiro. A diferença é que, nos países desenvolvidos, os direitos humanos são violados com menos freqüência e as pessoas menos vulneráveis (aquelas que têm status social, econômico ou cultural) caem com mais frequência nas malhas do aparelho repressivo do que no Brasil.Isso não é à toa. Nesses países, os cidadãos têm mais instrução e tornam-se menos vulneráveis aos abusos dos agentes do Estado.Esse é o caminho apontado por Zaffaroni: educar para aumentar o índice de invulnerabilidade ao aparelho repressivo estatal.

23% temem mais a polícia que os bandidos. Praticamente um em cada quatro Paulistanos (23%) tem hoje mais medo da polícia do que dos bandidos. Outros 33% acreditam que a polícia e os bandidos são igualmente perigosos. Essa troca de papéis, revelada em pesquisa Datafolha realizada na quarta-feira, é ainda mais evidenciada entre a população negra.Em cada três negros, um (35%) teme mais a polícia que os bandidos e outro teme os dois na mesma proporção, aponta o levantamento, feito em São Paulo. Para os entrevistados de cor branca, somente 19% (um em cada cinco) temem mais a polícia. Quase a metade, 47%, tem mais medo dos bandidos.

Entrevista completa AQUI

4 de fev. de 2008

Revolta da periferia

"Os policiais estão brincando de tiro ao alvo com nossos filhos. Estão fazendo de nossas crianças passarinhos."

A Bahia é agitada por protestos contra a execução de mais quatro jovens negros

Negra, pobre, deficiente física, um metro e meio de altura. A desvantagem com que Djane Santana de Jesus entrou na briga é evidente, mas ela não está sozinha.
Depois de sofrer com a violência da polícia durante décadas, os moradores das favelas de Salvador resolveram partir para o confronto, em um mês triste de véspera de Carnaval. Revoltados com a morte de quatro jovens no espaço de apenas 12 dias, fizeram piquetes, fecharam ruas e chegaram a atear fogo em um ônibus em vários protestos, exigindo Justiça contra os policiais acusados de terem cometido os crimes. Em comum, os jovens têm o fato de serem oriundos de comunidades carentes, não terem passagem pela polícia e serem negros.Há um ano no cargo, o governador Jaques Wagner (PT) ainda não conseguiu dar feição nova à truculenta polícia baiana, que continua a manter as práticas violentas que fizeram sua fama na era carlista.
Em 2006, 76 pessoas foram mortas em ações policiais em Salvador, e o número pode ser superior neste ano. Só nos primeiros 20 dias de janeiro foram 12 os mortos pela polícia na capital. Os policiais alegam que as vítimas “resistiram à prisão”. As mortes dos quatro jovens foram justificadas como resultado de troca de tiros com a polícia, embora nenhum deles, de acordo com os familiares, tivesse qualquer ligação com o crime ou possuísse armas de fogo. O governador diz estar consciente de que a atuação truculenta de parte da polícia baiana não acabou junto com o domínio do finado Antonio Carlos Magalhães sobre a política do Estado. “Estou consciente do que recebi, não adianta chorar, tem de consertar. Considero inadmissível que policiais ajam à revelia da lei. Nosso objetivo é aprofundar o conceito de cumprir a lei dentro da lei, de segurança com cidadania”, disse Wagner à CartaCapital, rejeitando o modelo “primeiro atira, depois pergunta”. Ele prometeu que as denúncias de violência policial serão apuradas e os responsáveis, punidos. Enquanto isso não acontece, os moradores da periferia vivem um clima de terror.
“Os policiais estão brincando de tiro ao alvo com nossos filhos. Estão fazendo de nossas crianças passarinhos”, acusa Djane, de 34 anos, escondida na casa de parentes no interior, com medo de ser assassinada pelos mesmos policiais que mataram seu filho mais velho, Djair, de 16 anos. Na noite de 14 de janeiro, o menino voltava da quadra aos pés da favela do Pela-Porco, onde costumava jogar futebol com outros garotos, sempre às segundas-feiras, entre as 10 da noite e a meia-noite. Acompanhado de um amigo, subia pelas estreitas escadarias do lugar, quando foram abordados por três policiais.
Fonte: CartaCapital
PROTESTO
Meu Deus, o que está acontecendo com nosso país? Saímos de uma ditadura militar para uma ditadura mais sanguinária e onipotente: a ditadura policial. Mata-se mais que nos países em guerra. E não é só na Bahia, é em todos os estados, difícil saber o que mata mais. Os governantes ou são tão cruéis quanto a polícia ou são uns frouxos, nada fazem para impedir a mortandade. Parece que até eles temem a polícia.
Ninguém expressou tão bem o fenômeno como a mãe do adolescente morto Djair: estão brincando de tiro ao alvo com nossos filhos. Como naquele filme "A Lista de Schindler" em que um nazista, para se divertir, atira nos prisioneiros da varanda da sua casa.
Não entendo o silêncio "dos bons", como dizia Martin Luther King. Como não se levantam vozes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, as "musas baianas" como Ivete Zangalo e Daniela Mercury , que são formadores de opinião, teriam poder de transformação sobre esta realidade. Será que não sabem do que se passa em seu país, no sofrimento e extermínio do seu povo?
E nós, simples mortais, nós, mães e avós, que não admitimos a dor de ver nossos filhos assassinados pela polícia, pelo próprio estado? Não pensamos na dor dessas mães de filhos desprotegidos, por serem negros e pobres?
Vamos romper com o silêncio que mata. Só a palavra gritada para todos ouvirem poderá deter a barbárie que a cada dia mais cresce neste país.
Estou cansada, descrente e pasma. Esses dias, assisti a dois documentários sobre a ascensão no nazismo na Alemanha. Assisti a cenas do povo ensandescido, ovacionando um assassino. Um povo, entre os quais havia pessoas boas, que não queriam seus filhos e compatriotas mortos. E enquanto assistia às cenas, pensava no Brasil atual, onde ser morto pela SA brasileira, ficou tão normal e cotidiano quanto na Alemanha nazista. E, fora os atigidos, todos se calam, e alguns ainda ovacionam.

