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10 de mar. de 2010

Barbárie carcerária brasileira será debatida na ONU

No artigo de Elio Gaspari na Folha de São Paulo, 7 de março de 2010, temos a descrição da barbárie prisional no Espírito Santo e a notícia de que o assunto será discutido na ONU. No fim do artigo, o jornalista dá o endereço na internet com o relatório da associação CONECTAS DIREITOS HUMANOS com as fotos dos presos esquartejados e o pedido de intervenção no ES.
Segue o artigo:
As masmorras de Hartung aparecerão na ONU
ELIO GASPARI
O economista bem educado governa no ES um sistema prisional que envergonharia o soba do Uzbequistão
NA PRÓXIMA segunda-feira, dia 15, o governador Paulo Hartung (PMDB-ES) tem um encontro marcado com o infortúnio. Depois de anos de negaças, o caso das "masmorras capixabas" será discutido em Genebra, num painel paralelo à reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Hartung tem 52 anos, um diploma de economista e a biografia de um novo tipo de político. Esteve entre os reorganizadores do movimento estudantil no ocaso da ditadura. Filiou-se ao PSDB, ocupou uma diretoria do BNDES, elegeu-se deputado estadual, federal, e senador.
Na reunião de Genebra estará disponível um "dossiê sobre a situação prisional do Espírito Santo". Tem umas 30 páginas e oito fotografias que ficarão cravadas na história da administração de Hartung. Elas mostram os corpos esquartejados de três presos. Um, numa lata. Outro em caixas e uma cabeça dentro de um saco de plástico. Todos esses crimes ocorreram durante sua administração. Desde a denúncia da fervura de presos no Uzbequistão o mundo não vê coisa parecida.
As "masmorras capixabas" são antigas, mas a denúncia teve que ser levada à ONU porque as organizações de defesa dos direitos humanos não conseguem providências do governo do Espírito Santo, nem do comissariado de eventos de Nosso Guia. Sérgio Salomão Checaira, presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, demitiu-se em agosto do ano passado porque não teve apoio do Ministério da Justiça para reverter o quadro das prisões de Hartung. Há um mês, uma comitiva que visitava o presídio feminino de Tucum (630 presas numa instituição onde há 150 vagas) foi convidada a deixar o prédio. Se quisessem, poderiam conversar com as prisioneiras pelas janelas.
O Espírito Santo tem 7.000 presos espalhados em 26 cadeias, com uma superlotação de 1.800 pessoas. Há detentos guardados em contêineres sem banheiro (equipamento apelidado de "micro-ondas"). Celas projetadas para 36 presos são ocupadas por 235 desgraçados. Alguns deles ficam algemados pelos pés em salas e corredores.
Os governantes tendem a achar que os problemas vêm de seus antecessores, que as soluções demoram e que, em certos casos, não há o que fazer. Esquecem-se que têm biografias.
O relatório com fotos dos esquartejados está no seguinte endereço:
Aviso: é barra muito, muito pesada.

9 de mar. de 2010

Dia Internacional da MULHER, no Presídio de Cataguases

Aula de artesanatos em chinelos, cada uma confeccionou o seu, esnobaram criatividade e bom gosto, com a orientação da professora D.Gracinha.
"Tenho 39 anos e isso nunca aconteceu antes em toda a minha vida", disse uma das detentas.
A programação foi intensa, durante todo o dia, iniciando, às 8:30h, com a palestra da médica ginecologista Dra. Maria Beatriz Freire. "A dra. Beatriz foi de uma sabedoria e simplicidade incrível, as detentas amaram", informou a Irmã Bethe, professora no presídio e organizadora do evento.
"Quando poderíamos imaginar que um dia isso estivesse acontecendo aqui nesta cadeia cheia de guerras, ódios e violências, e agora após a chegada do nosso "anjo da guarda", Sr. Carlos diretor do presidio, tudo mudou para melhor", disse a detenta Priscila.
PARABÉNS aos diretores do presídio, sr. Carlos e sr. Laércio, à profa. Beth e a todos os demais participantes que colaboraram para que esse maravilhoso evento se realizasse.
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Mais detalhes e a programação do evento no blog da Irmã Bethe

8 de mar. de 2010

Barbárie no Espírito Santo

Presídio Novo Horizonte - Inspeção do CNJ
ONU vai analisar condições precárias em cadeias do ES
Há relatos de presos colocados em contêineres, com temperatura de quase 50C, e casos de esquartejamentos. Governo capixaba admite que há problemas, mas afirma que foram feitos investimentos "pesados", com construção de unidades
SÍLVIA FREIREDA AGÊNCIA FOLHA
O sistema prisional do Espírito Santo -superlotado e violento- será exposto na Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, no dia 15. O tema foi levado por ONGs à plenária da sessão anual do conselho, iniciada na semana passada.
O escopo de ação da entidade é limitado, mas ser citado por abusos no principal fórum internacional de direitos humanos constrange o país.A alta comissária da ONU para a questão, Navanethem Pillay, se disse preocupada com a situação prisional e afirmou ter conversado sobre o assunto com autoridades do país.
O secretário da Justiça do Espírito Santo, Ângelo Roncalli, disse que o governo Paulo Hartung (PMDB) reconhece que o sistema tem problemas, mas que foram feitos investimentos "pesados" com a inauguração de 16 novas unidades e previsão de outras 11 até março de 2011.O processo de construção de presídios é lento, afirma, devido às resistências dos municípios em receber as unidades.
Para o advogado Bruno de Souza Toledo, presidente da Comissão Estadual de Direitos Humanos e que fará o relato da situação à ONU, a resposta do governo às denúncias de maus-tratos foram insuficientes.
Condições de insalubridade e de violência nos presídios capixabas, com presos detidos em contêineres, com temperatura de quase 50C, e relatos de esquartejamentos e espancamentos, já foram alvos de denúncias no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e à Procuradoria Geral da República."Temos instituições comprometidas com o crime e que não atuam como deveriam.
* Como permitir que a Casa de Custódia de Viana tenha funcionado até 2009?
* Como o Ministério Público não pediu a intervenção?
* Como o Judiciário permitiu que fossem colocados mais presos lá depois de esquartejamentos?", diz o advogado.
Em abril de 2009, a Casa de Custódia de Viana, de 360 vagas, abrigava 1.213 presos.
Fonte : Folha de São Paulo -08/03/2010 - Caderno cotidiano

NOTA do Recomeço
Hoje a TV Record apresentou um excelente documentário mostrando toda a barbárie no sistema prisional do ES. Quem assistiu ficou estarrecido com o que viu, um verdadeiro horror, incompatível com um país onde vigora o Estado de Direito.
Para mim, o maior culpado e responsável é o sistema Judiciário, que vai aprisionando sem se preocupar com a superlotação e sem lançar mão do contingente de penas alternativas, restritivas de direitos em detrimento da pena de prisão. Acorda, Judiciário!!!

Mulheres sob julgamento

No Dia Internacional da Mulher, homenagem a todas as Mulheres do Brasil.
João Baptista Herkenhoff
Na sociedade brasileira, a mulher ainda é discriminada e oprimida. Se há discriminações e opressões atingindo o negro, o migrante, o trabalhador modesto, o pobre, essas discriminações avultam quando estão encarnadas na pessoa de uma mulher – a negra, a mulher migrante, a trabalhadora modesta, a mulher pobre.
Na minha vida de juiz creio ter tido um olhar de ternura para com as mulheres que, oprimidas, tiveram de sentar-se no banco dos réus.
Vou começar pelo caso da empregada doméstica que estava presa sob a acusação de que cometera crime de furto na casa onde trabalhava. Tinha tirado de uma caixa onde havia mais dinheiro apenas o valor de uma passagem de trem para regressar à casa da mãe em Governador Valadares. Agiu assim depois que os patrões se recusaram a lhe pagar pelo menos os dias trabalhados alegando que ela só teria direito de receber salário depois que completasse um mês de casa.
No dia desse julgamento, a sala de audiências estava cheia. Alguém tomou a iniciativa e recolheu a quantia suficiente para comprar a passagem de que a moça precisava.
Terminei minha decisão com estas palavras:
“Lamento que a Justiça não esteja equipada para que o caso fosse entregue a uma assistente social que acompanhasse esta moça e a ajudasse a retomar o curso de sua jovem vida. Se assistente social não tenho, tenho o verbo e acredito no poder do verbo porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Invoco o poder deste verbo, dirijo a Deus este verbo e peço ao Cristo, que está presente nesta sala, por Neuza. Que sua lágrima, derramada nesta audiência, como a lágrima de Madalena, seja recolhida pelo Nazareno.”
Numa outra decisão, mandei libertar Marislei e Telma, que foram presas como vadias, num dia de sábado. Lembrei Vinícius de Moraes que consagrou o sábado como dia de ócio. Nessa mesma decisão observei que, curiosamente, nenhum rico preguiçoso é processado por vadiagem.
Numa terceira decisão, libertei Maria Lúcia, meretriz, acusada de suposta tentativa de homicídio contra um "cliente" que quis dela abusar, desrespeitando sua dignidade de pessoa humana.
Numa quarta decisão absolvi uma jovem acusada da prática do crime de aborto. Segundo as testemunhas, toda noite embalava um berço vazio, como se nele houvesse uma criança. Percebi que não era suficiente eximi-la do processo penal mas libertá-la também do sentimento de culpa que a atormentava. Disse-lhe então: “Você é muito jovem, sua vida não acabou. Esta criança, que ia nascer, não existe mais. Você poderá ter outras crianças que alegrem sua vida. Eu a absolvo mas você vai prometer não mais embalar um berço vazio.”
Numa quinta decisão, absolvi mãe adotiva que registrou filho alheio como próprio, ferindo artigo expresso do Código Penal. Ponderei, na sentença, que o ato da acusada não ferira direito de terceiros. Ela apenas pretendeu fazer uma “adoção” por caminhos transversos.
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João Baptista Herkenhoff é Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo, professor pesquisador da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha e escritor.

