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27 de abr de 2012

Justiça absolve professor pedófilo

Justiça de São Paulo absolve professor acusado de abusar sexualmente de menores
Mesmo após concluir que um professor de uma escola estadual manteve contato sexual com três menores de idade, um deles com 13 anos, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) o inocentou da acusação de estupro de vulnerável. A decisão da 16ª Câmara de Direito Criminal foi tomada na última terça-feira (17) principalmente devido às declarações do menor de 13 anos, que disse que não foi coagido a cometer o ato. O caso aconteceu em 2006, na região de Fernandópolis, no interior paulista, e dois menores eram ex-alunos do acusado.
A criança de 13 anos contou em depoimento que, por medo de ser castigado pela mãe, já que havia cometido atos infracionais na rua, foi até a casa do ex-professor de matemática e pediu autorização para dormir na casa dele, o que foi aceito. O menor contou ainda que, enquanto dormia, notou que o ex-professor o acariciou. No dia seguinte, ele deu ao menor a quantia de R$ 20,00, e depois mais R$ 30,00, como forma de “agradecimento”. A criança disse que aquela teria sido a única vez que manteve contato sexual com o acusado, mas afirmou saber que seu irmão, também menor, já tinha mantido relações com o professor.
O irmão confirmou que ganhou dinheiro e presentes do homem depois de receber carícias. Ele teria, inclusive, pedido sapatos para o acusado em troca dos favores. Um amigo do professor, conhecido como “Doca” –que também foi julgado e absolvido pelo TJ– teria participado dos abusos e mantido relação sexual com o menor em troca de dinheiro.
Um terceiro adolescente também confirmou as relações sexuais, tanto com o professor quanto com “Doca”, em troca de dinheiro, roupas, calçados e um aparelho celular.
Para o relator do caso, desembargador Pedro Luiz Aguirre Menin, não é possível condenar o professor e o seu amigo porque as crianças “tinham pleno conhecimento do ato que aceitaram praticar”. O magistrado afirma que não há enquadramento da conduta dos acusados no crime caracterizado como estupro de vulnerável e submissão de crianças a exploração sexual porque não há provas de que as vítimas tenham sido submetidas à prostituição.
O magistrado ressaltou que uma das vítimas afirmou que foi à casa de “Doca” justamente com a intenção de que ele o convidasse para entrar, pois precisava de dinheiro. ”Assim, a conduta dos recorridos não se enquadra na figura do artigo 244 do ECA, pois somente comete o delito aquele que submete criança ou adolescente a exploração sexual, o que não aconteceu nos autos, afirmou.
No final de março, uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre o assunto causou polêmica. A terceira seção do tribunal decidiu absolver um homem acusado de estuprar três crianças por entender que as meninas já teriam tido relações sexuais com outras pessoas e que as relações seriam consensuais.

Publicado no Portal do Movimento COEP

Qual é a da nossa justiça? Ela é contra as nossas crianças ou é a favor da PEDOFILIA?

20 de abr de 2012

A posse de Ayres Britto na presidência do STF

Juiz deve ser humilde, diz presidente do STF
Ayres Britto, que assume Corte até novembro, afirma que Judiciário tem que se impor respeito antes de impor aos outros
Ao assumir a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Carlos Ayres Britto afirmou ontem que os magistrados brasileiros não podem ser prepotentes e que o Judiciário "tem que se impor o respeito".
"Quem tem o rei na barriga um dia morre de parto, permito-me a coloquialidade do fraseado, e os juízes não estão imunizados quanto a essa providencial regra de vida em sociedade", disse ele.
"O Poder que evita o desgoverno, o desmando e o descontrole eventual dos outros dois não pode, ele mesmo, se desgovernar, se descontrolar", completou Ayres Britto.
O novo presidente também fez referência a recentes críticas, feitas até pelo seu antecessor, Cezar Peluso, sobre a tendência da Corte de julgar de acordo com a opinião pública. Para ele, a Justiça tem que levar em conta as expectativas da sociedade: "Juiz não é traça de processo, não é ácaro de gabinete".
Ayres Britto terá um mandato curto à frente do Supremo. Ele se aposentará em novembro deste ano, quando completará 70 anos.
Durante o período, no entanto, existe a expectativa de que julgamentos importantes aconteçam, como o processo do mensalão, por exemplo.
POESIA
O discurso em que inaugurou sua presidência foi repleto de citações poéticas e místicas. Ao lembrar-se dos pais, o ministro afirmou que eles são seus "ícones desta minha vida terrena e de outras que ainda terei, porquanto aprendi com eles dois que o nada não pode ser o derradeiro anfitrião do tudo".
Ele também afirmou que a consciência do juiz, que, segundo ele, é fruto do "casamento entre o pensamento e o sentimento (...) corresponde àquele ponto de equilíbrio que a literatura mística chama de 'terceiro olho'."
"O único olho que não é visto, mas justamente o que pode ver tudo", disse.
Aproveitando a presença da presidente da República, Dilma Rousseff, e de congressistas, Ayres Britto propôs um pacto entre os três Poderes para que todos respeitem a Constituição.
Ele afirmou que distribuiria aos convidados, no momento dos cumprimentos formais, quando todos fazem fila para saudar o novo presidente, exemplares atualizados da Constituição.
A cerimônia, que reuniu mais de duas mil pessoas, segundo assessoria de imprensa do tribunal, começou com o Hino Nacional interpretado pela cantora Daniela Mercury. Durante a execução, ela requisitou aos presentes que cantassem junto com ela.
Antes de iniciar sua apresentação, ela recitou uma curta poesia de Ayres Britto.
"Não sou como camaleão que busca lençóis em plena luz do dia. Sou como pirilampo que, na mais densa noite, se anuncia.

*Fonte: Folha de São Paulo - Sexta-feira, 20 de abril de 2012

12 de abr de 2012

Páscoa 2012 no Presídio de Leopoldina

Os alunos do projeto EJA RECOMEÇO DO PRESÍDIO DE LEOPOLDINA tiveram uma celebração de PÁSCOA bem animada.