30 de jan. de 2008

Não apedrejem Leidiane

Leiam artigo sobre a jovem que acabou indiciada por ato obsceno ao ficar nua em baile funk, esperando ganhar R$ 600 para pagar dívida (notícia CLIQUE AQUI)
Não apedrejem a moça nua

João Baptista Herkenhoff

A hipocrisia da sociedade é, às vezes, revoltante.
Não vejo nenhuma reação social à exibição de atrizes nuas, rodopiando sensualmente em canais abertos de televisão, em horários franqueados a todas as idades.
Interesses comerciais altíssimos estão em jogo nesses casos. O lucro é franquia para qualquer comportamento, mesmo aqueles que agridem nossos filhos, nossas filhas, nossos netos, nossas netas.
Os artigos da Constituição Federal que determinam tenha a televisão finalidade educativa, com a criação de um Conselho Nacional de Comunicação Social, formado por representantes da sociedade civil, ainda dependem de regulamentação, não obstante a Constituição já vá completar vinte anos de existência. A regulamentação desses artigos reduz o lucro e ai de quem queira mexer com o “deus lucro”.
Não se vê qualquer relação (ou se vê, mas se finge não ver) entre a cena da atriz nua que rodopia com luxúria diante de milhões de pessoas e a cena da pobre Leidiane, que também rodopia, igualmente nua, diante de um público de, quando muito, duas centenas de pessoas.
O fato, que aconteceu em Vitória, teve repercussão nacional.
Leidiane rodopiou para ganhar setecentos reais. Viúva, com três filhos, tendo ainda sob responsabilidade a Mãe, foi tentada pela promessa de recompensa.
Quem são os responsáveis por esses bailes que propiciam clima para essas coisas? Quais os interesses econômicos que estão atrás de tudo?
A sociedade está preocupada em exaltar valores positivos, em formar a juventude, em assegurar escola pública de ótima qualidade para todos? A sociedade está engajada no esforço de formar cidadãos e cidadãs que encontrem seu lugar no mundo? A sociedade está abrindo canais de esperança e de futuro para os milhões de pessoas que suplicam por uma oportunidade de trabalho honesto? Ou a sociedade só sabe levantar o braço pedindo que Madalena seja apedrejada?
Não apedrejem Leidiane.
Eu me solidarizo com essa moça e com sua família. Eu me solidarizo com a Mãe de Leidiane, que teve uma crise nervosa na Delegacia, vendo a filha ser fotografada e filmada.
Não pode um gesto impensado destruir a vida de uma jovem, comprometendo inclusive o sossego de seus filhos, ainda pequenos.
Tenha complacência com Leidiane dos Santos Muniz, minha prezada delegada Tânia Zanoli. E se o inquérito chegar à Justiça, tenha complacência com Leidiane, juiz ou juíza a quem couber o caso,
Temos de defender valores morais, sim. Temos de velar para que o sexo, um dom de Deus, não seja banalizado. Mas temos de ter misericórdia também.
A lei não existe para ser interpretada friamente. Em alguns momentos é preciso que o intérprete pouse sobre a lei um olhar de ternura.
Como seria bonito decidir assim: “saia livre, Leidiane, e não faça mais isso”.