6 de mar. de 2010

Até que enfim: CNJ define que crimes contra a vida passam a ser prioridade no Judiciário

Depois de ter criado metas no ano passado para reverter a tradicional morosidade do Judiciário brasileiro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) definiu como principal foco para 2010 a agilidade no julgamento de processos criminais. A expectativa é a de que todos os casos de homicídio doloso (aquele em que o réu teve a intenção de matar) protocolados na Justiça até o fim de 2007 sejam julgados até o fim do ano.
O secretário-geral do CNJ, Rubens Curado, revelou que a estimativa do órgão é de que dentro desse leque haja 500 mil casos de crimes contra a vida pendentes de julgamento. “Vamos ter um número preciso daqui para meados de abril. Hoje, temos uma estimativa de que há algo em torno de 500 mil processos só de casos do tribunal do júri (crimes contra a vida) pendentes de julgamento”, detalhou.
A quantidade de casos de homicídio impunes no país assusta a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, lamenta o fato de, segundo ele, ocorrerem sucessivos casos de prescrição por “morosidade da Justiça”.
A expectativa é a de que todos os casos de homicídio doloso (aquele em que o réu teve a intenção de matar) protocolados na Justiça até o fim de 2007 sejam julgados até o fim do ano.
Fonte: jornal Estado de Minas - Seção Nacional - 06/03/2010

3 de mar. de 2010

Fundação da APAC Feminina de BH


EDITAL DE CONVOCAÇÃO
PARA ASSEMBLEIA DE FUNDAÇÃO
DA APAC FEMININA -BH

A Comissão Representativa para Criação da APAC Feminina de Belo Horizonte convoca a todos os interessados para a Assembléia Geral que acontecerá na Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais, situado a Rua Timbiras 1532, 6º andar, Centro, Belo Horizonte MG, às 19:00 horas, no dia 16 de março de 2010, com a seguinte ordem do dia:

1. Fundação da Associação de Proteção e Amparo ao Condenado-Feminina da Comarca de Belo Horizonte.
2. Eleição do Conselho Deliberativo da Associação de Proteção e Amparo ao Condenado -Feminina da Comarca de Belo Horizonte.
3. Eleição da Diretoria Executiva e dos Conselheiros Fiscais da Associação de Proteção e Amparo ao Condenado - Feminino de BH.
4. Aprovação do Estatuto da Associação de Proteção de Amparo ao Condenado -Feminina da Comarca de Belo Horizonte.
O evento contará com a presença dos interessados da Comunidade e representantes das várias esferas do poder público ligadas do processo de execução de pena.

Belo Horizonte, 12 de fevereiro de 2010
Andreza Lima de Menezes
Comissão Representativa para Criação da APAC Feminina de Belo Horizonte
Apoio:

GRUPO DE AMIGOS E FAMILIARES DE PESSOAS EM PRIVAÇÃO DE LIBERDADE
www.antiprisional.blogspot.com - antiprisional@gmail.com
Tel. (31) 3037-0710 - Cel. (31) 96319907
Av. dos Andradas, 367, sl.258a, Centro, Belo Horizonte/MG

2 de mar. de 2010

O leitor de UNAÍ pergunta: "Quem fiscaliza essa decadente privação de liberdade?"

A FORÇA DA JUSTIÇA NA SUA APLICAÇÃO JUSTA
Jaime Luiz Loro / Unaí/MG
Sou Bacharel em Direito, resido em Unaí/MG, estou cursando pós graduação em Ciências Penais e posteriormente mestrado em criminologia. Cumpre-me ressaltar as excelentes matérias que ditam esse jornal. Para mim foi um achado. Sou Estagiário na área criminal e atendo clientes juntamente com outro advogado na cadeia municipal de Unaí/MG.
Tenho visto um sistema caótico, aqui a cadeia tem capacidade para 110 detentos, hoje, 26/02/2010, consta uma população em torno de 210 detentos.
Pergunto: isso é Humano ?
Quem fiscaliza essa decadente privação de liberdade ?
Queremos justiça ? Que se faça . Dito aqui as palavras de HELENO CLÁUDIO FRAGOSO, destacado advogado criminal e jurista Brasileiro:
“Quanto mais graves são as penas e as medidas impostas aos delinqüentes, maior é a probabilidade de reincidência. O sistema será, portanto, mais eficiente, se evitar, tanto quanto possível, mandar os condenados para a prisão nos crimes pouco graves e se, nos crimes graves, evitar o encarceramento demasiadamente longo”.
A maioria dos detentos da cadeia de Unaí/MG são usuários. Dentre eles não recordo ter visto alguém de "olhos azuis", são negros e pobres, que perfilados aguardam a decisão justa. E o que é uma pena justa ? É uma pena dosada na proporcionalidade de seus atos ?
Que os Doutos julgadores, cujas mentes brilhantes o fizeram ocupar tão nobre cargo, não demonstrem a Justiça da Força mas a Força da Justiça na sua aplicação Justa.

1 de mar. de 2010

Estudante da PUC é baleado por policial

Até quando a polícia vai usar arma leviamente contra os cidadãos?
DO "AGORA"
O estudante Thiago Humberto da Silva Esteves, 24 anos, aluno de administração da PUC, foi baleado por um policial militar na madrugada do último sábado na região da Água Rasa (zona leste da capital paulista).
O irmão do rapaz, Diego Henrique da Silva Esteves, 22, testemunhou o caso e afirmou que o tiro foi disparado pelas costas, após um policial militar ter tentado derrubá-lo da moto.Esteves está internado e ontem à noite passava pela segunda cirurgia.
A Corregedoria da corporação abriu inquérito para apurar o caso.O policial militar autor do disparo declarou à Polícia Civil que abordou o jovem e que Thiago jogou a motocicleta contra ele.Diego afirma que ele e o irmão tinham acabado de sair para ir a um barzinho no Ipiranga (zona sul) e que não sabiam que o carro era da polícia, porque "o giroflex estava desligado".

10 de fev. de 2010

RACISMO

Um chute no peito
José Luiz Grando*
É desta forma que o estado trata sua população pobre, que parece nessa sociedade ter culpa de suas necessidades.
Quando o policial chutou o peito do jovem negro, A. 16 anos
Ele chutou todo um povo oprimido por uma máquina capitalista e racista que insiste em desferir o desrespeito a quem também paga o seu salário.
É muito importante neste momento a periferia de Itajaí cobrar, soltar a voz com todo o poder que o povo tem por seus direitos, e muitas vezes chegando ao extremo de ter que implorar por sua vida, agradecer por não ser morto, pedir perdão por ser negro e desculpas pro ser pobre.
É essa a democracia que a nossa cidade deseja?
Onde só o rico tem o direito de aproveitar a vida sem nos dar chances de viver?
Vivemos em estado de sitio sem estarmos em guerra e o nosso inimigo é o governo burguês. Não podemos alimentar essas injustiças nas urnas, a consciência que os políticos são corruptos é clara em Itajaí e aos olhos de qualquer cidadão.
Voltem - se, para o São Vicente, Imaruí, Promorar e Rio bonito, subjugados por serem bairros de pobres e alheios a toda forma de violência policial. E a elite ainda reclama da violência alimentada pela pobreza causada por eles que resulta em mortes.
Que a todo o momento, a cidade de Itajaí lute por seus direitos abra os olhos contra a opressão do governo que manda a policia nos matar.

“Nossa liberdade, só será alcançada através da revolução em nossas mentes com os olhos abertos para toda forma de injustiça”

*Militante Negro
Itajaí, 02 de fevereiro de 2010

5 de fev. de 2010

O Judiciário na berlinda

70% dos brasileiros duvidam da honestidade do Judiciário, diz FGV

Cerca de 70% da população brasileira duvida da honestidade e imparcialidade do Poder Judiciário, de acordo com pesquisa realizada pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mede o Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil).
Os nordestinos lideram o ranking da desconfiança. Respectivamente, em Salvador e em Recife, 79,2% e 78,7% dos entrevistados disseram duvidar da honestidade ou imparcialidade do Judiciário. Em seguida vieram Rio de Janeiro (71,7%) e São Paulo (71,4%). Completam a lista Belo Horizonte (68,5%), Brasília (67,4%) e Porto Alegre (59,5%).

Conflitos

Outro ponto mal avaliado pela população foi a capacidade de solução de conflitos. Na média nacional, 60,6% dos que responderam à pesquisa afirmaram que o Judiciário não é competente ou tem pouca competência para solucionar conflitos. Mais uma vez, Recife puxa essa média e destoa das outras capitais: 74,2% dos recifenses não acreditam que o Judiciário seja competente para solucionar conflitos. Na outra ponta da tabela, vem Porto Alegre, com 51,2% das respostas. No segundo lugar, com 62,4% do total está Brasília seguido por Rio de Janeiro (61,5%) São Paulo (60,7%), Belo Horizonte (58,9%) e Salvador (56,8%).