O coral de alunos ensaiados pela professora e voluntária Cibele Arsenio cantou diversas músicas  alusivas à data.
O Pastor Ramon, da Igreja Metodista, interagiu com os alunos falando com sabedoria e propriedade do verdadeiro sentido da Páscoa pelo que recebeu muito carinho e afeto de todos, que aprenderam com seu brilhantismo e simplicidade ao se comunicar com os internos.
O jovem  cantor Gustavo deu um show de talento e superação (sendo ele especial) Todos pediram bis.
Entre outras atividades pedagógicas, os alunos fizeram paródias de músicas e apresentaram frases sobre o que é a celebração da Páscoa.
A festa foi coroada com uma deliciosa canjica oferecida pela Escola Estadual Luiz Salgado Lima através de sua diretora Joana D'Arc Arruda Gonçalves.
A supervisora Regina Furtado agradeceu a todos que se envolveram com tanto zelo, e em especial ao diretor do Presídio Daniel da Silva Nocceli e toda a sua equipe.


(Mateus 26,36)

4 de abr de 2012

O Judiciário vingativo: Presidente de tribunal elogia Sartori por iniciativa de processar a Folha


Em discurso no Theatro Municipal de São Paulo, na comemoração de sua posse como presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS), anteontem, o juiz Newton de Lucca elogiou o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, pela iniciativa de processar a Folha. O presidente do TJ tem incentivado outros desembargadores a processar o jornal.

De Lucca disse que "todos nós almejamos e preconizamos uma imprensa livre", mas "há de ser solenemente repudiado" o "jornalismo trapeiro". Segundo ele, a mídia é "a caixa preta da democracia que precisa ser aberta e examinada".

Na edição de 28 de março, a Folha revelou que as despesas do evento festivo foram pagas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. Os dirigentes do TRF-3 tomaram posse oficialmente em 17 de fevereiro no tribunal. Como a posse ocorreu na véspera de Carnaval, a corte decidiu fazer a comemoração no teatro sem "dispêndio de recursos públicos".

De Lucca afirmou que magistrados "estão sendo injustamente atacados". Disse que o povo "se encontra à mercê de alguns bandoleiros de plantão, alojados sorrateiramente nos meandros de certos poderes midiáticos no Brasil e organizados por retórica hegemônica, de caráter indisfarçavelmente nazifascista".

Em seguida, cumprimentou o presidente do TJ-SP, Sartori, "por sua corajosa e determinada posição" no sentido de processar a Folha, "pois a honra da toga não pode ser tisnada".

* Publicado hoje na Folha de São Paulo - 4/4/2012 - Caderno Poder

29 de mar de 2012

STJ esvazia punição criminal para embriagados ao volante

Mais um abuso da nossa (des) justiça
Pela decisão, testemunhos e exames clínicos não valem mais como prova. Motorista que recusar bafômetro e exame de sangue ficará impune, mesmo que uso de álcool seja evidente.
O Superior Tribunal de Justiça decidiu ontem que testemunhas, incluindo guardas de trânsito, e testes em que o médico examina o motorista visualmente não valem mais como prova para incriminar alguém que dirige bêbado.
Agora, o motorista que não fizer teste do bafômetro ou exame de sangue não poderá ser alvo de ação penal nem acabar preso -ele não precisa realizar tais testes porque não é obrigado a produzir provas contra si mesmo.
"A lei seca está enfraquecida, a não ser que a pessoa, com todo o respeito, seja muito otária e se submeta ao bafômetro", disse o promotor Evandro Gomes, um dos representantes do Ministério Público que cuidaram do caso.
A lei seca, em vigor desde 2008, exige, para fins penais, um grau mínimo de seis decigramas de álcool por litro de sangue (dois chopes). O governo, então, regulou a lei em decreto que diz que a aferição só pode ser feita por bafômetro ou exame de sangue.
Quando um motorista era flagrado bêbado, além das punições dos órgãos de trânsito, ele também respondia a uma ação na Justiça, que poderia levá-lo à prisão. Testemunhos e exames clínicos eram aceitos. A pena máxima é de três anos.
Um motorista de Brasília que se envolveu em um acidente questionou justamente o fato de um exame clínico feito no IML (Instituto Médico Legal) ter concluído que ele estava embriagado. Ele foi processado criminalmente e um juiz de primeira instância chegou a aceitar ação. O caso, então, foi parar no STJ. A decisão tomada ontem pelo tribunal analisou o caso desse motorista e agora uniformiza o entendimento da corte em "recurso repetitivo".
A decisão, portanto, tem duplo alcance: valerá para todos os casos idênticos do tribunal e das instâncias inferiores, além de servir de referência para novos processos.A decisão não atinge as punições administrativas, como apreensão de carteira ou aplicação de multa. Para essas penas, testemunhos ou exame clínico continuam válidos.
O magistrado Adilson Macabu, que conduziu o voto vencedor, disse que o "Executivo editou decreto e há apenas o bafômetro e exame de sangue". "Não se admite critérios subjetivos", afirmou.
"Não se pode tolerar que o infrator, com garrafa de bebida no carro, bafo e cambaleando, não possa ser preso porque recusou o bafômetro", disse o relator Marco Aurélio Belizze, derrotado na votação.
O STJ é instância máxima para questões não constitucionais. Caberá recurso apenas se o Supremo Tribunal Federal for convencido de que o caso envolve a Constituição.
Fonte: Folha de São Paulo - 29/3/2012

28 de mar de 2012

Bancos oficiais pagam coquetel para juízes em São Paulo

Na Folha de São Paulo, hoje:

Banco do Brasil e Caixa gastam R$ 225 mil para custear evento de posse de dirigentes do TRF no Theatro Municipal. Caixa administra depósitos judiciais e tem processos de seu interesse em tramitação no tribunal

 A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil pagarão as despesas de um evento festivo do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS) na segunda-feira, no Theatro Municipal de São Paulo. A CEF desembolsará R$ 150 mil e o BB, R$ 75 mil.
O tribunal oferecerá recepção e coquetel para comemorar a posse de seus novos dirigentes, os juízes Newton De Lucca (presidente), Salette Nascimento (vice) e Fábio Prieto (corregedor).
Eles tomaram posse oficialmente em 17 de fevereiro no TRF, na presença de representantes do Legislativo, do Executivo, do Ministério Público e da OAB. O tribunal alega que a posse se deu na véspera do Carnaval e decidiu fazer a comemoração agora em local mais amplo, "sem dispêndio de recursos públicos".
O presidente da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul, Ricardo Rezende, diz que foi procurado por De Lucca e pelo BB para "auxiliar na organização do evento" no teatro. A associação concordou em intermediar os recursos do BB. A CEF decidiu fazer o pagamento diretamente.
Segundo Rezende, os recursos do BB cobrirão as despesas com "valet", decoração e convites. A CEF pagará o coquetel. A Secretaria da Cultura diz que houve dispensa de pagamento pelo espaço e que nele haverá apresentação do Coral da Sinfônica de Heliópolis e Coral da Unifesp, contratados pelo próprio órgão.
O TRF-3 é grande cliente da CEF, que administra os depósitos judiciais do tribunal. No TRF-3 tramitam processos em que a CEF é parte em São Paulo e em Mato Grosso do Sul.
Em agosto de 2008, a Folha revelou que a Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) captou dinheiro junto a empresas privadas para custear parte dos gastos de encontro promovido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (sede no RJ) num luxuoso resort em Búzios (RJ).
Em 2009 a Ajufe e outras entidades fizeram recepção para comemorar a posse de Dias Toffoli no STF. Na época, a CEF repassou R$ 40 mil.

