Polícia do Rio é a que mais mata no mundo
Wikipedia
9 de jul. de 2008
Polícia para matar
Polícia do Rio é a que mais mata no mundo
Corra que a polícia vem aí
8 de jul. de 2008
A indústria das indenizações
Constatem o quanto a própria justiça é parceira da corrupção e dos abusos neste país. Uma funcionária da Infraero demitida por justa causa volta ao trabalho por determinação judicial emitida pelo Tribunal Regional do Trabalho e ainda foi indenizada em R$ 900 mil.
Não há o mínimo respeito pelo contribuinte. Sustentamos funcionários relapsos, incompetentes, corruptos e ainda indenizamos quando a empresa pública toma alguma medida. Leiam notícia da Folha de São Paulo de hoje (caderno Brasil):
Tribunal reintegra e indeniza servidora afastada após recomendação do CGU
FERNANDA ODILLA
7 de jul. de 2008
Polícia mata menino de 4 anos
Polícia metralha carro com família dentro. A mãe implora por piedade para salvar o filho, mas 15 tiros atingem o carro, matando o menino.
Venho há anos lutando contra a violência do estado, em todas as suas instituições, violência esta mais letal, óbvio, quando se trata da polícia. Ela tem matado à vontade, a mando de seus comandantes e governadores que, nessa hora, vão à imprensa "pedir desculpas". Eu tenho nojo dessa desculpa que vem depois de algum dos milhares de assassinados pela polícia neste país.
Lembram-se quando aquele comandante da polícia do Rio declarou cinicamente na imprensa que eles eram os melhores inseticidas contra a dengue, ou seja que matam pessoas como matam mosquitos? Foi a este ponto que chegamos. E a sociedade aplaude. Postei aqui no blog a declaração do fascínora e não houve um comentário de protesto.
Mas se você, leitor, entrar num blog sobre política(cagem), futebol, mulher pelada, falar do Bush, campanha contra o cigarro, defesa da Amazônia, pregação a favor da menoridade penal, etc, vai deparar com até dezenas de mensagens enfáticas sobre essas bestagens todas. (Incluo aí a defesa da Amazônia, porque todo mundo quer preservar a floresta lá longe, mas não cuidam de uma árvore na sua cidade).
Nossas cidades viraram um filme de faroeste. É claro que a polícia adora sair atirando. Primeiro que já é da sua formação, segundo que agrada à sociedade que lê jornais e tem acesso á internet (porque julgam que eles só vão matar pobres e negros) e terceiro que não são responsabilizados, nem julgados. Se, por um acaso do destino, forem levados aos tribunais viciados do país é só declarar que foi uma "troca de tiros com marginais". Pronto: estão absolvidos. No máximo são afastados da corporação para continuar cometendo os crimes que aprenderam com orientação do estado.
Leia mais
São assassinos, isso não é polícia
Entrevista com o secretário de segurança do Rio (vídeo)
É hora, mais uma vez, de lembrar o aviso de Brecht:
É PRECISO AGIR
Bertold Brecht (1898-1956)Primeiro levaram os comunistas
Mas não me importei com isso
Eu não era comunista
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os sindicalistas
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou sindicalista
Depois agarraram uns sacerdotes
Mas como não sou religioso
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
6 de jul. de 2008
País órfão de justiça
As conversas são feitas com tamanha desenvoltura que mostram que não há medo de que o crime possa ser desvendado ou, no caso de ser, de que a justiça seja feita
Baptista Chagas de Almeida - baptista.almeida@uai.com.br
4 de jul. de 2008
ALIENAÇÃO COVARDE
"Hoje, não consigo compreender a NOSSA ALIENAÇÃO COVARDE com que acontece no Rio de Janeiro (para só falar do “meu” estado). Confesso tenho ficado perplexa com as “coisas” que têm mobilizado as pessoas nas listas e fora delas, e não a política de segurança que conta com apoio do Lula. E o que nos têm mobilizado não “engana" ninguém, só a nos mesmos. Por isso o resultado concreto, ou seja, o encaminhamento político para equacionar nossas demandas (cada vez mais particulares e restritas a grupos), é vergonhoso.