Satisfação

O ICJBrasil procurou avaliar, também, o grau de satisfação em relação ao Judiciário. Dentre uma amostra de 1.588 pessoas, 25,9% participaram de algum processo judicial nos últimos 5 anos. Desta amostra, 30,2% afirmou que ficou muito insatisfeita com a atuação do Judiciário, 38,8% ficou pouco satisfeita, 29,6% ficou satisfeita e apenas 1,5% ficou muito satisfeita.

Lentidão

A lentidão também foi apurada pelo índice. São Paulo continua ostentando o posto de cidade que acredita que o Judiciário resolve os conflitos de forma muito lenta, com 94,6% das respostas, acima da média nacional (93,4%). Já Recife está no outro oposto da escala, com 90,9%. Outras respostas foram Brasília (94,3%), Porto Alegre (91,4%), Rio de Janeiro (92,9%), Salvador (93,8%) e Belo Horizonte (93%).

Leia completo no CNJ

30 de jan. de 2010

Presa é mantida em banheiro de delegacia de MS há um semana

Notícia na Folha de São Paulo, hoje (30/01), caderno Cotidiano:
Mulher foi detida no dia 21 ao tentar furtar desodorante e garrafa de bebida de supermercado
RODRIGO VARGAS DA AGÊNCIA FOLHA, EM CUIABÁ
Uma mulher de 23 anos, flagrada ao tentar furtar um desodorante e uma garrafa de bebida de um supermercado, vem sendo mantida presa há mais de uma semana em delegacia de Chapadão do Sul (a 350 km de Campo Grande).Como a delegacia não tem cela exclusiva para mulheres, Loyane Souza Almeida, detida no dia 21, recebeu um colchonete e foi trancada à chave dentro de um banheiro da unidade.
Procurada pela Folha, a assessoria da Polícia Civil confirmou que a presa está "em um banheiro adaptado a uma situação de emergência" e que a situação "é do conhecimento das autoridades do município"."É uma estrutura mínima, na qual ela pode se sentar, deitar e fazer as suas necessidades. Está longe de ser a situação ideal, mas é o que pode ser feito até que surja uma vaga no sistema prisional", disse o delegado Jefferson Luppe, assessor de comunicação.
A situação foi denunciada pelo advogado criminalista Lourival Claro, que, em visita à delegacia, disse ter ficado "chocado" com a alternativa."É um banheiro de, no máximo, quatro metros quadrados, com uma janelinha no alto e mais nada. É como se ela estivesse numa solitária, sem ninguém para conversar", diz.Para Paulo Ângelo de Souza, da ONG Centro de Direitos Humanos Marçal de Souza, a medida adotada é "inaceitável" por "reduzir o ser humano à condição de animal".Segundo ele, a entidade vai entrar em contato com a polícia para cobrar uma "transferência imediata". "Lamentavelmente, o Estado é reincidente neste tipo de situação", afirmou Souza
A Polícia Civil não soube informar quantos presos permanecem na delegacia -todos os outros são homens.A Secretaria de Segurança Pública do Estado informou à Folha que a atual gestão investiu R$ 6,3 milhões na construção, reforma e ampliação de unidades da Polícia Civil que custodiam presos.

29 de jan. de 2010

O rapper Garnett responde ao Boris Casoy

Do site Bodega Cultural



O comentário de Boris Casoy atingiu todas a classe trabalhadora deste país, não somente os garis. O vídeo do rapper Garnett é uma excelente resposta, não apenas ao pensamento do Boris, que representa o pensamento único das elites, mas a toda espécie de discriminação.

23 de jan. de 2010

BRASIL REGRIDE AO TEMPO DO FAROESTE



Clube de Cabos e Soldados da Polícia Militar oferece recompensa de R$ 5 mil para quem entregar ACUSADOS "vivos ou mortos"

Leia a notícia AQUI no site Último Segundo

Leiam a opinião do leitor Júlio César Pinheiro de Itajubá-MG, no jornal Estado de Minas, 23/01:

Recompensa: Cartaz de entidade causa mal-estar
“Tem toda a razão do mundo o Ministério Público do Rio de Janeiro ao anunciar que vai apurar a responsabilidade pelo cartaz do Clube de Cabos e Soldados da Polícia Militar que oferece recompensa de R$ 5 mil para quem entregar ‘vivos ou mortos’ os assassinos do sargento Wilson Alexandre de Carvalho, de 41 anos, executado a tiros por traficantes no Estácio, na Zona Norte, domingo passado.
De acordo com Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção RJ, que condenou o cartaz, o autor pode ser responsabilizado intelectualmente pelo crime, caso alguém mate os assassinos e exija a recompensa.
Pensávamos que isso era coisa do passado, do Velho Oeste norte-americano. Contudo, é de nossos dias, prova cabal da ausência do Estado na área de segurança pública. A oferta deveria ser de recompensa por informações e não pelo criminoso vivo ou morto, ao estilo faroeste.”

22 de jan. de 2010

Porque hoje é sábado

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
(Vinícius de Moraes)


5 de jan. de 2010

Herança maldita

Publicado no jornal Estado de Minas. Como só abre para assinante, segue a matéria:

De 1980 a 2000, 1 milhão de pessoas foram assassinadas no país
Walter Sebastião
Um milhão de pessoas assassinadas no Brasil entre 1980 e 2000. Quinhentas mil nos anos 1990, a década mais violenta do país. Chocantes, os números são apresentados bem no início do primeiro episódio de Lutas.doc, série de cinco filmes que vai ao ar a partir de hoje na TV Brasil, transmitida em Minas Gerais pela Net.
Tentando entender como se forma e se desenvolve esse caudaloso rio de sangue, os diretores Luiz Bolognesi e Daniel Augusto propõem um grande debate. Fizeram cerca de duas dezenas de entrevistas, ouvindo de presidentes e ex-presidentes da República (Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique) a historiadores, filósofos, escritores, psicanalistas e moradores de rua, entre outros cidadãos.
Utilizando recursos de animação, trechos de filmes, informação e análise, a dupla oferece outro retrato do Brasil. Bem realizada e envolvente, a série faz pensar. O ponto de partida leva o título “Guerra sem fim”: com demolidora argumentação, desmonta-se a imagem do Brasil como sociedade pacífica e do brasileiro como gentil por natureza. O segundo episódio, “Recursos humanos”, volta-se para a escravidão e revela as cicatrizes sociais com suas tensões, ambiguidades e a dificuldade de passar das palavras a atos de transformação.
O terceiro, “Fábrica de verdades”, mostra como a mídia, especialmente a televisão, nega a violência e a brutalidade das relações sociais. O quarto, “Heroína sem estátua”, investiga a discriminação silenciosa das mulheres. O epílogo, “O que vem por aí”, é uma conversa sobre o futuro polarizada entre quem acha que o Brasil está em guerra civil e quem acredita que o crescimento econômico e político pode mudar a situação.
HERANÇA
“Lutas.doc é uma reflexão sobre os brasileiros a partir de todo o sangue derramado no Brasil e da nossa violência, sempre escondidos sob o tapete”, afirma o diretor Daniel Augusto. “A violência contemporânea é herança histórica”, enfatiza. Consequência de raízes econômicas da sociedade e fruto da desigual distribuição de riquezas, ela vai se espraiando por todas as relações sociais. O diretor chama a atenção para o fato de que, agravando a situação e impedindo que ela seja enfrentada, a realidade é ocultada por mitos que amenizam e escondem a crueldade das relações humanas no Brasil.
“Um dos problemas da violência brasileira é o fato de ela ser muito implícita”, observa Daniel. Cordialidade, democracia racial e país abençoado são alguns desses mitos que impedem a sociedade de se mobilizar, acredita. “Com Lutas.doc, nosso objetivo é abrir discussão aprofundada, mas aberta a pessoas de todas as idades e de qualquer lugar do país”, explica.
O trabalho tem destinatário especial: “Gostaríamos que o pessoal que está no segundo grau e começando a universidade visse os filmes, pois eles experimentam momento crucial de inserção na sociedade. O jovem carrega forte poder de mudança”. Os realizadores torcem que os filmes cheguem às escolas como material didático.
A violência brasileira tem solução? “Tem, mas o tema é complexo e cobra atuação em várias frentes, não será resolvido em um ou dois governos. A solução passa por mais presença do Estado em alguns campos, como oferecer à população mais acesso à educação, à saúde e a melhores condições de vida, além de oportunidades reais de realização. É fundamental a melhor distribuição de renda ”, responde Daniel Augusto. A pacificação da sociedade brasileira, adverte o diretor, “depende de não ficar jogando a população brasileira na lata de lixo da história”.
Além da expectativa em relação à estreia da série na televisão (“ela se comunica com todo o Brasil”), Daniel vê com otimismo o avanço do diálogo entre emissoras e produtores independentes. “Esse caminho traz outros olhares, estéticas e propostas, o que permite oferecer maior variedade de conteúdos, sem doutrinação, para o espectador”, explica.
“A TV é o veículo de comunicação mais difundido no Brasil e um dos menos reflexivos. O cinema brasileiro pensa muito mais o Brasil do que a TV. Falta a ela oferecer debates mais interessantes”, conclui. A ideia do projeto partiu de Luiz Bolognesi, que convidou Daniel para a empreitada.
O paulista Bolognesi tem 43 anos, formou-se em jornalismo e cursou ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP). É o roteirista dos longas-metragens de ficção Bicho de sete cabeças e Chega de saudade, dirigidos por Laís Bodanszky, de O mundo em duas voltas, filme sobre a trajetória dos navegadores da família Schurmann. Também foi corroteirista de Doutores da Alegria. Daniel Augusto tem 37 anos, é formado em cinema e mestre em literatura pela USP. Dirigiu o documentário Fordlândia (lançado ano passado, na segunda edição do Festival É Tudo Verdade) e a série Mapas urbanos, sobre cidades do Brasil sob o crivo de poetas e compositores, premiado na República Tcheca em 2003. Foi codiretor de O diário de Naná Vasconcelos.
LUTAS.DOC
Série de cinco filmes documentais sobre a violência brasileira. Em cartaz na TV Brasil (canal 3 da NET) de hoje a 2 de fevereiro. Terças-feiras, às 23h, com reprises às quintas-feiras, à meia-noite.