14 de mar de 2012

DIA DA MULHER - Comemoração no Presídio de Leopoldina

O Dia Internacional da Mulher no Presídio de Leopoldina foi muito especial. A professora Elizabeth de Almeida Silva, das séries iniciais do Ensino Fundamental, preparou com toda a turma mixta cartazes com versos e rimas sobre o tema SER MULHER. Tudo com muito capricho para receber as acauteladas no dia. Com o apoio do Jornal Recomeço foi oferecido um café da manhã e em seguida as pastoras evangélicas Odete de Souza e Jacira Lopes de Souza interagiram com uma palestra de Mulher para Mulher .
Dando continuidade ao dia, foi servido o almoço com sobremesa e um filme com pipoca à tarde preparado pela Psicóloga Jalibe.
 
“Apesar do "lugar de sofrimento" em que estamos Deus não se esquece de nós” , disse uma das internas com um enorme sorriso e com os olhos cheios de lágrimas. E não cansavam de pedir "bis", perguntando quando seria o próximo Dia da Mulher, se teriam que esperar mais um ano... 
E todas agradeceram ao núcleo de ensino da escola no Presídio.  Também receberam agradecimentos o diretor do Presídio Sr. Daniel da Silva Nocelli e toda sua equipe de trabalho.




 ·    *Informação da Escola EJA no Presídio de Leopoldina/MG.
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  O jornal REcomeço parabeniza aos professores da escola e ao diretor com sua equipe de trabalho, no presídio de Leopoldina/MG. Vocês fazem a diferença para um MUNDO MELHOR.

8 de mar de 2012

Pastoral Carcerária Nacional

Boletim Informativo 74  - 08/03/2012

Homenagem da Pastoral Carcerária às Mulheres Agentes de Pastoral

A Pastoral Carcerária é conhecida por trabalhar sempre em defesa dos direitos de todas as pessoas presas, mas hoje quer lembrar de um grupo específico de mulheres: as agentes da Pastoral Carcerária, que incansavelmente se colocom na defesa de todos, das mulheres encarceradas, das mulheres que visitam seus filhos, esposos, companheiros, amigos, pais e que não encontram na barreira da revista humilhante e vexatória um limite para estar ao lado de quem ama.

Este ano, a Pastoral quer homenagear uma mulher especial, Maria Emília Guerra Ferreira, que faleceu em dezembro de 2011 depois de décadas de luta em defesa dos direitos humanos e especialmente das mulheres encarceradas. Alessandra Teixeira, amiga da Pastoral Carcerária, escreveu esta homenagem.

Relatório da ONU sobre tortura no Brasil deve ser público

Organizações cobram do governo publicidade às recomendações das Nações Unidas, à luz da recém aprovada Lei de Acesso à Informação.

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Conectas, Justiça Global e a Pastoral Carcerária solicitaram hoje ao governo brasileiro que dê publicidade às recomendações formuladas ao País pelo Subcomitê para a Prevenção da Tortura (SPT) da ONU, enviadas oficialmente ao Brasil em 8 de fevereiro.

O SPT visitou o Brasil em setembro de 2011. O órgão teve contato com autoridades brasileiras e com representantes da sociedade civil, além de ter visitado centros de detenção, prisões, unidades de internação para adolescentes em conflito com a lei, entre outros. O monitoramento da situação da tortura e de maus-tratos em unidades de privação de liberdade, é feito de acordo com o estabelecido pelo Protocolo Facultativo da Convenção da ONU contra a Tortura (OPCAT).

De acordo com o OPCAT, as recomendações são comunicadas confidencialmente ao Estado, que pode decidir torná-las públicas. Com fundamento no direito constitucional de acesso à informação e na recentemente adotada Lei de Aceso à Informação as organizações requisitaram que as recomendações sejam tornadas públicas.

Na carta encaminhada ao Ministério de Relações Exteriores, Ministério da Justiça e Secretaria de Direitos Humanos, as organizações lembraram que a Lei de Acesso à Informação recém-aprovada estabelece um novo marco legislativo em que a transparência é a regra e o sigilo é a exceção.

Contatos:

José de Jesus Filho, Assessor Jurídico, Pastoral Carcerária,tel.: (11)8522-0210
Juana Kweitel, Diretora de Programas, Conectas, tel.: (11) 8352-5778
Sandra Carvalho, Diretora Adjunta, Justiça Global, tel.: (21) 8272-1916
São Paulo, 7 de março de 2012

LEIA MAIS EM
Envie notícias para:

PASTORAL CARCERÁRIA NACIONAL -PCrN/CNBB

Coordenação Executiva Nacional: Pe. Valdir João da Silveira, Ir. Petra Pfaller,
Heidi Ann Cerneka, José de Jesus Filho

6 de mar de 2012

Juiz do PA usa rede social para atacar jornalista

No Facebook, o juiz pede que seja denunciado ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para ser aposentado compulsoriamente. "Não seria punição, seria um prêmio."