Não é sem propósito que Verissimo quer compreender - também perplexo - por que A Igreja Renascer em Cristo de um lado e a Parada Gay de outro conseguem arregimentar milhões, e outros grupos não. Umas das respostas possíveis é que ambas geram lucro. Vejam a barbaridade da vez no Morro da Previdência. O que me chama a atenção são os protagonistas (e a aliança perversa entre eles)..."
Josué de Castro
APACs contra a violência
2 de jul. de 2008
O exemplo do juiz de Goiás
GTNM atacado
Mais uma vez o sitio do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ é atacado
30 de jun. de 2008
Genocídio em Minas
25 de jun. de 2008
Resposta da corregedoria do TJMG
Recebi a resposta dos senhores arquivando a minha queixa contra o juiz José Alfredo Junguer de Souza Vieira e a juíza Tania Maria Elias Chaim, em relação às artbitrariedades cometidas na minha sentença de condenação a quatro meses de prisão, em janeiro de 2008.
O primeiro acusei por abuso de autoridade, litigância de má-fé e falta de lealdade processual ao processar uma pessoa inocente, com o único intuito de ameaçar e coagir a editora de um jornal que cobrou responsabilidade das autoridades perante as irregularidades na cadeia de Leopoldina, que eram, na época, de sua competência. Esse mesmo juiz, que alegava não ter tempo para olhar a situação da cadeia de Leopoldina, paradoxalmente, teve muito tempo para me processar.
A segunda, juíza Tânia Maria Elias Chaim, por incivilidade na audiência, corporativismo e prática de pré-julgamento ao dizer que nem lera o processo e eu já estava condenada.
A essas pessoas os senhores chamam de "ilustres". A mim, me chamam de quê ("mentirosa?"), uma vez que consta no relatório que "as premissas exploradas pela reclamante não encontraram sustentação minimamente consistente."
O que esses três "ILUSTRES" agentes jurídicos - lembrando também o Promotor de Justiça Sérgio Azevedo P Chaver Jr. - que se empenharam em acusar e condenar uma "perigosa" professora, dona de casa, mãe, avó (que se dedica ao trabalho voluntário com os deserdados do estado) fizeram comigo foi puro "ato de terrorismo", usaram da instituição justiça, do poder de seus cargos, unicamente para atacar o direito (e dever) constitucional da liberdade de expressão, tão incômoda aos déspotas e tiranos, que não suportam serem cobrados pelos seus deveres junto ao povo.
E, no entanto, os senhores corregedores chamam de "artilharia" ao meu ato cidadão, de pedir correção desses agentes nefastos à justiça e à sociedade. A que ponto de desrespeito chegamos, partindo de autoridades da mais alta corte de justiça do estado de MG.
Realmente, senhores-doutores-desembargadores, quando eu comentei com algumas pessoas que escreveria à CORREGEDORIA DO TJMG, solicitando providência contra esses fatos absurdos de abuso e injustiça, recebi rizinhos e zombarias do quanto eu era ingênua de supor que, mais uma vez, uma averiguação não fosse movida a corporativismo na justiça de Minas. Mas, eu, em minha insistente fé e esperança na raça humana, respondi que acreditava, sim, que ainda havia homens éticos e justos, ainda mais tratando-se de DESEMBARGADORES do TJMG.
E não é que os senhores-doutores-desembargadores sufragaram os "ilustres" envolvidos. Ilustres, senhores? Fico a pensar o que significa "ilustre" para o TJMG...
Ao povo mineiro, a todos os brasileiros, aos meus leitores e a todos que acompanham mais este triste episódio da justiça brasileira, envio as 10 (dez) páginas constantes no relatório da CORREGORIA DO TJMG, arquivando e considerando improcedentes as queixas de uma cidadã que durante quase três anos foi chamada à polícia, classificada como ré, CONDENADA a 4 MESES DE PRISÃO, jogada no ROL DOS CONDENADOS, remetida ao Instituto de Identificação e criminalística do estado de Minas Gerais, com a qualificação completa da sentenciada e que se não cumprir a pena de multa que seja enviada à Vara Criminal de Leopoldina. Tudo isso por um editorial.