2 de jan. de 2010

Vergonha nacional: Bóris Casoy humilha e ofende garis

"O Bóris Casoy representou, nesse ato de fala, a ideologia de uma elite preconceituosa brasileira, que é uma sub-raça ainda existente por estas paragens. Essa elite preconceituosa brasileira considera qualquer pessoa ou segmento do conjunto “não-elite” uma "gentalha"."
Vou jogar Boris no lixo!
Leia no Assaz Atroz
Assistam ao vídeo

31 de dez. de 2009

Alípio Freire: As forças internas de ocupação

Carta aberta a Paulo Vannuchi, Ministro, Cidadão Brasileiro, Companheiro e Amigo
Caro Paulo,
acabo de tomar conhecimento da notícia (abaixo) sobre a ameaça de pedido de demissão do ministro da Defesa Nelson Jobim, e dos seus patronos, os comandantes das Três Armas, e da negociação encaminhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A indignidade e o golpismo desses setores representados pelo ministro Jobim e os três comandantes não nos surpreende. Não nos surpreende sequer a escolha dos momentos de maior desmobilização (como as festas de final de ano) para que façam suas chantagens e gerem crises: entre outras medidas, o Ato Institucional Número 5 também foi anunciado na noite de uma sexta-feira, às vésperas das festas de final de ano de 1968 (13 de dezembro).
Gostaria sinceramente de me orgulhar das nossas Forças Armadas, que nos deram homens da envergadura de João Cândido, Luiz Carlos Prestes, Apolônio de Carvalho, Henrique Dufles Teixeira Lott, Alfeu D'Alcântara Monteiro, Carlos Lamarca - para ficarmos apenas no universo dos nomes mais conhecidos publicamente, sem citar os milhares de Marco Antônio da Silva Lima, José Raimundo da Costa, Otacílio Pereira da Silva, José Mariane Alves Ferreira, Onofre Pinto e tantos outros, alguns dos quais constam da lista daqueles que foram assassinados e outros que, além de assassinados, tiveram seus cadáveres ocultados - os "desaparecidos", por ordem de seus antigos companheiros de farda.
A verdade, porém, é que a cúpula atual das nossas Armas, em sua grande maioria, pouco difere daqueles energúmenos que rasgaram a nossa Constituição com o golpe de 1964, e instalaram o Terror de Estado, para garantir os privilégios da elite econômica, o esbulho da classe trabalhadora e do nosso povo, e instituir consignas aviltantes, do tipo "O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil". Assim, por maior que sejam a minha boa vontade e meu esforço nesse sentido, não há como nos orgulharmos de instituições comandadas por políticas desse tipo. Mas, um dia as mudaremos, também.
Sim, senhor Ministro; sim, Cidadão Paulo Vannuchi; sim meu amigo e companheiro de todas as lutas e jornadas pela democratização e aprofundamento da democracia em nosso país: esses senhores de hoje são os mesmos de sempre. São aqueles mesmos que, com base na truculenta Doutrina de Segurança Nacional forjada no War College de Washington no imediato pós Guerra, forjaram a Lei de Segurança Nacional – LSN, que vigorou durante a ditadura, até ser derrubada pelas nossas jornadas democráticas da segunda metade dos anos 1970 e início dos 1980.
A mesma torpe e sinistra LSN que o senhor ministro da Defesa Nelson Jobim tenta hoje restaurar, a mando dos seus superiores (os comandantes das Três Armas), a serviço dos interesses que em 1964 empolgaram grande parte da cúpula militar de então. Uma Doutrina e uma Lei de Segurança Nacional que transforma a nossa classe trabalhadora, nosso povo e todos os democratas e homens e mulheres de bem deste País, em "inimigos internos", e achincalha nosso Exército, Marinha e Aeronáutica, conferindo-lhes o papel de polícias, de forças repressivas contra os nossos melhores cidadãos e cidadãs. Uma Doutrina e Lei de Segurança Nacional que transformam, enfim, nossas Forças Armadas, em Forças de Ocupação Interna, para a defesa dos interesses dos grandes centros econômicos internacionais, retirando-lhes e invertendo, assim, o papel mais digno, honrado e decente que deveriam cumprir: o de defensores da nossa soberania, e fiadores da nossa Constituição.
A impostura que eles e seus representados têm utilizado, é a questão do "revanchismo", cada vez que falamos responsabilização judicial e punição nos termos das leis da Nossa República, que devem ser aperfeiçoadas nesse sentido. E isto, ainda que, a rigor, sequer necessitemos mudanças na atual Lei da Anistia, para levarmos aos nossos tribunais de hoje, os celerados de antanho. A leitura e argumentos do professor e jurista Fábio Konder Comparato sobre o texto da Lei de Anistia em vigor, especialmente no que diz respeito aos "crimes conexos", são suficientes para levarmos em frente os processos - e esses generais, brigadeiros e almirantes que ora se insubordinam, sabem disto.
E sabem também que "revanchismo" seria pretender que os acusados (diretos ou indiretos) de crimes de tortura fossem seqüestrados, levados para cárceres clandestinos onde permaneceriam desaparecidos durante o tempo que melhor aprouvesse aos seus seqüestradores; onde seriam interrogados sob as mais aviltantes torturas; e, depois, aqueles que sobrevivessem aos meses de incomunicabilidade e sevícias, que sobrevivessem ao chamado "terror dos porões", fossem submetidos à farsa burlesca do julgamento nos tribunais de guerra.
Esses senhores sabem muito bem que não nos propomos a isto a que fomos submetidos; que não nos propomos a qualquer terror que lembre, sequer aparentemente, os métodos por eles utilizados, e que agora tentam acobertar. Sabem muito bem que somos homens e mulheres formados em outros princípios, e que jamais nos utilizaríamos de qualquer dos seus métodos, ou com eles seríamos coniventes. O que pretendemos pura e simplesmente é apenas responsabilização judicial e punição nos termos das leis da nossa República, dos responsáveis diretos pelas torturas e de seus mandantes, garantindo-lhes todo o direito de assistência jurídica e de defesa.
Exercer e/ou aperfeiçoar os mecanismos legais que constituem a República, é praticar a democracia - pois, para nós, a democracia é o exercício permanente de direitos isonômicos, e não um palavreado ambíguo e balofo, um florilégio para ornamentar discursos autoritários de lobos travestidos de cordeiros, como as recentes chantagens de pedido de demissão e criação de uma crise militar, num momento em que os chamados movimentos e organizações da sociedade civil estão desmobilizados, o Congresso Nacional e demais esferas legislativas em recesso e, no que diz respeito ao Judiciário, o País está à mercê do arbítrio pessoal de um trânsfuga que ocupará a Presidência do Supremo Tribunal Federal até o próximo dia 31 de dezembro, o doutor Gilmar Mendes.
Obviamente, num quadro como o descrito acima, o armistício foi a saída imediata possível – até por que, uma guerra não se perde e não se ganha numa única batalha. Além disto, nenhuma vitória (bem como nenhuma derrota) é definitiva. O certo é que nessa medição de forças experimentada – cujo desfecho esperado pelo ministro Jobim e seus patrões, seria a queda do ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos – Paulo Vannuchi, tal não aconteceu e, se depender dos setores democráticos e mais bem informados do nosso povo, ao contrário do que pretendem os três comandantes militares (os homens fortes do Ministério da Defesa), quem poderá cair será o próprio senhor Nelson Jobim – o que entendemos, seria um grande avanço para a nossa ainda frágil democracia.
E não se trata de triunfalismo, ou efeito retórico: apesar da desmobilização de final de ano, lançado há apenas duas semanas, o Manifesto Contra Anistia a Torturadores, da Associação Juízes para a Democracia e dirigido aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Procurador Geral da República e que circula na internet, já reuniu cerca de 10 mil assinaturas. Iremos reforçá-lo.
Sem dúvida, o respaldo do senhor Jobim – além dos tanques e baionetas, que encarnam apenas o braço armado de um conjunto de interesses econômicos e eleitorais – são aquelas mesmas forças que tramaram e organizaram há cerca de dois anos a crise dos aeroportos, cuja culminância foi um dos maiores desastres aéreos dos últimos tempos, com mais de duas centenas de mortos, no aeroporto de Congonhas. Mas, que importância têm vidas humanas para ambições políticas, econômicas e pessoais de homens como o doutor Jobim e seus pares? O importante para eles é que toda a armação tramada resultou na queda do então ministro da Defesa, senhor Valdir Pires, e na ascensão do senhor Nelson Jobim.
Apenas para refrescar as nossas memórias, lembramos que, a primeira visita feita em São Paulo pelo ministro Jobim, depois de se deixar fotografar fantasiado de bombeiro entre os escombros do avião acidentado, foi ao seu amigo de longa data, o governador José Serra.
Entre outros, os interesses eleitoreiros da crise inaugurada neste 22 de dezembro de 2009 são tão óbvios, que nem merecem que os analisemos – sobretudo depois das sucessivas investidas neste sentido, ao longo deste ano (2009). Sobre o que eles prometem para o próximo ano, basta acessarmos "Reparação" – três minutos do trailer oficial do documentário longa-metragem que a direita lançará em 2010. Verdadeiro primor: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, lado a lado com outros coristas da dimensão do jornalista Demétrio Magnoli e do acadêmico Marco Antônio Villa – sim, amigo Vannuchi, uma verdadeira quadrilha naturalista (talvez não tão naturalista...).
Mas, continuaremos as nossas batalhas – que não começaram ontem, nem acabarão amanhã. E temos ainda toda energia necessária para as enfrentar e vencer. A mesma energia que nos garantiu poder chegar aos dias de hoje, de cabeça erguida, podendo olhar nos olhos de qualquer cidadão, pois jamais fomos reféns de quem quer que fosse, menos ainda, de canalhas.
A esse respeito, é muito interessante lermos e relermos cuidadosamente o depoimento (ver no pé desta mensagem) do coronel e torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-COD e que está sendo processado por familiares de algumas das suas vítimas: uma obra prima de ameaças e chantagens contra seus superiores hierárquicos nos tempos da ditadura. Lá estão todos os nomes. É como se o senhor Ustra dissesse: “Não senhores, não cairei sozinho. Tratem de livrar a minha barra, pois, do contrário, arrasto todos comigo”. Imagine, caro ministro Vannuchi, o pânico desses quatro senhores que ameaçaram criar uma crise militar... como se dizia em gíria de cadeia, “o maior sapo-seco”, “uma p... sugesta!”.
Pois é, meu Companheiro Vannucchi, seguimos mais uma vez juntos, e até o fim, nesta nova trincheira onde, mais uma vez ainda, o que está em jogo é a classe trabalhadora, o povo e todos os/as democratas e homens e mulheres de bem deste País.
Com o mais forte e fraternal abraço,
ao Ministro, ao Cidadão Brasileiro, ao Companheiro e ao Amigo,
de Alipio Freire
( Publicado no Vi o Mundo)
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NOTÍCIA
Jobim faz carta de demissão após ameaça de mudar a Lei de Anistia
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091230/not_imp488515,0.php