Magistrado diz que foi 'satanizado' por editor
Um juiz que condenou um editor de jornal do Pará a pagar indenização a um empresário usou o Facebook para atacar o próprio jornalista.
Titular da 1ª Vara Cível de Belém, Amilcar Guimarães, 50, escreveu na rede social ter pensado em "dar sopapos" no jornalista Lúcio Flávio Pinto, 62, a quem chamou de "pateta" e "canalha".
"Pensei em dar-lhe uns sopapos, mas não sei brigar fisicamente; pensei em processá-lo judicialmente, mas não confio na Justiça", disse.
À Folha Guimarães confirmou a autoria das mensagens -disse tê-las escrito como forma de "protestar". "Fui satanizado [por Flávio Pinto]."
Em 2005, o juiz condenou o jornalista a pagar R$ 8.000 ao empresário Cecílio do Rego Almeida como indenização por danos morais.
O motivo da condenação foi reportagem do "Jornal Pessoal", mantido há 25 anos por Flávio Pinto, que citou Almeida, fundador do grupo C.R. Almeida, como "pirata fundiário", acusando-o de grilagem (apropriação ilegal) de terras na Amazônia.
Flávio Pinto é crítico do Judiciário paraense e questiona o fato de o juiz ter dado sentença ao processo, de 400 páginas, em um final de semana, quando substituía o juiz responsável.
Guimarães reconheceu à Folha não ter lido todos os autos. "O que é que o juiz precisa além de ler a reportagem?", questionou.
No Facebook, o juiz pede que seja denunciado ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para ser aposentado compulsoriamente. "Não seria punição, seria um prêmio."
O Tribunal de Justiça do Pará disse que considera as declarações do juiz de caráter pessoal, e que, por isso, não iria comentá-las.
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Fonte: Folha de São Paulo - 6/3/2012 

2 de mar de 2012

Homens (e mulheres) de preto - NELSON MOTTA


Como um capitão Nascimento da magistratura, a ministra Eliane Calmon está combatendo os bandidos de toga, os traficantes de sentenças e os vagabundos infiltrados no Judiciário, em defesa da imensa maioria de juizes honestos e competentes que honram a instituição. Por isso é alvo do tiroteio corporativo que tenta fazer de acusações a maus juízes suspeitas sobre toda a classe.
Para merecer os privilégios de que desfrutam, maior rigor é exigido dos que julgam. Nesta nobre função não basta ser honesto, é preciso parecer honesto, ter a integridade, a independência e a competência exigidas pela magistratura, para que a Justiça seja respeitada, e temida, porque sem ela não há democracia.

"Não tenho medo dos maus juízes, mas do silêncio dos bons juízes, que se calam quando têm que julgar colegas", fuzilou a faxineira-chefe, e quem há de contestá-la? Todo mundo entende as relações de amizade que se estabelecem ao longo de muitos anos de trabalho, mas quem escolhe esta carreira — ao contrário de engenheiros, médicos, advogados ou músicos — tem que estar preparado para julgar igualmente a todos, do batedor de carteiras ao presidente da República — e aos seus colegas.

Com razão, ela diz que os juízes de segundo grau, quando enveredam para o mal, são os mais deletérios, porque os de primeira instância, por corrupção ou incompetência, podem ter suas sentenças anuladas pelo colegiado do tribunal superior. Mas é quase impossível um desembargador ser condenado pelos seus pares.

A ministra os conhece bem: "esses malandros são extremamente simpáticos, não querem se indispor, dizem que o coração não está bom, que estão no fim da vida." Alguém imagina os desembargadores do Tribunal de Justiça, digamos, do Maranhão, condenando à pena máxima — aposentadoria remunerada — algum colega agatunado? Quanta pressão um juiz pode suportar do político que o nomeou ?

Por tudo isto a corregedora nacional apoia a emenda constitucional do senador Demóstenes Torres para que os desembargadores sejam julgados com isenção, não por seus colegas de tribunal, mas pelos juizes do Conselho Nacional de Justiça.
Publicado no Globo de hoje - 2/3/2012 - Caderno Opinião

29 de fev de 2012

Juízes vagabundos devem ser punidos, diz Eliana Calmon

"É dificílimo um tribunal julgar desembargador. Se ele tem a simpatia do colegiado, e os malandros são sempre extremamente simpáticos, o tribunal não tem poderes para julgar. Eu não tenho medo dos maus juízes, mas do silêncio dos bons juízes que se calam na hora do julgamento."

26 de fev de 2012

Punir mais só piora crime e agrava a insegurança

É preciso responsabilizar o Poder Judiciário e a polícia pelos presídios
*Quando você aumenta muito a população carcerária, algo precisa ser feito. Na Itália, há cada cada quatro, cinco anos há anistia.
*Entre os nórdicos, quando um juiz condena um preso, ele precisa saber a quantidade de vagas na prisão. Se não há vaga, outro preso precisa sair. O juiz indica quem sai.
*Porque é preciso responsabilizar o Poder Judiciário e a polícia pelos presídios. O cárcere tem de ser destinado aos mais perigosos. Uma prisão de merda custa 250 por dia na Itália. Não faz sentido usar algo tão caro para qualquer criminoso.
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Entrevista com Massimo Pavarini, um dos maiores criminólogos do mundo, autor - junto com Dario Melossi - de "Cárcere e Fábrica", um clássico da criminologia crítica. leia completa