A Pietá dos morros
"Cristo nem mesmo tenta escapar. Onde iria? Por que escapar? Ele carregaria sempre sua maneira de viver e enfrentaria sempre o mesmo destino."A PIETÁ de Michelangelo clique aqui
Para ouvir sobre o sofrimento das Pietás de hoje... clique aqui
Recomeço edição 144
"Os juízes condenam as vítimas. Os militares estão em guerras contra seus compatriotas. Os policiais não combatem os crimes, porque estão ocupados cometendo-os. As bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados. O dinheiro é mais livre que as pessoas. As pessoas estão a serviço das coisas." leia
MATÉRIAS
- Barbárie prisional
- Entrevista com Paulo Arantes - Professor de Filosofia da USP
- Função social do solo urbano - João Baptista Herkenhoff
- Judicialização da poliítica - Pedro Benedito Maciel Neto
- Volta à censura - Editorial da FSP
- Textos dos detentos - "Como vivem os presos na cadeia de Leopoldina"
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NOTA
O site do Recomeço http://www.jornalrecomeco.com/ contém todas as 144 edições do jornal impresso, desde 2001.
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Leia postagens do mês de junho neste blog:
CPI dos Presídios
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Carcerário, Neucimar Fraga (PR-ES), afirmou ontem que a comissão decidiu pedir o indiciamento de todos os governos estaduais brasileiros e do Distrito Federal por maus-tratos e omissão, entre outros, na gestão do sistema carcerário.
“Como todos os estados apresentam problemas no sistema carcerário, nós fomos justos. Não isentamos nenhum estado da Federação pela omissão e responsabilidade em relação aos maus-tratos à população carcerária”, disse o deputado.
Por acordo entre os membros da CPI, ontem foi lido o relatório final e hoje à tarde será realizada reunião para discussão e votação do documento. O relator Domingos Dutra apresentou várias recomendações, tanto de políticas públicas quanto de legislativas, para a melhora do sistema penitenciário. Dutra sugeriu elaborar um estatuto penitenciário, contendo normas para gerir o sistema de maneira eficiente.
Na semana passada, Fraga havia dito que apenas 14 estados seriam responsabilizados por má gestão do sistema carcerário.
No Estado de Minas – Caderno Nacional - 25/6/08
24 de jun. de 2008
Abaixo o culto ao litígio
NANCY ANDRIGHI e GLÁUCIA FALSARELLA FOLEY
Além de efetiva na resolução de litígios, a mediação confere um sentido positivo ao conflito, pois patrocina o diálogo respeitoso
AS RECENTES análises sobre a explosão de litigiosidade no âmbito do sistema de justiça têm destacado a cultura excessivamente adversarial do povo brasileiro.Embora esse fenômeno revele uma dimensão positiva ao expressar a consciência dos cidadãos em relação aos seus direitos, o culto ao litígio, porém, parece refletir a ausência de espaços -estatais ou não- voltados à comunicação de pessoas em conflito.
23 de jun. de 2008
RIO EM TEMPO DE BARBÁRIE
20 de jun. de 2008
Blitz é um perigo
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA
Um servidor municipal de 50 anos foi morto por engano por policiais em operação anteontem à tarde, em Balsa Nova (região metropolitana de Curitiba). Uma mulher e uma criança ficaram feridas. João Mochinski não atendeu a uma ordem de parar em uma barreira de policiais civis e militares à paisana e com carros descaracterizados. Ele levou um tiro no peito durante a perseguição e morreu na hora.O servidor não tinha passagem na polícia. Ele pensou que era um assalto, disse a mulher dele. A polícia vai investigar o caso.
GM e TJMG
19 de jun. de 2008
CPI constata BARBÁRIE PRISIONAL
Em cerca de oito meses, deputados visitaram 60 estabelecimentos no país
Entre os piores casos, está o da Colônia Penal Agrícola de Campo Grande, onde condenados a regime semi-aberto dormem com porcos
Presídio do Maranhão

18 de jun. de 2008
90 anos de Nelson Mandela
Amigos,Dia 18 de julho Nelson Mandela completa 90 anos. Junte-se a pessoas de todo o mundo e envie a ele uma mensagem de aniversário que será colocada num gigantesco cartão.
A celebração parte da ONG 46664 , criada por ele para combater a AIDS. Seu nome foi tomado da identificação de Mandela nos 27 anos em que esteve na prisão em Robben Island, Cidade do Cabo.
Quanto maior a participação, maior o apoio à campanha!