Lula fecha acordo com ministro, que seria seguido por comandantes das Forças e vê 'revanchismo' em Vannuchi

Christiane Samarco e Eugênia Lopes (BRASÍLIA)

A terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que propõe a criação de uma comissão especial para revogar a Lei de Anistia de 1979, provocou uma crise militar na véspera do Natal e levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a escrever uma carta de demissão e a procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 22, na Base Aérea de Brasília, para entregar o cargo.
Solidários a Jobim, os três comandantes das Forças Armadas (Exército, Aeronáutica e Marinha) decidiram que também deixariam os cargos, se a saída de Jobim fosse consumada.
Na avaliação dos militares e do ministro Jobim, o PNDH-3, proposto pelo ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos, e lançado no dia 21 passado, tem trechos "revanchistas e provocativos". Ao final de três dias de tensão, o presidente da República e o ministro da Defesa fizeram um acordo político: não se reescreve o texto do programa, mas as propostas da lei a serem enviadas ao Congresso não afrontarão as Forças Armadas e, se for preciso, a base governista será mobilizada para não aprovar textos de caráter revanchista.
Os comandantes militares transformaram Jobim em fiador desse acordo, mas disseram que a manutenção da Lei de Anistia é "ponto de honra". As Forças Armadas tratam com "naturalidade institucional" o fato de os benefícios da lei e sua amplitude estarem hoje sob análise do Supremo Tribunal Federal - isso é decorrente de um processo legal que foi aberto na Justiça Federal de São Paulo contra os ex-coronéis e torturadores Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel.
Além da proposta para revogar a Lei de Anistia, que está na diretriz que fala em acabar com "as leis remanescentes do período 1964-1985 que sejam contrárias à garantia dos Direitos Humanos", outro ponto irritou os militares e, em especial, o ministro Jobim. Ele reclamou com Lula da quebra do "acordo tácito" para que os textos do PNDH-3 citassem as Forças Armadas e os movimentos civis da esquerda armada de oposição ao regime militar como alvos de possíveis processos "para examinar as violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política no período 1964-1985".
Jobim foi surpreendido com um texto sem referências aos grupos da esquerda armada. Os militares dizem que se essas investigações vão ficar a cargo de uma Comissão da Verdade, todos os fatos referentes ao regime militar devem ser investigados. "Se querem por coronel e general no banco dos réus, então também vamos botar a Dilma e o Franklin Martins", disse um general da ativa ao Estado, referindo-se à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ao ministro de Comunicação Social, que participaram da luta armada. "Não me venham falar em processo para militar pois a maioria nem está mais nos quartéis de hoje", acrescentou o general.
Os militares também consideram "picuinha" e "provocação" a proposta de Vannuchi de uma lei "proibindo que logradouros, atos e próprios nacionais e prédios públicos recebam nomes de pessoas que praticaram crimes de lesa-humanidade". "Estamos engolindo sapo atrás de sapo", resumiu o general, que pediu anonimato por não poder se manifestar.

30 de dez. de 2009

29 de dez. de 2009

Previdência social para presos

Decreto torna presidiários segurados facultativos
Por Fabiana Schiavon
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou Decreto, na segunda-feira (28/12), que modifica as regras da Previdência Social para detentos. Os presos, em regime aberto ou fechado, passam a ser segurados facultativos. Essa categoria de segurados são aqueles maiores de 16 anos, sem renda própria, que decidem contribuir para a Previdência Social, como as donas de casa, estudantes e síndicos de condomínios não-remunerados.
O Decreto inclui entre os segurados facultativos os presos sob regime fechado ou semi-aberto, que preste serviço dentro ou fora da unidade penal, a uma ou mais empresas, com ou sem intermediação da organização carcerária ou entidade afim. A regra também inclui os detentos que exercem atividade artesanal por conta própria. Antes do decreto, essa categoria se enquadrava em contribuinte obrigatório.
Leia a íntegra do decreto.
DECRETO Nº 7.054 DE 28 DE DEZEMBRO DE 2009.
Altera o § 1o do art. 11 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição,
DECRETA:
Art. 1o O § 1o do art. 11 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999, passa a vigorar com as seguintes alterações:
“§ 1o ............ ......... ......... ......... ......... ......... ......... ......... ......... ......... ....
............ ......... ......... ......... ......... ......... ......... ......... ......... ......... ......... .........
IX - o presidiário que não exerce atividade remunerada nem esteja vinculado a qualquer regime de previdência social;
X - o brasileiro residente ou domiciliado no exterior, salvo se filiado a regime previdenciário de país com o qual o Brasil mantenha acordo internacional; e
XI - o segurado recolhido à prisão sob regime fechado ou semi-aberto, que, nesta condição, preste serviço, dentro ou fora da unidade penal, a uma ou mais empresas, com ou sem intermediação da organização carcerária ou entidade afim, ou que exerce atividade artesanal por conta própria.” (NR)
Art. 2o Fica revogada a alínea “o” do inciso V do art. 9o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999.
Art. 3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 28 de dezembro de 2009; 188o ano da Independência e 121o ano da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Nelson Machado
José Pimentel
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NOTA:
Fabiana Schiavon é repórter da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 29 de dezembro de 2009

23 de dez. de 2009

Para os ricos e privilegiados, a justiça é mãe protetora

Gilmar Mendes concede liberdade ao médico Roger Abdelmassih
da Folha Online
Roger Abdelmassih deve passar o Natal em casa. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, concedeu um habeas corpus na noite desta quarta-feira determinando a soltura do médico. O pedido foi impetrado no STF na segunda (21) pelos advogados Márcio Thomaz Bastos e José Luis Oliveira Lima. O médico ficou preso por cerca de quatro meses.
Leia completo

Leiam o HABEAS CORPUS concedido ao médico Roger Abdelmassih

22 de dez. de 2009

Recomeço edição 160

Abertura
Escute, Zé-Ninguém
Wilhelm Reich

Você teria derrubado os tiranos há muito tempo se no seu íntimo estivesse vivo e em perfeita saúde. No passado, seus opressores provinham das classes mais altas da sociedade, mas hoje elas provêm da sua própria camada. São ainda mais zés-ninguém do que você, Zé-ninguém. Precisam ser mesmo muito pequenos para conhecer sua desgraça a partir da própria experiência e, com base nesse conhecimento, oprimi-lo com mais eficácia e mais crueldade do que nunca.
Matérias e jornal impresso na íntegra.