João Baptista Herkenhoff é Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo – professor do Mestrado em Direito, e escritor. E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br

28 de jan. de 2008

Mulheres presas

Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa

Dobra número de detentas no país

Nos últimos cinco anos, o número de mulheres privadas de liberdade duplicou: subiu de 3% do total de presos em 2002 para 6% em 2007. Do total de presos em delegacias e penitenciárias no país, estimado em 420 mil detentos, há atualmente 25,8 mil mulheres, sendo 6,5 mil presas em delegacias e 19,3 mil em penitenciárias. Os dados são do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (InfoPen), do Ministério da Justiça, relativos a junho de 2007 – os mais atualizados disponíveis.
Assim como os presos do sexo masculino, as mulheres privadas de liberdade também sofrem com a superlotação nas delegacias e presídios. O déficit é de cerca de 12 mil vagas. De um total de 467 penitenciárias ou similares informados pelos estados ao Ministério da Justiça, apenas 40 são destinados a mulheres (8 5%), sendo que apenas 15 (3,2%) podem ser consideradas penitenciárias de grande porte, de acordo com o diretor-geral do Depen, Maurício Kuehne. “São pelo menos 15 unidades femininas no Brasil, o que é pouco frente à massa carcerária de mulheres, hoje em torno de 25 mil presos, mas são 15 unidades onde todos os direitos estão contemplados”, garante o diretor.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, reconhece a precariedade do sistema prisional brasileiro, entre eles o feminino. “O sistema prisional brasileiro, tanto para a pena dos adultos, como para jovens e mulheres, é precário; e a ampla maioria dos estabelecimentos, profundamente desumanos. Porque constituem locais de segregação, de aprisionamento, de detenção e de isolamento, e não cumprem a sua finalidade recuperativa”, avalia.
A maioria das mulheres presas tem entre 18 e 24 anos (17,6%), seguidas pelas que têm entre 25 e 29 anos (16,1%), 35 a 45 anos (13,4%) e 30 a 34 anos (12,5%). A maioria também é da cor branca (27,9%), seguida pelas de cor parda (25,8%) e pelas negras (10 1%). Em relação ao grau de instrução, os dados informam que, do total de presas, 3,2% são analfabetas, 8,8% são alfabetizadas e 30% têm apenas o ensino fundamental incompleto e representam a maioria. Entre os crimes cometidos por mulheres, em primeiro lugar está o tráfico internacional de entorpecentes (30,2% do total), seguido por roubo qualificado (4,8%), roubo simples (4,6%) e furto simples (3,9%).
"São pelo menos 15 unidades femininas no Brasil, o que é pouco frente à massa carcerária de mulheres, hoje em torno de 25 mil presas"Maurício Kuehne,diretor-geral do Depen

(Fonte: jornal Estado de Minas, seção nacional, 28/1/08)

Comentário

Os juízes deveriam ser mais conscientes do que significa prender mulheres. Significa filhos sem mães, famílias desestruturadas, um verdadeiro detonador de mais caos social e, por conseguinte, de violência na sociedade. No entanto, as prisões de mulheres vêm aumentando cada vez mais, sem que se avaliem as consequências dramáticas para as famílias. É mais uma crueldade com as crianças que ficam sem suas mães, criadas no abandono e sob o estigma de "filhos de presidiárias". Essas mulheres deveriam ser amparadas pelo poder público e não jogadas dentro de cadeias e presídios.

Vaidade do Poder Judiciário

Palácio da Justiça do estado de Santa Catarina, Florianópolis
Um leitor escreveu hoje no jornal Estado de Minas, seção cartas:
Justiça - Excesso de vaidade prejudica trabalho
Roberto Guimarães - Belo Horizonte
“O problema da Justiça brasileira é o excesso de vaidade dos juízes que querem substituir a realeza de outrora. Isso fica notório pelo fato de que, em vez de investirem em informatização e delegação de funções, além de remunerar os juízes leigos e conciliadores, querem construir palácios para enaltecer e massagear o ego dos magistrados.
O Poder Judiciário, no Brasil, é tão democrático quanto o regime militar, apenas trocamos a farda pela toga, afinal o Judiciário não tem legitimidade popular, embora o artigo 1º, parágrafo único, da Constituição Federal exija voto para ser poder estatal. Em vez de palácios, deveríamos ter prédios simples e espalhados pelas grandes e pequenas cidades, para que o povo não se sentisse excluído.”