CLIQUE AQUI
Esporos de esperança
Sabado passado,14 de junho de 2008. Pela primeira vez em Minas Gerais, seis meninas da unidade prisional PIEP(sendo 5 do regime fechado) sairam para fazer prova de vestibular. A faculdade Isabela Hendrix em parceria com as brigadas populares conseguiram quarenta bolsas integrais para militantes sociais. E essas meninas partiram sem escolta(eu disse sem escolta!!!!!), sem o uniforme, armadas de lápis, borracha e caneta.Tornar o sonho realidade. Recomeçar a vida. Reconstruir a auto-estima.
Lágrimas à parte. Lágrimas por ver o mundão depois de anos de invisibildade e de reclusão.A alegria ao sentir o cheiro da rua, do parque municipal, do chocolate. Fotos e mais fotos. Poder carregar um isqueiro, tirar o chinelo havaiana e colocar um salto, passar maquiagem.Tudo isso aconteceu. E foi extraordinário. Já valeria por se só. Mas não é só isso!!!!!
Depois da prova, a comemoração! Bolo de chocolate, comida boa que não cheira carne cozida e nem vem estragada,risos que há muito tempo não faziam sentido em existir. Mas hoje eles brotaram. E como os lírios não brotam da lei,os sorrisos também não. Nasceram da esperança e floresceram em alegria. Assim como os Ipês que colorem o inverno com suas cores,aquele dia coloriu o o tão nefasto e cinza sistema carcerário.(pior que qualquer inverno) E assim o sábado extraordinário anoiteceu. Anoiteceu mas não acabou. Ninguém, nem os poderosos podem impedir a primavera.
E hoje, segunda-feira, dia 16, cinco dessas seis meninas passaram no vestibular. Irão se formar enfermeiras administradoras e fisioterapeutas. Poucos acreditaram. Era impossível conseguir a autorização para fazer a prova. Era impossivel passar no vestibular. Desafiamos as impossibilidades ao acreditar que um mundo melhor é possível. Desafiamos ao considerar falido e desumano o sistema carcerário.Lutamos pelo fim dos manicômios, pelo fim da cadeia, pelo fim da maldade capitalista.
Essas meninas serão esporos. Esporos que carregam a esperança.Que germinarão em meio a grades, cimento, cercas elétricas. Que dirão basta a mais um presídio em Neves para três mil almas. Não às tornozeleiras. Chega de revista vexatória.Tortura nunca mais.
17 de jun. de 2008
Quase meio milhão de presos...
Brasil - Tapando o Sol com as GradesMarcos Passerini *
Site Adital
"Costuma-se dizer que ninguém conhece verdadeiramente uma nação até que tenha estado dentro de suas prisões". É o que afirmava Nelson Mandela, quase vinte anos atrás. Se o retrato do que acontece atrás das grades de uma prisão é o espelho de uma sociedade, o Brasil pode entender a barbárie da qual se queixa nas ruas. Dentro das cadeias é ainda pior.
Mais de 420 mil presos sobrevivem amontoados em porões, corredores, pátios e celas inseguras e fedorentas. Presídios denominados de "segurança máxima" onde de "máximo", só tem o absurdo do crime organizado por grupos bem aparelhados que, mesmo sob a custódia do Estado, continuam amedrontando a sociedade de dentro para fora. Armas, droga, celulares e muito dinheiro sempre encontram entrada franca e esconderijo seguro nessas masmorras, onde a lei do mais forte é a única lei e o dinheiro o melhor passaporte de entrada. As exceções são raras. Como raras são as possibilidades do sistema penitenciário ressocializar ou reeducar, como manda a Lei, aqueles que por tempo determinado foram privados de sua liberdade.
Bonito é o propósito da Lei de Execuções Penais e bonitas são as inúmeras Leis que garantem a todo brasileiro, sem distinção, cidadania e direitos iguais. Pelo menos no papel. Enquanto isso, conforme dados oficiais, 7 em cada 10 que são soltos por terem cumprido a pena, acabam voltando à prisão por novos delitos.