21 de dez. de 2009

Projeto federaliza crime de extermínio

Projeto de Couto que federaliza crime de extermínio deverá ter sansão do presidente
"A cultura policial, herança do passado escravagista e autoritário, ainda se dirige para a defesa do Estado e não do cidadão."
Projeto de Lei que tipifica o crime de extermínio e a formação de milícias como crime federal, após ser votada no plenário da Câmara a partir de março, deverá ser sancionado em caráter de urgência pelo presidente Lula. O projeto que é de autoria do deputado federal Luiz Couto (PT/PB), terá a sansão presidencial, e não o veto, por ter sido escolhido como prioridade no Pacto Republicano do Governo Lula, na área de Segurança Pública e nas áreas Penal e Criminal.
O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, defendeu a federalização desses crimes, como forma de “combate à impunidade, através de um sistema salutar de cooperação institucional”. O Projeto de Lei, segundo Couto, tem a finalidade de tipificar o crime de extermínio e penalizar a constituição de grupos de extermínio, milícia privada ou esquadrão e a oferta ilegal de serviço de segurança pública ou patrimonial.
O deputado justifica o seu projeto alegando que no Brasil, a cultura policial, herança do passado escravagista e autoritário, ainda se dirige para a defesa do Estado e não do cidadão. Assim como a falta de controle democrático da polícia e o corporativo criminoso que fazem com que policiais assassinos (bandidos de farda), continuem impunes e, em muitos casos, sigam na senda criminosa, matando e ameaçando testemunhas.
“Apesar de 20 anos de Estado Democrático, as políticas estaduais continuam sem controle. O aumento da violência e o discurso do medo contribuem muito para esse estado de arbítrio. O que o nosso Projeto faz é considerar a ação de milícias armadas e de grupos de extermínio, uma ameaça ao Estado democrático de direito e crime contra os direitos humanos”, afirma Luiz Couto.
O Projeto já tramitou nas comissões e foi aprovado pelo Senado, aguardando apenas a Mesa da Câmara pautar a votação em Plenário, já que a matéria encontra-se em regime de urgência.

A REPRESSÃO POLICIAL NAS RUAS

Leia no Bodega Cultural do Carlinhos Medeiros:

Rede Globo: um telejornalismo leniente com a repressão policial

Pois há evidências várias de que, livre da oposição "sociedade organizada civil versus regime militar", o telejornalismo brasileiro passou a adotar, notadamente a partir de meados dos anos 1990, um discurso caudatário da criminalização das manifestações sociais – discurso este que se sedimentaria no modelo monocórdio de cobertura dos confrontos entre manifestantes e forças oficiais.A base de sustentação de tal discurso é a afirmação– como princípio, correta – de que o direito constitucional de ir e vir dos cidadãos se sobrepõe ao direito de um grupo consideravelmente menor de protestar. A tal premissa se alia a justificação de que o emprego da força seria, nesses casos, portanto, justificável. (leia completo)

14 de dez. de 2009

"Isso aqui é um democracídio. Estão exterminando a população"

Assisti a este vídeo no blog da Landa Araújo. Adorei e repasso para vocês. Embaixo um texto do Brecht que tem tudo a ver com o depoimento do Edu.



Bertolt Brecht

Eu era filho de pessoas que tinham posses
Meus pais puseram um colarinho engomado
ao redor do meu pescoço
E me educaram para ser servido
E me ensinaram a arte de dar ordens
Olhei ao redor de mim,
não gostei das pessoas da minha classe
nem de dar ordens, muito menos de ser servido.
E abandonei as pessoas da minha classe
para viver ao lado dos humildes .

10 de dez. de 2009

O deputado Luiz Couto denuncia

Prisão arbitrária e tortura contra menores em Picuí
O deputado Luiz Couto denunciou na Tribuna da Câmara, ontem, a prisão arbitrária e prática de tortura por agentes da Polícia Civil contra dois adolescentes, de 15 anos, acusados injustamente de terem roubado um celular de 150 reais, na cidade de Picuí.
Os irmãos gêmeos, CJCD e DJCD, se dirigiam a um campo de futebol e no caminho foram abordados por policiais civis de Picuí, que o detiveram arbitrariamente sob a alegação de que na noite anterior em uma festa os dois teriam furtado o celular.
“O mais grave é que esses dois adolescentes foram conduzidos para a delegacia local onde foram despidos e algemados. Nus e com algemas nos pulsos foram torturados com descargas elétricas de um aparelho portátil que ficava ligado às algemas. Eles sofreram essas torturas para confessar serem os autores daquele delito. Como não poderiam confessar porque não estiveram presentes àquele ato, foram soltos e obrigados a retornar no outro dia para que fizessem uma acareação com a suposta vítima, que não apareceu e que não fez denúncia alguma”, comentou o deputado.
De acordo com o deputado, os laudos comprovam a prática de tortura, como choque elétrico dado por agentes da Polícia Civil. “A prática da tortura não é novidade na Paraíba, infelizmente. Vou solicitar ao Secretário de Segurança que identifique os agentes que praticaram essa prisão arbitrária, como também essa tortura contra os dois adolescentes, assim como o afastamento dos mesmos de suas atividades”, disse.
Luiz Couto disse, ainda, que encaminhará uma representação ao Ministério Público do Estado da Paraíba para que tome as devidas providências. "Esse assunto ainda será debatido na Comissão de Direitos Humanos e Minorias e no Conselho Nacional de Direitos da Pessoa Humana. A prática de tortura não pode ser acatada nem aceita por nenhum agente público”, finalizou o parlamentar, que também é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. A denúncia foi encaminhada ao deputado pelo Centro de Educação Popular do Município de Picuí.

6 de dez. de 2009

Do site Comunique-se
RSF pede intervenção federal em casos de prisão e censura contra jornalistas
Da Redação
A organização Repórteres Sem Fronteiras enviou carta endereçada aos ministros Tarso Genro (Justiça) e Hélio Costa (Comunicações) solicitando “intervenção das autoridades federais” nos casos recentes de censura e prisão contra jornalistas.
“A soberania de um Estado Federativo só existe quando os princípios constitucionais fundamentais não são violados. Por esta razão, consideramos urgente e necessário uma ação enérgica das autoridades públicas brasileiras, no sentido de reforçar estes princípios”, diz a entidade.
Um dos casos citados é o do jornalista Antônio Muniz, preso na quarta-feira (02/12) por descumprir determinação judicial e faltar a audiências. Ele foi condenado por difamação com base na Lei de Imprensa, extinta em abril deste ano pelo Supremo Tribunal Federal.
“Ao revogar a referida lei, o STF excluiu qualquer possibilidade de condenação penal por delitos de imprensa. Desta forma, Antônio Muniz deve ser liberado”, afirma a entidade.
O caso de censura contra O Estado de S. Paulo e os blogueiros Adriana Vandoni e Enock Cavalcanti também são citados pela organização.
“A liberdade de imprensa tem feito grandes avanços no Brasil, com a ajuda do atual governo federal. A revogação da Lei de Imprensa, estabelecida no do regime militar, é um exemplo disso. (...) No entanto, este progresso legislativo precisa ser compartilhado no nível estadual”, diz a carta.

4 de dez. de 2009

PORQUE HOJE É SÁBADO

Uma das mais tocantes cenas do filme "O Poderoso chefão", quando o filho de Michael canta a música Brucia la Terra e o faz chorar ao remexer suas lembranças:

Boa notícia: Inclusão educacional

Enem será aplicado em presídios em janeiro
Os presos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) farão as provas nos dias 5 e 6 de janeiro de 2010, às 13h. A portaria do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (4/12). Para os alunos da rede pública e privada de ensino, a prova do Enem será aplicada no próximo sábado e domingo (5 e 6 de dezembro).
O exame será nos presídios que inscreveram os detentos e que mantêm programas especiais de ensino médio. A aplicação especial foi decidida dentro do sistema logístico de segurança do Enem.
No dia 5 de janeiro, terça-feira, das 13h às 17h30, serão aplicadas as provas de ciências da natureza e suas tecnologias e ciências humanas e suas tecnologias. No dia 6, quarta-feira, os presos farão as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias e também a redação. O horário do exame será das 13h às 18h30.
As questões serão diferentes das que fazem parte do Enem regular, mas o nível de dificuldade da prova será idêntico. De acordo com o Inep, isso vai ser assegurado por meio do uso de uma metodologia utilizada em avaliações de habilidades e conhecimentos.
Enem regular - O sistema de consulta aos novos locais de prova do Enem regular deste ano está à disposição dos estudantes, no site do exame. Para saber qual é o local da prova, que será aplicada neste fim de semana (5 e 6 de dezembro), os candidatos também contam com as informações contidas no cartão de confirmação de inscrição, enviado pelos Correios. A busca pode ser feita também pelo telefone 0800 616161. Com informações da Agência Brasil.