Política de extermínio

“SE FOSSE FILHO DE BARÃO, ERA DIFERENTE”
Felipe da Silva Freitas*

De fato, o racismo institucionalizou-se como fenômeno em todo o Estado Brasileiro. A violência policial institucionalizou-se.
No último dia 15 um adolescente de 16 anos, Djair de Jesus, foi executado a tiros pela Polícia Militar da Bahia na comunidade de Pelaporco em Salvador. Segundo moradores, em declarações ao Jornal A TARDE, o garoto fora baleado pelas costas, arrastado e executado com outro tiro na cabeça, a PM nega e diz que jovem reagiu. Sem nenhum elemento que nos inspire credibilidade, o chefe da operação declarou ao Jornal que o jovem “atirou e correu”, por isso teria sido atingido pelas costas. Os moradores que assistiram ao crime negam a versão e a mãe conta que seu filho não era envolvido com armas, confirmando tratar-se de execução. Em repúdio à truculenta ação policial, os moradores realizaram a queima de um ônibus, paralisando o trânsito por cerca de cinco horas em toda a região.
Apesar de amplamente divulgado pela imprensa baiana, sem dúvida, esse é apenas mais um dos casos envolvendo a Polícia e jovens negros pobres moradores das periferias brasileiras e, infelizmente, parece que, mais uma vez, passará como se nada tivesse acontecido.
A morte do jovem Djair precisa ser apurada, os órgãos do poder público e da sociedade civil precisam se manifestar e as coisas não podem continuar como estão!
É inadmissível, sob qualquer exercício de compreensão intelectual, que o chefe da operação venha a público alegar que os policiais agiram em legítima defesa, isso é brincar com as pessoas, é achincalhar a sociedade, é desrespeitar as nossas inteligências. Mas, tudo bem, cada um tem o direito de se defender, entretanto, nós temos o direito de questionar: Ora, existe legitima defesa com tiro pelas costas? É crível, que um adolescente que estivesse correndo (da polícia) pudesse oferecer algum risco à vida dos policiais? É possível que todos os depoimentos dos que conheciam o garoto e dos que viram o episódio não tenham nenhum valor? Para mim trata-se de execução e isso está óbvio a partir da declaração das testemunhas e das circunstâncias amplamente exibidas pela imprensa!
Infelizmente a morte do jovem Djair não provocou o estardalhaço que outras mortes costumam causar. Nossas sensibilidades são, também elas, seletivas, tem lugar de classe e explícita orientação racial. Hierarquizamos a vida e, para maior parte da sociedade, cada vida tem um valor, segundo categorias sociais muito bem definidas. A Sr.ª Dejane, mãe do garoto Djair, fez uma perfeita síntese: “Se fosse filho de barão, era diferente”.
De fato, o racismo institucionalizou-se como fenômeno em todo o Estado Brasileiro. Todos os dias, de formas perversas e insistentes, somos condenados e executados pela roupa que (não) usamos, pelo tipo de cabelo que temos, pelo lugar em que vivemos, pelo lugar em que (não) trabalhamos, pela religião que professamos, pela orientação sexual que assumimos e, sobretudo, pelo lugar sócio-racial em que estamos.
Vivemos dia a dia o acirramento da tensão na sociedade brasileira. Diante da falência do Estado em todas as suas promessas, vivemos a tragédia do acirramento das desigualdades econômicas, a expulsão das moradias urbanas, a crueldade das torturas policiais, a dureza da exclusão acadêmica, a tristeza do abandono intelectual e, além de tudo isso, a persistência do discurso hipócrita e da afirmação cínica, de que poderia ser com qualquer um, de que o fato de o jovem ser negro é só uma coincidência, de que se fosse uma outra pessoa, com outras características físicas, também poderia ter acontecido. Isso é o mais cruel da história, o discurso de que somos todos iguais e de que a promessa (falsa) da modernidade funciona para todos e todas, a mentira de que somos iguais em direitos e deveres. Isso é o pior da história.
É urgente romper com manto de cinismo, hipocrisia, má-fe e desfaçatez que cerca a discussão das grandes temáticas deste país. É necessário reconhecer que, a despeito das falas de grande mídia, o conflito racial no Brasil está se acirrando e as vítimas estão sempre do lado de cá. Se não se reconhecer isso imediatamente de maneira ética e responsável será absolutamente impossível gestar qualquer alteração na nossa forma de organização civilizatória.
A violência policial institucionalizou-se. O Estado de direito faliu em todas as suas promessas de controle e organização social e a sociedade civil está imersa num modelo de paralisia tal, que qualquer discurso de revolução e alteração radical desse modelo fascista soa como anacrônico e extemporâneo. Por outro lado, aposta-se cada vez mais no reforço à tese da segurança pública ostensiva, aprofundam-se os investimentos em aparelhos de policia, em celas móveis, em novas e novas táticas de vigilância e controles dos corpos. Mera balela de um discurso de re-socialização que, além de falso, é omisso e cala ante a morte diária de dezenas de meninos negros permitindo a generalização da barbárie social...
Enquanto o Estado se arma e articulam-se programas paliativos, as organizações criminosas se capilarizam e as polícias, inoperantes, matam pobres como se estivessem roubando doce de criança. A política de repressão se recrudesce e as possibilidades de prevenção acabam, sem recursos, sem intersetorialidade, sem políticas públicas.
Acertada é a posição do filósofo Paulo Arantes, manifestada em entrevista recente ao Jornal Brasil de Fato falando sobre a tortura e a execução nesse país: “tortura-se desde sempre em qualquer cadeia pública brasileira. O escândalo dos anos de chumbo é que esta prática se estendeu aos brancos de classe média politicamente radicalizados. Quer dizer, o que havia de chocante era a inédita ampliação das classes torturáveis brasileiras, até então seletivamente restritas aos pobres, negros e presos. Não deixa de ser inquietante reparar que é precisamente esta a circunstância histórica que viu nascer o que viria depois a se institucionalizar como uma política de direitos humanos e igualmente não por acaso desde então acoplada à eterna promessa de uma “verdadeira” política de segurança pública, em contraposição à usual, baseada na escalada punitiva, desde o enfrentamento tipo “guerra urbana” até o endurecimento contínuo da execução penal. Voltando ao básico.”
Vê-se a falência de um discurso de direitos humanos assentado, apenas, nas bases éticas e filosóficas do positivismo europeu. É urgente lançarmos-nos no desafio acadêmico da sistematização de um pensamento de direitos humanos afro-latino inspirado nas grandes tradições de cosmovisões ancestrais e respeitador da vida humana em qualquer dimensão que ela esteja.
Os Governos mostram-se cada vez mais ineficientes ao tratar da temática da segurança pública e dos direitos humanos. Sem adentrarem às grandes questões do assunto, ficam sempre num sobrevôo raso onde o mais do mesmo é o que diferenciam a direita e a esquerda na lógica de utilização das velhas práticas, meramente punitivas e ineficazes.
Mortes como a do menino Djair podem se repetir, e, infelizmente, poderão continuar ocultadas, pelo corporativismo da polícia, pela ineficiência da grande imprensa ou mesmo pela nossa cegueira diária. Novos jovens poderão aumentar a lista dos atocaiados pelo Estado e terão as suas mortes choradas por suas mães, pretas, que sabem que “Se fosse filho de barão, era diferente”
O Estado, burguês e racista, continuará com o seu discurso velho de neutralidade, de paciência, de tolerância e de conciliação e nós? O que vamos fazer?
Penso que mais do que nunca é hora de aprofundarmos a luta e caminharmos nas ruas. É hora de dizer que a polícia não contará com o nosso silêncio, que politizaremos cada ato cometido contra um dos nossos, que gritaremos, enquanto forças tivermos, para que a profecia de João Cabral de Melo Neto não se cumpra e que deixemos de morrer: “de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte e de fome um pouco por dia”.