25 de fev de 2012

Superpopulação carcerária - Drauzio Varella

O lema "lugar de bandido é na cadeia" é vazio e demagógico.
Não temos prisões suficientes.
As fábricas de ladrões e traficantes jogam mais profissionais no mercado do que sonha nossa vã pretensão de aprisioná-los.
Levantamento produzido pela Folha, com base nos censos realizados nas 150 penitenciárias e nas 171 cadeias públicas e delegacias de polícia, mostra que o Estado de São Paulo precisaria construir imediatamente mais 93 penitenciárias, apenas para reduzir a superlotação atual e retirar os presos detidos em delegacias e cadeias impróprias para funcionar como presídios.
Para Lourival Gomes, o atual secretário da Administração Penitenciária, cuja carreira acompanho desde os tempos do Carandiru, profissional a quem não faltam credenciais técnicas e a experiência que os anos trazem, o problema da falta de vagas não será resolvido com a construção de prisões.
Tem razão, é guerra perdida: no mês passado, o sistema prisional paulista recebeu a média diária de 121 novos detentos, enquanto foram libertados apenas 100. Ficaram encarcerados 21 a mais todos os dias.
Como os presídios novos têm capacidade para albergar 768 detentos, seria necessário construir mais um a cada 36 dias, ou seja, 10 por ano.
Esse cálculo não leva em conta o aprimoramento técnico da polícia. Segundo o mesmo levantamento, a taxa de encarceramento, que há oito meses era de 413 pessoas para cada 100 mil habitantes, aumentou para 444. Se a PM e a Polícia Civil conseguissem prender marginais com a eficiência dos policiais americanos (743 para cada 100 mil habitantes), seria preciso construir uma penitenciária a cada 21 dias.
Agora, analisemos as despesas. A construção de uma cadeia consome R$ 37 milhões, o que dá perto de R$ 48 mil por vaga. Para criar uma única vaga gastamos mais da metade do valor de uma casa popular com sala, cozinha, banheiro e dois quartos, por meio da qual é possível retirar uma família da favela.
Esse custo, no entanto, é irrisório quando comparado aos de manutenção. Quantos funcionários públicos há que contratar para cumprir os três turnos diários? Quanto sai por mês fornecer três refeições por dia? E as contas de luz, água, material de limpeza, transporte, assistência médica, jurídica e os gastos envolvidos na administração?
Não sejamos ridículos, caro leitor. Se nossa polícia fosse bem paga, treinada e aparelhada de modo a mandar para atrás das grades todos os bandidos que nos infernizam nas ruas, estaríamos em maus lençóis. Os recursos para mantê-los viriam do aumento dos impostos? Dos cortes nos orçamentos da educação e da saúde?
Então, o que fazer? É preciso agir em duas frentes. A primeira é tornar a Justiça mais ágil, de modo a aplicar penas alternativas e facilitar a progressão para o regime semiaberto, no caso dos que não oferecem perigo à sociedade, e colocar em liberdade os que já pagaram por seus crimes, mas que não têm recursos para contratar advogado.
A segunda, muito mais trabalhosa, envolve a prevenção. Sem diminuir a produção das fábricas de bandidos, jamais haverá paz nas ruas. Na periferia de nossas cidades, milhões de crianças e adolescentes vivem em condições de risco para a violência. São tantas que é de estranhar o pequeno número que envereda pelo crime.
Nossa única saída é oferecer-lhes qualificação profissional e trabalho decente, antes que sejam cooptados pelos marginais para trabalhar em regime de semiescravidão.
Há iniciativas bem-sucedidas nessa área, mas o número é tímido diante das proporções da tragédia social. É necessário um grande esforço nacional que envolva as diversas esferas governamentais e mobilize a sociedade inteira.
Como parte dessa mobilização, é fundamental levar o planejamento familiar para os estratos sociais mais desfavorecidos. Negar-lhes o acesso à lei federal que lhes dá direito ao controle da fertilidade é a violência mais torpe que a sociedade brasileira comete contra a mulher pobre.
O lema "lugar de bandido é na cadeia" é vazio e demagógico. Não temos nem teremos prisões suficientes. Reduzir a população carcerária é imperativo urgente. Não cabe discutir se estamos a favor ou contra, não existe alternativa. Empilhar homens em espaços cada vez mais exíguos, não é mera questão de direitos humanos, é um perigo que ameaça todos nós. Um dia eles voltarão para as ruas.

Fonte: Folha de São Paulo - 25/2/2012

24 de fev de 2012

Reflexão sobre as cinzas

A lição das Cinzas
João Baptista Herkenhoff

Creio que a lição das Cinzas transpõe o horizonte católico e até mesmo o horizonte cristão. Há uma grande pedagogia na imposição das cinzas. As cinzas não nos lembram apenas que somos pó e em pó nos converteremos, segundo a frase latina de grande impacto: “Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris.” A advertência das cinzas vai além, como tentaremos demonstrar neste artigo.

À face das cinzas, o Padre Antônio Vieira mostrou-se perplexo, num dos seus mais belos e famosos sermões, justamente aquele proferido na Quarta-Feira de Cinzas de 1670, na Igreja de Santo Antônio dos Portugueses, em Roma.

Disse Vieira: “O pó futuro, o pó em que nos havemos de converter, vêem-no os olhos; o pó presente, o pó que somos, nem os olhos o vêem, nem o entendimento o alcança.”

A fim de provar que o pó presente é verdadeiro, não obstante de difícil apreensão, ou seja, que já somos pó, Vieira desenvolve rigorosa argumentação, vazada num estilo límpido e elegante. Não foi sem razão que Rui Barbosa deu três conselhos a todos aqueles que pretendam, não apenas aprender Português, mas descobrir as riquezas e maravilhas da Língua Portuguesa. Primeiro conselho: ler Vieira. Segundo conselho: reler Vieira. Terceiro conselho: ler mais uma Vieira.

Voltemos à questão que colocamos no primeiro parágrafo deste texto: por que a lição das cinzas ultrapassa o horizonte cristão?

Creio que as cinzas não são apenas um ensino de Fé, mas também uma lição de vida, endereçada às mais diversas situações diante das quais nos defrontamos. As cinzas revelam a transitoriedade das coisas, motivo pelo qual as vaidades são ilusórias.

Lembra-te, jovem, de que és jovem hoje, mas não serás jovem sempre. Respeita o idoso, presta tributo à velhice.

Lembra-te, tu que estás usufruindo de perfeita saúde, és sadio hoje mas poderás ser enfermo amanhã. Visita os que estão doentes, comprometa-te com a defesa da saúde pública exigindo dos governos que esse item tenha prioridade na agenda política.

Lembra-te, tu que estás no apogeu da fama ou da riqueza, que o brilho de que desfrutas não é eterno. Procura ser humilde.

Lembra-te, tu que exerces função pública de destaque e deténs uma cota de poder, tua função é transitória, os que hoje te bajulam amanhã te desprezarão, procura servir com devotamento à causa pública pois o que fizeres de bom será consolo e alimento de tua alma quando a penumbra chegar.

Lembra-te, tu que estás a produzir tesouros no domínio das ciências, das artes ou das letras, os dotes do espírito podem fenecer e nem mesmo tens a garantia de desfrutar para sempre de lucidez intelectual. Foge do orgulho e da empáfia.

Lembra-te, tu que estás vivo e fulgurante, que o túmulo é o teu destino final. Respeita a reverencia a morte, cultiva a memória dos que partiram.

As cinzas dizem a todos, cristãos ou não cristãos, crentes ou incrédulos, que tudo é passageiro porque realmente somos pó e em pó haveremos de nos tornar.

Não é uma lição de pessimismo, um convite ao desânimo, mas uma advertência para coibir o egoísmo e apontar para a solidariedade, a simplicidade e a virtude.


João Baptista Herkenhoff é professor pesquisador da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha (ES), palestrante e escritor. Autor de Ética para um mundo melhor (Thex Editora, Rio).

É livre a divulgação ou reprodução deste texto, por qualquer meio ou veículo.

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Tortura em prisão no ES tem imediata reação do Judiciário

UMA GRAVAÇÃO EM VÍDEO DIVULGADA PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA APONTA SUSPEITA DE TORTURA CONTRA PRESOS NO CDP DE ARACRUZ. A DIREÇÃO DO PRESÍDIO JÁ FOI AFASTADA.
Embora triste e lamentável a notícia de tortura em pleno século XXI, cumprimentamos o TJ do Espírito Santo pela imediata apuração e afastamento dos envolvidos.