29 de nov. de 2009

Punição só para os miseráveis

É incrível como o passar do tempo que tudo muda, não faz mudar a (in)justiça dos homens. Este artigo fez-me lembrar o livro "Os Miseráveis" de Victor Hugo, publicado em 1862, que conta a triste história de Jean Valjean que passou 19 anos na prisão por, inicialmente, ter furtado pão numa padaria. Passados 147 anos, o que mudou para os miseráveis?
Justiça dos homens
PAULO HIRANO (Curitiba, PR)
"Infelizmente, o dinheiro sufoca tudo. Se pobre fosse, o cineasta Roman Polanski não obteria a fiança que lhe custará nada menos que R$ 7,5 milhões. Mas o poder econômico mostra que, até mesmo na Suíça, é capaz da grande proeza de conquistar o direito de o acusado aguardar o julgamento em prisão domiciliar.
Na prática, a Justiça só pesa sobre os miseráveis. O mundo perdeu a referência da dignidade, principalmente na área dos direitos humanos, tão apregoada por todos. A realidade do mundo tem mostrado coisas que nem Satanás é capaz de promover.
Diante de tantas incoerências no que tange à justiça, é difícil imaginar que ela um dia venha a ser feita com equidade. A ganância e o poder têm tomado conta de todos os segmentos da sociedade humana.
Ninguém pode prever até quando tudo isso vai prevalecer, mas, um dia, tudo terá que findar. Se estrelas, planetas e cometas se acabam, que dizer das coisas humanas, já que a nossa própria essência é mortal?
A luta pela justiça fica no papel. Punições contra miseráveis vigoram desde o momento da prisão, e não há nada que os liberte. Há casos de inocentes que ficam presos até se tornarem inválidos. Quando alguém decide defendê-los, estão a um passo da morte.
As leis dos homens têm sido de extremo rigor contra os indefesos e de total complacência com os poderosos."

Texto na Folha de São Paulo - 29/11/2009 - Semana do Leitor

28 de nov. de 2009

É preciso que a droga deixe de ser um tema tabu

Desembargador Siro Darlan
Membro da Associação Juízes para a Democracia e ex- Conselheiro do Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente.
LIBERA JÁ!
Assisti entusiasmado ao depoimento do policial norte americano Jack Cole na Escola da Magistratura do Rio de Janeiro defendendo, com argumentos pautados na realidade sua vivência de 40 anos de guerra contra as drogas, a liberação do comércio de todas as drogas tidas como ilícitas pela legislação.
Os dados estatísticos de mortos, presos, e dispêndio financeiro com essa guerra inútil aponta na direção de que a sociedade precisa sair desse entorpecimento patrocinado por uma política que só olha para a preservação dos lucros financeiros que a economia das drogas proporciona e despreza os valores humanos apostando na segregação de negros e pobres que são os clientes referenciais das prisões em todos os países proibicionistas.
Está claro que o abuso de drogas, como o alcoolismo, é um problema social e de saúde pública. Empurrar as drogas para a clandestinidade, do mesmo modo que aconteceu com o álcool na década de 1920, serve apenas para aumentar os preços, atrair o crime e promover a corrupção policial e de outras autoridades, além das criminosas e ilegais incursões nas comunidades pobres dominadas pelos grupos criminosos. Está claro que a proibição tem fomentado a prática criminosa organizada com objetivos de obter cada vez maiores lucros.
O que se propõe não é uma apologia as drogas, mas que com a eliminação da criminalização do uso e do comércio de drogas, seja criado um Fundo de Promoção de Políticas Públicas de educação, saúde, trabalho e habitação para mostrar à sociedade, sobretudo às crianças e jovens os malefícios do uso e abuso de drogas. Esse Fundo seria implementado com os tributos gerados com a venda das drogas e utilizado como um antídoto para curar os doentes provenientes do uso de substâncias entorpecentes.
A liberação dos presos sentenciados por crimes de drogas leves resultaria de imediato uma economia ao erário que possibilitaria a criação de programas de tratamento e educação das vítimas das drogas. O redirecionamento dos milionários recursos hoje destinados a fomentar a guerra do tráfico possibilitaria o desenvolvimento de políticas de habitação e emprego pára as comunidades mais pobres e hoje dominadas pelo poder dos criminosos e na educação e profissionalização dos jovens que seriam os principais beneficiados com as políticas públicas.
Pode não ser uma idéia nova nem revolucionária, mas com certeza poderia trazer melhores resultados do que a atual onde apenas acumulamos despesas vãs e óbitos desnecessários, além de uma das mais eficientes redes de corrupção do planeta. Vamos pensar e debater esse tema tabu?
Texto completo AQUI

20 de nov. de 2009

Quatro meses da morte de Sérgio Augusto de Araújo - o Guri - e nenhum retorno do MP nem da Polícia Militar

Por enquanto, está valendo a pena de morte
Quantas mortes serão necessárias no sistema prisional?

Sérgio Augusto de Araújo - o Guri - morto após perseguição policial em Minas Gerais no dia 19 de julho (leia).
Estamos num Estado de Direito ou na Idade Média?

Dia da Consciência Negra

O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, foi entrevistado esta semana no programa Sem Censura da TV Brasil.
Ele relatou que, quando estudante na escola pública, um dia a professora disse-lhe que ele deveria era estar "puxando carrinho". Ou seja, como negro, não deveria estar estudando e sim fazendo trabalho braçal.
O mais interessante é a "normalidade" disso no Brasil. Ali mesmo, no programa, o máximo de reação foi a apresentadora Leda Nagle comentar sobre o fato: "Puxa!!!... E uma professora".
A escola, assim como a sociedade, não mudou, não evoluiu, continua no atraso de classificar as pessoas pela cor da pele. Aliás, além do atraso, a falta de senso estético, porque a cor preta é tão bonita. Os negros são tão bonitos com seus traços fortes e, se não prejudicados pela desnutrição da pobreza, seus físicos robustos e altaneiros.
Que os ventos de um novo tempo consiga dissipar a infâmia do racismo neste país. Que nosso povo evolua na implantação de uma verdadeira igualdade racial, já com tantos séculos de atraso e protelação.

17 de nov. de 2009

MANIFESTO CONTRA A TORTURA EM SC

Companheir@s e parceiros na luta pela defesa dos direitos humanos

Estamos divulgado o MANIFESTO abaixo e solicitando a adesão de entidades, autoridades, parlamentares, movimentos sociais e todos aqueles que se indignam com os crimes de tortura, notadamente o acontecido na Penitenciária de São Pedro de Alcântara e no Presídio Regional de Tijucas, em Santa Catarina.
Todas as adesões são valiosas e serão encaminhadas aos canais competentes para que estes fatos não fiquem impunes.
Agradecemos as inúmeras manifestações de solidariedade que estamos recebendo.
Atenciosamente.
Cynthia Pinto da Luz – pela Coordenação do MNDH.

As adesões devem ser encaminhadas para o email: cynthiapintodaluz@terra.com.br , serão acrescentadas ao Manifesto, publicadas no Portal MNDH: http://www.mndh.org.br/ e enviadas às autoridades catarinenses.
Vejam o vídeo:



MANIFESTO
Entidades repudiam tortura nas prisões de Santa Catarina

O Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH, o Conselho Carcerário de Joinville – SC, o Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz de Joinville – SC, a Pastoral Carcerária de Joinville – SC e a Comissão de Direitos Humanos da OAB Subseção de Joinville – SC vêm a público convocar autoridades, parlamentares, entidades, movimentos sociais, órgãos e representantes da sociedade civil a se manifestarem contra os atos de tortura praticados por agentes prisionais na Penitenciária de São Pedro de Alcântara e no Presídio Regional de Tijucas, no estado de Santa Catarina, comprovados pelas imagens veiculadas nacionalmente pela TV Globo no dia primeiro de novembro e por toda a mídia estadual e nacional.
Presos foram barbaramente torturados, seviciados, espancados por agentes prisionais, na presença do gerente do Departamento de Administração Prisional da Secretaria de Estado de Justiça, Hudson Queiróz nestas unidades prisionais.
Não há dúvidas sobre o uso da tortura por servidores públicos, nem mesmo sobre a conivência da Secretaria de Estado com esta prática hedionda. Na verdade, a tortura é recorrente nas unidades prisionais do estado, sendo constantemente denunciada pelas entidades de defesa de direitos humanos e ignoradas pelo Governo de Estado, que prefere a impunidade e a omissão.
É inaceitável a atitude do Governador do Estado, Luis Henrique da Silveira, que afastou apenas um dos agentes prisionais torturadores e mantém no cargo o sr. Hudson Queiróz, ignorando sua presença exatamente nos locais e momento das agressões.
Estes fatos desnudam a orientação da política prisional no Estado, fundamentada na violação dos direitos dos presos, na repressão e na tortura cotidiana. Exemplo disso é a Penitenciária Industrial de Joinville que continua sendo administrada por pessoa condenada em primeira instância pelo crime de tortura.
As imagens assistidas em todo o país não se constituem fatos isolados, mas refletem a falência do sistema prisional no estado e a incapacidade e responsabilidade de seus gestores – Governador Luiz Henrique da Silveira, Secretário da Justiça Justiniano Pedroso e gerente de administração prisional Hudson Queiróz – de implementarem uma política fundamentada no respeito aos direitos humanos e na legislação nacional e internacional vigentes (Convenção da Organização das Nações Unidas Contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes - Art. 5º da Declaração Universal dos Direitos Humanos - Art. 5º, III, da Constituição Federal - Lei n. 9.455/97, Lei da Tortura – Lei 7.210/84, Lei de Execução Penal).
Exigimos medidas imediatas no sentido de punir os responsáveis e eliminar a tortura do sistema prisional catarinense. A tortura é crime de lesa-humanidade, inafiançável e imprescritível e não podemos tolerar que imagens degradantes como estas se repitam em Santa Catarina ou em qualquer parte do Brasil.