*Estudante de Direito, membro do Núcleo de Estudantes Negras e Negros da Universidade Estadual de Feira de Santana, voluntário da Cáritas Arquidiocesana e filiado ao Partido dos Trabalhadores / BA.

26 de jan. de 2008

Textos dos detentos

É possível dar a volta por cima
José Carlos Castorino

Vivemos diante de um mundo conturbado onde as pessoas vivem cheias de problemas, tristezas, frustrações, desesperadas em busca de paz interior e de si mesmas.É por isso que lhe digo: entregue sua vida para Deus.
Com Deus você dará a volta por cima de todas as coisas que te fazem sofrer. Com ele, você entenderá que é possível encontrar soluções para todos os seus problemas.
Com ele, você aprenderá a lidar com o medo a depressão, a sensação de fracasso e outras situações que certamente lhe fazem sofrer.
Com nossa lição de vida ajudará você a entender que, por mais que tudo pareça estar perdido, ainda existe esperança de que é possível dar a volta por cima.

--------------------
Alerta
Eduardo Lima de Paula

Eu venho através desta alertar aos jovens que atualmente se encontram desencaminhados na vida.
Eu tenho 19 anos e me encontro preso no momento em que eu poderia estar curtindo o melhor momento de minha vida, momentos em que eu poderia estar adquirindo outros conhecimentos.
No momento que eu poderia estar com minha família desfrutando o bom que a vida oferece. E tudo isso fica perdido, por um momento apenas, um momento de distração.Agora é erguer a cabeça e seguir em frente, com a mente voltada para o futuro, que certamente será melhor. Um abraço a todos os meus familiares.
Publicados na edição 139 do jornal Recomeço

25 de jan. de 2008

Edição 139

RECOMEÇO - O jornal dos detentos
A edição 139 do jornal impresso está no site Recomeço (que contém todas as edições do jornal, desde o seu início em 2001).
Para ler,
CLIQUE AQUI

24 de jan. de 2008

Marilena Chauí


Sobre "VIOLÊNCIA, RACISMO E DEMOCRACIA"

"...as leis sempre foram armas para preservar privilégios e o melhor instrumento para a repressão e a opressão, jamais definindo direitos e deveres concretos e compreensíveis para todos. Essa situação é claramente reconhecida pelos trabalhadores quando afirmam que "a justiça só existe para os ricos."

O Poder Judiciário é claramente percebido como distante, secreto, representante dos privilégios das oligarquias e não dos direitos da generalidade social.

Para os grandes, a lei é privilégio;para as camadas populares, repressão. A lei não figura o pólo público do poder e da regulação dos conflitos, nunca define direitos e deveres dos cidadãos porque, em nosso país, a tarefa da lei é a conservação de privilégios e o exercício da repressão. Por este motivo, as leis aparecem como inócuas, inúteis ou incompreensíveis, feitas para serem transgredidas e não para serem transformadas - situação violenta que é miticamente transformada num traço positivo, quando a transgressão é elogiada como “o jeitinho brasileiro”.