23 de fev de 2012

Prisões lotadas

Editorial da Folha de São Paulo, 23/2

Nada mais parecido com enxugar gelo do que enfrentar o problema da superlotação de prisões no Brasil. No Estado de São Paulo, por exemplo, há 15 presídios em construção, mas seria necessário erguer outros 93 para dar cabo do deficit de mais de 83 mil vagas.

As 93 prisões que faltam custariam ao contribuinte paulista R$ 3,4 bilhões, recurso que obviamente não está disponível. Isso para não falar da dificuldade de encontrar cidades dispostas a abrigar unidades prisionais.

Sucessivas administrações do PSDB no Estado elegeram a construção de presídios como prioridade, mas o número de detentos aumenta mais depressa. São 185 mil, para 102 mil vagas. Há casos de superlotação grave, como o Centro de Detenção Provisória 4, com 1.788 detentos -3,5 vezes mais que a capacidade desse "novo Carandiru".

São Paulo tem uma taxa de encarceramento de 444 pessoas por grupo de 100 mil habitantes. É uma cifra intermediária entre a média nacional (259/100 mil) e a dos Estados Unidos (743/100 mil), que tem a maior população carcerária do mundo (2,3 milhões de presos).

O drama da superpopulação só tende a piorar com o desejável aumento da eficiência no trabalho policial. Estima-se que existam 500 mil mandados de prisão aguardando cumprimento no Brasil.
Outro fator que concorre para superlotar prisões está na lentidão dos tribunais em libertar quem deveria estar fora da cadeia. O próprio CNJ (Conselho Nacional de Justiça) vem patrocinando mutirões para tanto, e pelo menos 21 mil pessoas ilegalmente presas foram soltas graças a eles. Além disso, foram concedidos 41 mil benefícios a que os detentos faziam jus, como regime semiaberto.

As prisões brasileiras estão cheias de criminosos que cometeram delitos menores e poderiam receber penas alternativas à de prisão. A lei 12.403, de maio de 2011, faculta ao magistrado uma série de medidas cautelares para substituir prisões preventivas, que também contribuem para lotar as cadeias.
Não é o caso de esvaziar prisões de modo artificioso, mas de evitar a sobrecarga inútil. Um sistema prisional menos injusto começa pela manutenção em cárcere só de quem precisa ficar encarcerado.

22 de fev de 2012

Ordem judicial garante a condenado por tortura o direito de tomar posse como diretor de presídio

Condenado por tortura de presos assume direção de presídio em Goiás
A Pastoral Carcerária vem a público manifestar repúdio à portaria do presidente da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agesp), Sr. Edemundo Dias, que acaba de nomear para a direção do Centro de Prisão Provisória de Aparecida de Goiania, o agente prisional Romeu Fonseca Lopes, condenado em primeira instância pela Justiça por tortura de 23 presos. Confira a sentença.

O estado de Goiás conta com muitos agentes peniteniciários capazes de administrar prisões sem recorrer à violência e a outras práticas criminosas contra presos. Nomear alguém com condenação por tortura em massa de presos revela o descaso do Governo de Goiás com os direitos da pessoa, estimula a violência institucional e comunica aos bons agentes que não há lugar para eles no sistema prisional goiano.
Além disso, ao promover agentes com histórico de acusações por violência desmedida contra presos, o estado de Goiás coloca em risco não só a população prisional, mas também a própria credibilidade do sistema prisional.


A Pastoral Carcerária de Goiás e o Conselho da Comunidade já haviam enviado carta ao presidente da Agência pedindo para não nomear para cargos de confiança, especialmente para a direção de presídios, o senhor Romeu Fonseca Lopes e outros condenados por tortura de presos. O Sr. Edemundo Dias jamais respondeu à carta e tampouco a levou em conta, pois acaba de premiar um deles com a direção do CPP de Aparecida de Goiânia.
A Pastoral Carcerária convida você a se manifestar contra esse ato de desrespeito aos direitos humanos. Acesse este link e escreva para o presidente da Agesp pedindo para ele revogar o ato de nomeação.
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Leia completo no Pastoral carcerária

18 de fev de 2012

Incêndio no presídio de Comayagua, em Honduras

'A polícia queria que todos morressem'

Brasileiro sobrevivente de incêndio em presídio de Honduras diz que agentes se negaram a abrir portões; 356 morreram
"Estou aqui no inferno", diz o brasileiro Adilio Gomes Sobral, 50, à Folha, ao atender o celular. Ele fala de dentro do presídio de Comayagua, em Honduras, onde um violento incêndio deixou 356 mortos na última terça-feira.

O número de vítimas, para Sobral, é reflexo da ação da polícia -que, diz, propositalmente manteve prisioneiros nas celas durante o incêndio.

"Os policiais encarregados de abrir os portões jogaram fora as chaves. Eles queriam que todo o mundo morresse."

Em entrevista à Folha anteontem, um porta-voz do Ministério Público afirmou que investigará quais foram as "situações que podem ter levado a algum tipo de atraso".

Sobral compara os bombeiros a tartarugas e mede o tempo de espera como uma "eternidade". Ele diz ter sido salvo não pelas autoridades, mas por um enfermeiro que passou diante da cela, tomou as chaves e abriu o portão. "Por um minuto, eu não estaria contando essa história."

Mesma sorte não tiveram diversos dos colegas de cela.

"Havia uns 40 corpos dentro do tanque de água. Eles se refugiaram no banheiro, mas eu esperei nos portões", diz.

Foram momentos de desespero. "O calor estava quase queimando a gente, e a fumaça asfixiava", conta. Ele, que foi dado como morto anteontem pela embaixada brasileira, não teve queimaduras.

"Vi muitos amigos morrerem. Também vi quando retiraram os mortos. Todos queimados. O fogo comeu tudo. Só o esqueleto ficou", conta.

Sobral confirma, durante a entrevista, os relatos que têm sido feitos pela imprensa sobre Comayagua. Celas superlotadas, por exemplo -na dele, 107 presos para um espaço que ele estima ser suficiente para 60. "Muita gente tinha de dormir no chão."

Agora, dormem espalhados pelo que sobrou. Na quadra, na igreja, na escola e "nas mesas de sinuca".

Dentro do presídio, não é permitido usar celular. "Mas se paga", explica Sobral. Por volta de US$ 50 (R$ 85). "Falo escondido da polícia, mas todos os presos sabem."