Assim, os signatários exigem do Governo do Estado de Santa Catarina:
a) O imediato afastamento do cargo de gerente da administração prisional do Sr. Hudson Queiróz, bem como seu afastamento de qualquer função pública, para responder à processo administrativo e criminal pelo crime de tortura;
b) O imediato afastamento de todos os agentes prisionais do Sistema Penitenciário de Santa Catarina envolvidos nesse vergonhoso episódio, para que respondam a processo administrativo e criminal por crime de tortura;
c) A informação pública dos nomes dos servidores envolvidos na prática de tortura nos eventos acontecidos na Penitenciária de São Pedro de Alcântara e no Presídio Regional de Tijucas;
d) A inquirição dos srs. Administradores da Penitenciária de São Pedro de Alcântara e do Presídio Regional de Tijucas sobre os fatos e a prática de tortura acontecida nas unidades que gerenciam.
e) Divulgação permanente, ampla e transparente do curso dos processos criminais e administrativos, já que nenhum requisito sustenta o sigilo, sendo medida necessária para o exercício do controle social.
As imagens de tortura em Santa Catarina ofendem e humilham todos os brasileiros. O Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Protocolo da Organização das Nações Unidas contra a Tortura e certamente responderá por isso internacionalmente.

Brasília – DF/Joinville/SC, 4 de novembro de 2009

Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH
Conselho Carcerário de Joinville – SC
Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz de Joinville – SC
Pastoral Carcerária de Joinville – SC
Comissão de Direitos Humanos da OAB Subseção de Joinville – SC
Cynthia Maria Pinto da Luz – Conselheira do Conselho Nacional de Segurança Pública – CONASP
Cecília Coimbra - Presidente do Grupo Tortura Nuca Mais/RJ
Grupo Tortura Nunca Mais/RJ
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Cynthia Maria Pinto da Luz
OAB-SC 5166
Assessora Jurídica do Centro dos Direitos Humanos de Joinville
Coordenadora Nacional de Organização e Projetos do MNDH
Rua Princesa Isabel, 264 – Sala 23 - Centro - 89201-270 - Joinville - SC
Escritório: 47-3025-1231
Cel: 47-7812-3783
Rádio Nextel: 92*17608

11 de nov. de 2009

RACISMO INSTITUCIONAL NO BRASIL

SUS mostra que número de negros assassinados é o dobro de brancos
As polícias militares passaram a utilizar o chamado "auto de resistência" como o álibi para a prática de assassinatos, sob pretexto de resistência à autoridade policial.
Em depoimento à CPI da Violência Urbana, o economista Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, divulgou estudo que mostra que o número de negros assassinados no Brasil é duas vezes maior que o de brancos, apesar de cada grupo representar cerca de metade da população do País.
A conclusão é baseada em dados do Sistema Único de Saúde (SUS) referentes aos anos de 2006 e 2007. Nesses dois anos, cerca de 60 mil negros foram assassinados e cerca de 30 mil brancos. As pesquisas mostram que entre as crianças e jovens de 10 a 24 anos se constata a maior diferença entre os homicídios de negros e brancos.
Marcelo Paixão afirmou que os jovens negros estão mais expostos e que as desigualdades só aumentaram nos últimos anos. "É preciso identificar que as causas disso estão relacionadas ao racismo institucional, às políticas de segurança pública que ainda entendem a população negra como inimiga do estado, à baixa qualidade da escola desses jovens, que está relacionada com uma maior exposição à pobreza; quer dizer, é um círculo de desgraças." Ele afirmou que o atual governo não tem disposição política para enfrentar o racismo nas políticas de segurança pública.
Para o deputado Luiz Alberto (PT-BA), autor do requerimento de convocação do depoente, o atual governo não adota políticas de cunho racista. Ele sustentou que as instituições brasileiras foram forjadas em uma história de escravidão, e, portanto, foram contaminadas por uma visão racista da sociedade brasileira.
Auto de resistência
A presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra da Bahia, Vilma Reis, trouxe à comissão um dossiê elaborado pela campanha "Reaja ou será morto, reaja ou será morta".
A campanha, iniciada em 2005 na Bahia, denuncia a matança de jovens, na sua maioria negros, por agentes do Estado e paramilitares.Ela lembrou que, a partir de 1969, com a vigência do AI-5, as polícias militares passaram a utilizar o chamado "auto de resistência" como o álibi para a prática de assassinatos, sob pretexto de resistência à autoridade policial.
Ela estimulou a CPI a instigar os três Poderes a acabarem com o auto de resistência, o que para ela tiraria o álibi de policiais que se sentem livres para matar com a certeza de que não vão ser investigados.
"O auto de resistência, no nosso entendimento, é uma licença para matar, porque as pessoas estão sendo executadas sumariamente, sem qualquer chance de defesa. Quando a perícia é feita, é verificado que essas pessoas estavam em baixo de cama, dormindo, que a casa foi destelhada, que a casa foi invadida, e elas morreram com um tiro de misericórdia."
Segundo Vilma Reis, os assassinatos de negros se estendem a Pernambuco, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás e outras metrópoles do País.
Ela denunciou também os programas regionais de televisão que violam direitos humanos ao expor pessoas sob custódia do Estado à execração pública, promovendo sua condenação sem que tenham sido julgadas. Em sua opinião, a proibição a esses tipos de programas não é censura.
A presidente defendeu ainda que os recursos do Pronasci não sejam utilizados na compra de armamentos, viaturas e construção de novos presídios.
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10 de nov. de 2009

Judiciário sem transparência

Poder Judiciário é o menos transparente no Brasil
O Brasil precisa ampliar o acesso da população às informações sobre o que é feito com o dinheiro público e dar mais transparência ao Judiciário. É o que indica a pesquisa Índice Latino-Americano de Transparência Orçamentária. O estudo foi feito em 12 países da América Latina. Entre os Poderes da República, no Brasil, o menos transparente é o Judiciário, de acordo com o levantamento. Outro ponto apontado pelo estudo é que no país, para parcela considerável da população, os políticos são corruptos e o Judiciário só funciona para os ricos.
Com informações da Agência Brasil. Clique aqui para ler a pesquisa.
(Postado pelo promotor André Luis de Melo no grupo Debate Direito)

2 de nov. de 2009

Que turma de covardes! Que vergonha, Santa Catarina! Que ignomínia, Brasil!

“Isso é inominável, isso é uma coisa absurda, se existe alguma coisa que possa ferir o direito humano, essa é a mais fiel tradução”, declara Elineide Lícia Martins, da OAB de Santa Catarina

O governador de Santa Catarina afirmou hoje que vai afastar os envolvidos na tortura de presos na maior penitenciária do estado. As cenas provocaram reação da Ordem dos Advogados do Brasil e do Ministério Público. É a maior penitenciária de Santa Catarina, em São Pedro de Alcântara. A câmera se aproxima e dá para ouvir os gritos dos presos.
As imagens de abuso de poder e violência foram exibidas neste domingo no Fantástico. Os presos apanham algemados. De repente, alguém fecha a porta. Nos momentos seguintes, mais pancadaria.
Pouco antes de a câmera ser desligada é possível ver uma cena chocante: a cabeça de um preso é enfiada dentro da privada.
No município de Tijucas mais denúncias de violência contra presos. De acordo com laudos médicos, 140 homens ficaram feridos. Eles contam que foram espancados com pedaços de pau, de cabos de vassoura e até de borracha.
O juiz corregedor do presídio recebeu denúncias anônimas e registrou imagens dos presos espancados em Tijucas.
“Obviamente que não existe justificativa para agressão desta forma”, observa o juiz corregedor Pedro Walicoski Carvalho.
A mãe de um dos presos agredidos diz que passou 15 dias sem poder ver o filho: “Quando eu o vi machucado lá dentro eu entrei em desespero, mas a gente não pode fazer nada”.
O diretor do Departamento de Administração Prisional admite que participou das operações no presídio de Tijucas e na penitenciária de São Pedro de Alcântara.
“Até o momento que permaneci na unidade não houve nenhum problema de tortura, como eu estou vendo”, afirma Hudson Queiroz, diretor do Departamento de Administração Prisional. Hoje o Ministério Público catarinense cobrou providências em relação ao flagrante de espancamento.
“Se aquelas pessoas que agrediram continuam lá e os presos que apanharam também, como que nós vamos apurar com segurança aquelas informações e aqueles fatos?”, pergunta Gercino Gomes Neto, procurador do Ministério Público. O governador de Santa Catarina falou hoje sobre o flagrante de tortura em São Pedro de Alcântara.
“Nós já estamos determinando o afastamento dos implicados até que se apure”, avisa o governador Luiz Henrique da Silveira. Representantes da Ordem dos Advogados de Santa Catarina também repudiaram a conduta dos policiais e agentes prisionais que espancaram os presos.
“Isso é inominável, isso é uma coisa absurda, se existe alguma coisa que possa ferir o direito humano, essa é a mais fiel tradução”, declara Elineide Lícia Martins, da OAB de Santa Catarina.
A Secretaria de Justiça do Estado informou que um agente prisional foi afastado por determinação do governador. Segundo a secretaria, a investigação deve ser concluída em 30 dias.

Fonte: Globo.com