As desigualdades econômicas atingem a proporção do genocídio. Os negros são considerados infantis, ignorantes, safados, indolentes, raça inferior e perigosa, tanto assim, que numa inscrição gravada até há pouco tempo na entrada da Escola de Polícia de São Paulo dizia: "Um negro parado é suspeito;correndo, é culpado".

Os índios, em fase final de extermínio, são considerados irresponsáveis (isto é, incapazes de cidadania), preguiçosos (isto é, mal-adaptáveis ao mercado de trabalho capitalista), perigosos, devendo ser exterminados ou, então, "civilizados" (isto é, entregues à sanha do mercado de compra e venda de mão-de-obra, mas sem garantias trabalhistas porque "irresponsáveis").

Os trabalhadores rurais e urbanos são considerados ignorantes, atrasados e perigosos, estando a polícia autorizada a parar qualquer trabalhador nas ruas, exigir a carteira de trabalho e prendê-lo "para averiguação", caso não esteja carregando identificação profissional (se for negro, além de carteira de trabalho, a polícia está autorizada a examinar-lhe as mãos para verificar se apresentam "sinais de trabalho" e a prendê-lo caso não encontre os supostos "sinais").

Numa palavra, as classes populares carregam os estigmas da suspeita, da culpa e da incriminação permanentes. Essa situação é ainda mais aterradora quando nos lembramos de que os instrumentos criados durante a ditadura (1964-1975) para repressão e tortura dos prisioneiros políticos foram transferidos para o tratamento diário da população trabalhadora e que impera uma ideologia segundo a qual a miséria é causa de violência, as classes ditas "desfavorecidas" sendo consideradas potencialmente violentas e criminosas.
É uma sociedade que não pode tolerar a manifestação explícita das contradições, justamente porque leva as divisões e desigualdades sociais ao limite e não pode aceitá-las de volta, sequer através da rotinização dos "conflitos de interesses" (à maneira das democracias liberais). Pelo contrário, a classe dominante exorciza o horror às contradições produzindo uma ideologia da indivisão e da união nacionais, a qualquer preço. Por isso recusa perceber e trabalhar os conflitos e contradições sociais, econômicas e políticas enquanto tais, uma vez que conflitos e contradições negam a imagem mítica da boa sociedade indivisa, pacífica e ordeira. Contradições e conflitos não são ignorados e sim recebem uma significação precisa: são considerados sinônimo de perigo, crise, desordem e a eles se oferece uma única resposta: a repressão policial e militar.

A existência de crianças de rua é vista como "tendência natural dos pobres à criminalidade". Os acidentes de trabalho são imputados à incompetência e ignorância dos trabalhadores. As mulheres que trabalham (se não forem professoras, enfermeiras ou assistentes sociais) são consideradas prostitutas em potencial e as prostitutas são tidas como degeneradas, perversas e criminosas, embora, infelizmente, indispensáveis para conservar a santidade da família.
A sociedade brasileira está polarizada entre a carência absoluta das camadas populares e o privilégio absoluto das camadas dominantes e dirigentes, bloqueando a instituição e a consolidação da democracia.
__________________
Marilena Chauí é filósofa e professora da Faculdade de Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH)
Texto completo
CLIQUE AQUI

22 de jan. de 2008

Barbárie em Recife

Há 48 dias, jovem é mantido algemado à cama do hospital

Um jovem de 17 anos está há 48 dias algemado à cama de um hospital em Recife (PE), onde está custodiado pela Polícia Civil. Ele foi detido pela PM em 6 de dezembro após tiroteio em Santo Amaro, bairro onde mora. Ele foi atingido na perna.O conselheiro tutelar André Torres diz que o caso foi denunciado ao Ministério Público Estadual anteontem e que as algemas não são retiradas nem durante as refeições. Torres afirma ainda que há negligência médica por causa da situação do jovem, internado no Hospital da Restauração."É um tratamento desumano e constrangedor, que fere o Estatuto da Criança e do Adolescente", diz Torres.Segundo a delegada da GPCA (Gerência de Proteção à Criança e ao Adolescente), Inalva Regina, o adolescente está algemado devido ao alto número de fugas em hospitais, apesar da presença de policiais. Segundo ela, o garoto foi preso em flagrante por porte de arma e aguarda pronunciamento da Justiça.O pai do garoto, Evandir dos Santos Filho, 37, nega que o filho esteja envolvido com o crime. Segundo ele, o adolescente, assustado com o tiroteio, correu e foi confundido com os bandidos. A coordenadora das Promotorias de Infância e Juventude de Pernambuco, Glória Ramos, diz que solicitou à Polícia Civil e à Fundac (Fundação da Criança e do Adolescente) que as algemas sejam retiradas. Até ontem, ele continuava algemado.