Ontem à tarde, ele procurava alguém que lhe emprestasse um carregador. O dele perdeu-se durante o incêndio.

Nascido no interior de Sergipe, Sobral cresceu em São Paulo -de onde mudou-se aos 19 anos, para jogar futebol. Ele se incomoda ao falar da carreira, não quer dar detalhes sobre esses anos. Mas conta que, desde então, morou pela América Latina.

Ele está em Comayagua há cinco anos. Foi preso há dois anos e nove meses pelas acusações de tráfico de pessoas e abuso de menores, de que se diz "totalmente inocente".

Sobral não mantém contato com a família no Brasil. Em Comayagua, teve mulher e um filho, hoje com quase três anos, a quem sustentava com a renda de uma discoteca.

Como boa parte dos presos ali, ele ainda não tem sentença. Um documento oficial divulgado por agências de notícias, nesta semana, dá conta de que 57% dos presos de Comayagua ou aguardavam julgamento ou estavam detidos por suspeita de serem membros de gangues locais.

"Quero pedir reparação a esse país", afirma. "Não só pelo incêndio, mas por estar detido sendo inocente."
Ontem, Sobral repassou essas reclamações a Zenik Krawctschuk, o embaixador brasileiro em Honduras. À Folha, o diplomata disse que a embaixada irá providenciar um kit de higiene pessoal e roupas. "O sistema penitenciário é bastante limitado."

A ONU pediu, ontem, investigação independente sobre o incêndio. Para o comissariado de direitos humanos, o desastre é consequência de "uma série de problemas endêmicos, como a superlotação carcerária". Segundo a ONU, Comayagua tem condição para manter 250 pessoas. O local abrigava mais de 800.

Fonte: Folha de São Paulo - São Paulo, sábado, 18 de fevereiro de 2012

12 de fev de 2012

De onde vem a segurança pública no Brasil


Foto premiada em 1983
Imagem de Luiz Morie, retratada em uma favela do Rio Janeiro no ano de 1983. 95 anos após o fim da escravidão. A semelhança com as imagens do Capitão do Mato, são gritantes; e revela que a repressão a população negra e pobre compõe o DNA da segurança pública no Brasil. As instituições policiais brasileiras costumam romantizar sua história, como uma “Legião de Idealistas”; cheia de glórias. Esqueça o resultado das pesquisas na Wikipédia, mostrando a nobreza meticulosamente construída das policias; nos sites do governo, ou as histórias contadas pelos oficiais militares sobre a origem de suas Forças Públicas. A polícia ostensiva em nosso país, é herança direta da escravidão e das contradições de uma sociedade hierarquizada.


Fonte: Agência de Notícias das Favelas - ANF

6 de fev de 2012

“Vade retro, politico de ficha suja”

Ficha suja, vade retro
João Baptista Herkenhoff

“Vade retro, Satanás”, ou simplesmente “Vade retro”, é um exorcismo medieval utilizado para afastar o demônio. A expressão latina “vade retro” pode ser traduzida pelo vernáculo: “afasta-te”.

Suponho que é bastante apropriado recorrer à formula medieval para esconjurar os políticos manchados por condenação criminal: “vade retro, ficha suja”.

O Supremo Tribunal Federal ainda não se pronunciou sobre a aplicação, nas próximas eleições municipais, da lei que obsta a candidatura dos ficha-suja.

Será lamentável que fichas sujas possam disputar mandato de Prefeito e de Vereador no pleito eleitoral que se avizinha.

As pessoas mais simples e humildes, por sabedoria intuitiva, pensam que larápio não deve legislar ou governar. Mas essas pessoas mais simples e humildes, cuja consciência moral repudia os ladrões, não sabem o nome deles, nem mesmo o nome daqueles de seu município. É bastante difícil para o eleitor comum a análise da vida pregressa dos candidatos.

A lei que exclui da disputa eleitoral o ficha suja cumprirá esse papel: revelar ao povo, por exclusão, a face oculta dos desonestos.

Seria altamente pedagógico que a lei que barra o ficha suja tivesse sua primeira vigência num pleito municipal. O Município é a célula fundamental da vida política.

Os mandatos municipais – de Prefeito, Vice-Prefeito, Vereador – são os que devem ter maior significado moral para aqueles que por tais mandatos sejam consagrados. Não são apenas mandatos, são medalhas de mérito: representam o reconhecimento do povo a cidadãos da cidade onde a pessoa vive. Quanto à vereança, não é um emprego, é um serviço que, em outros tempos, era exercido gratuitamente. É razoável que hoje se admita um moderado jeton indenizatório dos dias de trabalho do Vereador, sempre que o exercício da Vereança impuser perda de renda. A gula revelada por algumas Câmaras Municipais tem causado perplexidade. Justamente porque ser Prefeito ou Vereador é altissimamente honroso, os pretendentes a esses cargos não podem estar maculados por sujeira na biografia.

Torcemos para que, com lei de ficha limpa, ou sem lei de ficha limpa, sejam oferecidas ao povo informações seguras, de modo que o eleitorado possa dizer “vade retro, satanás”, “vade retro, politico de ficha suja”.

Se houver uma grande campanha de esclarecimento, da qual deverão participar as instituições da sociedade civil, as igrejas, as escolas, será possível obter esse resultado.

Se o Supremo boicotar a lei que exige ficha limpa, mas mesmo assim o povo recusar os ficha-suja, ficará evidente que o sentimento de cidadania do eleitorado supera o sentimento de cidadania dos ministros do STF.
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João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado, é professor da Faculdade Estácio de Sá do Espírito Santo e escritor. Acaba de publicar: Curso de Direitos Humanos, pela Editora Santuário, de Aparecida, SP.
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É livre a divulgação deste artigo, por qualquer meio ou veículo, inclusive transmissão de pessoa para pessoa.

4 de fev de 2012

Cacciola na Folia

Sabem quem eu vi hoje no O Globo? O Cacciola... todo sorridente na Sunset Folia da Veuve Clicquot, na Cavist Ipanema. Já está livre, na condicional. Também, coitado, ele só lesou os cofres públicos, não praticou nenhum crime grave como esses furtos de xampu e chocolates em supermercado que levam muitas pessoas para a prisão. Nossa justiça não dorme em serviço.