Os próprios reincidentes explicam seu comportamento como decorrência das dificuldades que enfrentam ao serem soltos. Eles se queixam do preconceito que a sociedade, em particular os empregadores, têm contra os egressos do sistema prisional e do fato de não terem recebido treinamento profissional na cadeia para poder encontrar trabalho com maior facilidade, após o cumprimento da pena. E, nesse círculo vicioso, na melhor das hipóteses, o Brasil poderá contar daqui a um ano com uma população carcerária de mais de meio milhão.
O certo é que, para prender atrás das grades, dinheiro não falta. Quase 550 milhões é quanto o Governo Federal planejou investir em 2008 no sistema penitenciário. Aproximadamente 320 milhões para a construção de novos presídios e gerar assim 11.751 vagas. O triplo de quanto foi gasto no ano de 2007. O problema é que para dar conta do déficit de mais de 270 mil vagas seriam necessários pelo menos 6 bilhões. "E, ainda assim, daqui a 5 anos teríamos déficit de novo". As informações são do diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional, Maurício Keuhne.
Enquanto o Governo Federal derrama quantias fabulosas para manter em vida um sistema falido, o Legislativo tenta ludibriar a população mal informada e assustada pelo sensacionalismo de certa mídia, com algumas reformas na jurisprudência penal homologadas a toque de caixa pelo Executivo.
Por fim, sem com isso criminalizar a pobreza, uma coisa é certa: segurança e tranqüilidade não podem ser tratadas como "caso de polícia". Nem tampouco a dependência química que arrasta nossa juventude pelos caminhos da delinqüência. E as políticas de educação e de emprego?
É público e notório que a ausência ou as falhas das políticas públicas de responsabilidade federal, estadual ou municipal, sempre serão terreno fértil para todo o tipo de violência que não se neutraliza simplesmente com a repressão policial.
* Coordenador da Pastoral Carcerária do Ceará
16 de jun. de 2008
O povo é pobre, mas a Justiça...
PAULO PEIXOTO DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
Eta, privilégios!!!
DA REPORTAGEM LOCAL
Os magistrados, como outras categorias, têm facilidades para adquirir veículos a preço de fábrica para uso pessoal e para parentes. A Apamagis (Associação Paulista dos Magistrados) tem convênios com concessionárias e anuncia benefícios no site.As condições variam. As taxas de desconto, dependendo do modelo, vão de 6% a 11%. Um carro Corolla, da Toyota, com preço de tabela de R$ 82 mil, pode ser adquirido por um juiz por R$ 72.980. Uma Pajero, da Mitsubishi, por R$ 152.990 na tabela, pode ser obtida por um magistrado por R$ 145,3 mil.A Apamagis informa que, "como qualquer entidade associativa, oferece aos filiados serviços diferenciados que primam pela qualidade e eficiência". Segundo a entidade, "o estabelecimento de convênios é prática recorrente no mercado associativo", o que é feito também com farmácias, óticas, seguradoras, restaurantes e outros serviços.
15 de jun. de 2008
João Baptista Herkenhoff
A Justiça que o povo querO povo tem fome de Justiça, tanto quanto tem fome de pão: deseja encontrar na Justiça o último bastão de suas esperanças.
O povo quer uma Justiça mais ágil. Não é razoável que uma causa demore um qüinqüênio ou até um decênio para chegar ao seu final. É possível abreviar o andamento da Justiça, sem prejuízo de princípios fundamentais como o contraditório (isto é, o embate das partes), a produção cuidadosa de provas (isto é, a busca diligente da verdade) e o duplo grau de jurisdição (isto é, a possibilidade de recursos contra decisões e sentenças). A abreviação da Justiça exige mudança nas leis, modernização do Judiciário e alteração de hábitos seculares que persistem inalterados.
Impõe-se que a Justiça para os pobres seja mais eficiente. Justiça não é esmola, mas direito. Um dos instrumentos para alcançar esse objetivo consiste na instituição e manutenção de uma Defensoria Pública valorizada, ágil e competente, conforme defendemos em recente artigo publicado neste jornal.
Se para os pobres a Justiça deve ser inteiramente gratuita, também para os que pagam custas, a Justiça deve ser mais barata. A Justiça é cara, as despesas cartorárias, em alguns casos, são muito altas. Com freqüência, cidadãos de classe média retardam a regularização de situações jurídicas para fugir do peso de custas insuportáveis.