Publicado na FSP, 22 de Janeiro de 2008

-------------

Comentário

Barbárie no país. Esse caso é um dos poucos que saem na imprensa. Por que não algemaram numa cama (ou numa pilastra) o Cacciola, o Pimenta Neves, os 4 promotores assassinos recentes, o juiz que matou o vigia no supermercado, e outros "figurões" homicidas e salafrários? Ao contrário, vão todos muito bem, obrigada, livres de algemas e seguindo suas vidas tranquilamente. Confiam na generosidade da nossa justiça. Por que nossa fúria é direcionada só aos adolescentes pobres deste país? Será que nunca terá fim a nosso covardia histórica?

Homens perigosos, onde?


10 de jan. de 2008

Manuel de Barros










me explica por que um olhar de piedade
cravado na condição humana
não brilha mais que anúncio luminoso?
Me explica por que penso naqueles moleques
Como nos peixes
Que deixava escapar do anzol

Com o queixo arrebentado?

(Poemas concebidos sem pecados, pág 27)
------------------------
O ser que na sociedade é chutado como uma barata - cresce de importância para o meu olho.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem: Tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.

(Retrato do artista quando coisa - Editora Record, 1998)
-----------------------

9 de jan. de 2008

Fim de noite

Uma pausa para o que ainda há de divino no ser humano: a música.. Que maravilha a expressão divertida e feliz de Pavarotti!
Luciano Pavarotti & Bryan Adams - O Sole Mio (1994)



8 de jan. de 2008

Depoimento

O ex-recuperando da Apac, Geovani Martins Ribeiro, escreveu artigo sobre a conquista da sua liberdade em dezembro de 2007 e a seguir outro artigo relatando os cruéis efeitos da pena de reclusão e do quanto se assemelha à prisão perpétua. Leia os dois artigos que sairão no jornal impresso edição 139:
GRATIDÃO

É com muita alegria que escrevo pela última vez no ano de 2007, ano de lutas, sacrifícios, mas principalmente de vitórias.
Alegrias também por já não redigir na condição de recuperando da APAC e sim como colaborador do Jornal Recomeço. Conquistei a liberdade no último dia 10 de dezembro.
Uma nova etapa, um passo, novos desafios, outros esforços, renúncias e, agora, esperança revigorada e muita determinação de seguir no rumo certo.
Agradeço a toda a equipe da APAC e do Jornal Recomeço por tudo que fizeram em prol da minha recuperação e ainda estão fazendo para minha reincersão na sociedade. Já estou trabalhando, passei no vestibular e cursarei Direito.
Um abraço fraterno ao Sr. Clóvis, Dr. Dilson, D. Clarice, D.Dalva, D. Santinha, Irmã Beth, D. Gueguê, Dr. Leonardo, Sr. João e D.Maria, essas pessoas que investem na regeneração dos apenados, dedicando tempo, energia e amor, sobretudo.
Aproveito também para agradecer aos colaboradores voluntários e parceiros sem os quais o modelo APAC não funcionaria. Que essa equipe cresça cada vez mais. Parabéns a todos pela execução desse trabalho difícil, muitas vezes incompreendido e criticado, mas que segue princípios cristãos servindo a Deus humanizado na figura do irmão.
Sigam em frente.
Muito obrigado.

OS EXCESSOS DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE

A pena privativa de liberdade (prisão), instituto penal utilizado pelo estado para punir o transgressor em restituição ao ilícito cometido, desestimular os desvios de conduta e, principalmente recuperar aquele que agiu ao arrepio da lei, tornou-se impraticável.

As conseqüências da sentença de prisão espraiam-se por um campo ilimitado da performance existencial do condenado, sendo sentidos até mesmo por sua família e no período pós-cárcere. O que deveria ser apenas a restrição da liberdade de ir e vir por um período de tempo transmuta-se em jugo opressor para o apenado, tornando morta a letra da Constituição Federal de 1988, quando diz que a pena não pode passar da pessoa do condenado.

As cadeias superlotadas, causa da violência e tensão constante, alimentação precária, as condições higiênicas inexistentes e o atendimento médico-hospitalar claudicante vêm à garupa da penalidade, como presente de grego.

Para a família, tratamento aviltante perpetrado por alguns agentes públicos despreparados e desmotivados que atendem nos presídios, delegacias ou fóruns. Também a tira-colo, o preconceito, como no caso do pai de família que chama o filho para dentro de casa e adverte-o para não brincar com aquele determinado colega por ser filho de presidiário. Afora os ácidos comentários quando a mãe do presidiário passa.

Essas conseqüências extensivas manifestam-se até mesmo na fase final da sanção, quando já em liberdade: com os direitos políticos suspensos não se pode votar, não se pode ser admitido em quadro funcional público, não se pode nem sequer pleitear uma casa própria pelo Sistema Nacional de Habitação; as empresas privadas, em sua maioria, lançam mão da certidão de antecedentes criminais como critério de seleção de funcionários, excluindo, a priori, o egresso do sistema; outras barreiras aqui não elencamos por acreditarmos ser as supracitadas suficientes para a conscientização dos nefastos sobrefeitos da famigerada pena privativa de liberdade.