2 de fev de 2012

Furtou chuveiro, duas bonecas e quatro xampus no país onde matar pode

Vídeo mostra presa algemada no pós-parto

Mulher está na cadeia sob suspeita de furtar chuveiro, duas bonecas e quatro xampus; juiz já determinou libertação
Grávida de sete meses de uma menina, Elisângela Pereira da Silva, 32, foi presa em flagrante em novembro. A suspeita: furtar um chuveiro, duas bonecas e quatro xampus das lojas Americanas do centro de São Paulo.
Levada a uma prisão superlotada, o Centro de Detenção Provisória de Franco da Rocha, região metropolitana, Elisângela deu à luz no sábado em um hospital da cidade vizinha Francisco Morato.
Horas após o parto, ela foi algemada pela perna e pelo braço direito à cama, conforme revelou anteontem o "Jornal da Record", da TV Record.
Um vídeo com três minutos de duração, gravado dentro do Hospital Estadual Professor Carlos da Silva Lacaz, mostra o tratamento dispensado a Elisângela no pós-parto.
Nas imagens, Elisângela exibe o corte da cesariana a que havia sido submetida.
"O parto é um momento singular na vida de uma mulher que precisa ser respeitado", diz César Eduardo Fernandes, presidente da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo).
Segundo o obstetra, no caso de uma detenta, o ideal seria usar outros meios de coibir uma eventual fuga como, por exemplo, aumentar o número de pessoas da escolta.

Em novembro de 2011, a Folha revelou relatos de detentas que davam à luz algemadas no Estado de São Paulo.
À época, o governo paulista negou o uso de algemas durante o parto ou depois dele.

Segundo resolução da ONU de 2010, da qual o Brasil participou da redação, é vedado o uso de instrumentos de contenção no trabalho de parto, durante o parto ou depois.

No caso de Elisângela, as autoridades dizem que ela foi algemada no dia seguinte ao parto após morder a mão direita de uma agente penitenciária que fazia a escolta.

Depois de ser liberada do hospital na segunda, Elisângela voltou ao presídio e sua filha ficou na UTI neonatal por ter nascido com sífilis.

Ontem, ao atender pedido de liberdade provisória da defensora pública Tatiana Mendes Simões, que cuida do caso de Elisângela, o juiz Marcos Alexandre Coelho Zilli determinou a liberação da presa, que passará a responder ao processo em liberdade.
A Defensoria Pública, o Grupo Tortura Nunca Mais e o MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos) pediram investigação do caso.

"Temos inúmeros relatos sobre o uso de algemas. Mas esse caso é concreto. O vídeo prova tudo. Isso pode se enquadrar em crimes de abuso de autoridade, agressão ou até tortura", diz Carmen Silvia de Moraes Barros, do Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria.
Folha de São paulo - 2/2/2012 - Cotidiano
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Eliminação deste câncer, JUDICIÁRIO LENTO e CORRUPTO

Artigo escrito por J. R. Guzzo, filho de juiz, em apoio ao CN:

Amigas e amigos,

Estamos diante de um dos mais significativos momentos da história da Democracia deste país e parece que poucos estão percebendo isto, explico:
Trava-se uma verdadeira batalha no Judiciário, pois pela primeira, repito, pela PRIMEIRA VEZ neste país varonil, alguém ousa investigar toda a SUJEIRA que há por debaixo deste tapete chamado Judiciário. Este poder que sempre foi, dos 3 que temos, o intocável.
O CNJ, através de uma corajosa Corregedora, Ministra, Dra. Eliana Calmon, vem descobrindo as históricas sujeiras deste poder, em todas as suas esferas, inclusive dos mais altos magistrados da mais alta corte do país, e a reação vem então de forma avassaladora. Quando o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) começa a tornar público o resultado de suas investigações das diversas instancias do Judiciário, a mais alta corte, o Supremo, e as associações de juízes, reagem e querem CALAR a boca desta, que representa até então, a mais inteligente iniciativa para extirpar este Cancer de nossa sociedade, a corrupção, os abusos de poder, a impunidade, e a morosidade do Judiciário deste país.

Eu não tenho dúvidas que, ao lado da EDUCAÇÃO, a JUSTIÇA, ambas com os piores predicados que poderíamos ter, são a FONTE PRIMEIRA e todos os demais males neste país. Um povo, uma sociedade que tem sua EDUCAÇÃO deficitária e sua JUSTIÇA lenta e corrupta, jamais, repito, JAMAIS, alcançará a Democracia plena e seu Desenvolvimento Social e econômico pleno. Não adianta Copa do mundo, Olimpíadas, Pré Sal, balança comercial forte, nada disto, pois, pelo contrário, ao ficar mais rico, ficaremos mais DESIGUALITÁRIOS, claro, pois esta riqueza adicional será acumulada por poucos. Simples assim: Sem EDUCAÇÃO e JUSTIÇA plenas, não há desenvovimento social sustentável. Será que ainda temos dúvidas sobre isto?
E mais, não adianta ir às ruas, como vimos fazendo, para combater a corrupção, combater o excesso de carga tributária, combater a falta de segurança, porque estes problemas são sintomas, são consequências, são efeitos do mal maior, dos "cânceres" a EDUCAÇÃO e JUSTIÇA deficitárias.

Logo, proponho uma verdadeira enxurrada de mensagens e posts para APOIAR a CORAGEM do CNJ através da Ministra Dra. ELIANA CALMON e sua Equipe, pois ela representa a nossa voz para iniciarmos a eliminação deste câncer, JUDICIÁRIO LENTO e CORRUPTO.

Façamos a nossa parte pois do contrário, assim como a juiza Patricia Acioli foi ASSASSINADA no Rio por policiais que estavam sendo investigados por ela, mais uma mulher de CORAGEM será "assassinada" neste país, só que de uma maneira muito mais letal, será assassinada, calada, pelos Juízes.

Quem os julgará? Façamos barulho. Façamos nossa parte em apoio ao CNJ e a Dra. ELIANA CALMON.
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Se você concorda com isto, replique este texto e envie aos seus Amigos
Estou tentando fazer a minha parte, faça a sua!!!

PS: Este que vos escreve, assim como a maioria absoluta dos que me leem agora, vem sendo regido, fiscalizado, julgado e punido ou absolvido, todas as vezes que erra, seja em desrespeito a uma lei de transito, seja na declaração de um imposto, seja no não recolhimento de um tributo devido.
Por que somente eu (nós), cidadão comum, tenho que ser alvo deste rito?
Por que os "togados" também não podem ser submetidos a estas mesmas leis?
Não quero isenção de penas para mim (para nós), mas quero esta mesma justiça para eles também.