O rigor empregado pelo ente estatal no tratamento ao infrator objetivando o incentivo a obediência às regras extrapola os limites do legal, do proporcional e do aceitável, mas legitima-se na prática.

O eminente jurista Aníbal Bruno diz ser "a critica que impede o isolamento do Direito como coisa definitivamente concluída e o restaura na continuidade da evolução da que o direito vigente é apenas um momento transitório", pois fica registrada nossa indignação a respeito dos efeitos acessórios da pena na esperança de os operadores do direito e o Poder Legislativo estimularem e criarem normas para a formação de um cenário mais justo, e menos cruel.

Geovani Martins Ribeiro (ex apac-Leopoldina)

---------------

A equipe Apaqueana parabeniza ao recuperando pela sua liberdade e pelo brilhante desempenho educacional no vestibular da faculdade Doctum, tendo sido classificado em 10º lugar. Conte sempre conosco.

6 de jan. de 2008

Desligue a TV no BBB 8

Globo volta a apostar no erotismo barato com 'BBB 8'

Deu na Folha Online (via FNDC) em 03/01/2008:
A Globo evitou riscos na escalação dos 14 participantes da oitava edição do 'Big Brother Brasil', que começa na próxima terça-feira. Com base na divulgação das imagens e dos dados sobre os escolhidos, será, mais uma vez, um programa voltado para o erotismo barato.
Para vender a assinatura do programa na TV fechada, a Net escancara o espírito do reality show: o telespectador terá compactos de cenas de banho, barracos e os melhores closes nos corpos de sarados e gostosas.
Não é de se espantar a repetição do formato. A história da Globo mostra que, em momentos de crise no ibope, a baixaria é a fórmula mais adotada pelo canal para reagir, estimulando aquilo que os comunicólogos chamam de 'cultura do grotesco'.
Em 2007, a Globo perdeu espaço para a Record, que também não é santa e vive injetando doses de erotismo em sua programação - cenas de sexo e violência enchem, por exemplo, as novelas do canal dos bispos.
A seleção do 'BBB 8' descartou os elementos que possam, na visão da Globo, atrapalhar o cenário para o onanismo eletrônico. Nada de gente feia, gorda nem pobre à beira da piscina, lembrando que o Brasil é uma terra de mestiços, assalariados e gente fora dos padrões de estética ditados pela publicidade.
Talvez, o 'gênio' e diretor do programa Boninho - aquele que se deixa flagrar em vídeo confessando o esporte de jogar ovos em prostitutas - merecesse uma resposta contundente do telespectador esclarecido. Desligue a TV.
____
Fonte: Grupo cafeconsciencia@yahoogrupos.com.br

4 de jan. de 2008

Os meninos de Veronese

Sobre a postagem Antonio Veronese, recebemos da leitora Simone Trajano Ribeiro do Rio de Janeiro:

"Meu Deus, somente por aqui pude descobrir que o Brasil tem um pintor com essa força! Que vergonha para a nossa imprensa que jamais abre espaço para os grandes pintores. Má vontade?Desatenção? Ou simplesmente ignorância? Enquanto isso, na minha banca de revistas, há somente hoje expostas 22 imagens de Gizelle Bunchen. É, cada país tem a imprensa que merece! Bravo ao Jornal Recomeço por fazer divulgar um artista desta grandeza!"

3 de jan. de 2008

Assim se mata em Minas Gerais

Em Minas Gerais, a pena de morte por arma de fogo está sendo substituída pelo fogo. Nem os nazistas chegaram a tanto: matavam primeiro para depois jogar os corpos no forno crematório. Aécio Neves prefere queimar os detentos vivos. "Polícia do governo Aécio Neves (PSDB) não explicou onde estava o carcereiro no momento do fogo nem divulgou seu nome", diz a manchete do jornal.
Aí estão os nomes dos jovens mortos. Como se dizia: são judeus, são comunistas, são ciganos, são negros, são heréticos... Agora são "traficantes de drogas"... Joga-se na fogueira. E pronto! Assim caminha a humanidade.
Juarez de Jesus Santos, 28 anos, condenado por furto
Anderson Dorneles dos Santos, 23 anos, condenado por furto
• Marlon Fernandes, 24 anos, condenado por tentativa de homicídio
• Raimundo Anastácio de Moura, 35 anos, condenado por furto
• Rodrigo Luciano dos Santos, 18 anos, autuado por tráfico de drogas
• Everson Barbosa Ferreira, 18 anos, autuado por tráfico de drogas
• Jaider Martins, 21 anos, autuado por tráfico de drogas
• Donizete Gomes, 41 anos, condenado por tráfico de drogas
(Fonte: Policia Civil)