É preciso que se compreenda que a Justiça é uma obra coletiva. Todos devem sentir-se servidores, operários, sem vaidades tolas, sem submissões descabidas. Tanto é importante o juiz, o desembargador, o ministro, o promotor, o procurador, o advogado, quanto o oficial de Justiça, o escrevente, o porteiro dos auditórios, o mais modesto servidor. Se qualquer peça da engrenagem falha, o conjunto não funciona.
O povo deve sentir-se agente da Justiça, participante, ator. A Justiça pertence ao povo, existe para o povo, esse sentimento de Justiça como direito do povo é uma exigência de cidadania.
A Justiça deve ser menos formal, mais direta e compreensível, deve abdicar de códigos indevassáveis, sessões secretas e outros estratagemas que pretendem esconder o que deve ser sempre feito às claras.
A Justiça não pode amedrontar o cidadão, oprimir, estabelecer muros, desencorajar a busca de direitos por parte dos fracos. Juízes e demais servidores devem ser corteses, atentos, entendendo que a Justiça é um serviço público essencial de que o povo é credor.
A Justiça deve ser sensível, capaz de ouvir as dores dos jurisdicionados. A palavra tem o dom de libertar. Os servidores da Justiça devem sempre estar disponíveis para ouvir o clamor dos que apelam pelo socorro do Direito.
A Justiça tem de ser impoluta. É inadmissível a corrupção dentro da Justiça. Um magistrado corrupto supera, em baixeza moral, o mais perigoso e sórdido bandido.
João Baptista Herkenhoff é Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo – professor do Mestrado em Direito, e escritor. E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br
14 de jun. de 2008
Abaixo o juridiquês
12 de jun. de 2008
Entrevista: Marcelo Freixo
Leia entrevista com Marcelo Freixo no site Fazendo Média, na qual ele discorre sobre o papel da mídia de instigar a violência policial contra as populações dos morros e periferias.Prefeito de JF volta à prisão
Ivan Satuf - Portal Uai
O prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani, foi novamente preso na manhã desta quinta-feira. A casa dele foi cercada pela Polícia Federal logo nas primeiras horas do dia durante a Operação De Volta Para Pasárgada. O foco principal da investigação é a origem de R$ 1,1 milhão apreendidos na casa do prefeito durante a Operação Pasárgada, que desmantelou uma quadrilha que liberava irregularmente verba do Fundo de Participação de Municípios (FPM).Segundo as primeiras informações, há indícios de que o malote com notas de R$ 50 e R$ 100 apreendido com o prefeito são fruto de corrupção envolvendo empresários de Juiz de Fora.
11 de jun. de 2008
Prisão de grávida, não!
A privação cautelar da liberdade é medida excepcional e deve ser aplicada somente em casos em que há, realmente, necessidade. A constatação é do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, que lembrou o posicionamento da Corte quanto à questão. A 2ª Turma do STF confirmou liminar concedida a uma doméstica acusada de estelionato.
Segundo Celso de Mello, o STF “tratando-se de privação cautelar da liberdade individual — qualquer que seja a modalidade de que se revista (prisão em flagrante, prisão temporária, prisão preventiva, prisão decorrente de sentença de pronúncia e prisão resultante de condenação penal recorrível) —, tem advertido que é excepcional esse ato de constrição do status libertatis, somente se legitimando se e quando existirem razões de real necessidade”.
Em seu voto, o ministro informou que a decretação da prisão pelo juiz deve-se à desconfiança de que o endereço fornecido pela doméstica no comprovante de residência seria de uma terceira pessoa. A terceira pessoa era a mãe da acusada.
O ministro não viu nenhuma razão para a prisão, mesmo porque a doméstica estava grávida e desempregada quando passou a praticar pequenos golpes, sendo presa em flagrante por estelionato. Na mesma situação estava o marido dela, que não havia sido beneficiado pela liminar concedida pelo ministro em abril à doméstica. De ofício, a 2ª Turma estendeu a decisão para o marido.
O Tribunal de Justiça de São Paulo e o Superior Tribunal de Justiça haviam negado a libertação.
HC 94.157
9 de jun. de 2008
Justiça esquizofrênica
Júri que condenou Pimenta Neves pode ser anuladoIsso é um acinte, um descaso, um desrespeito ao povo brasileiro. Depois de um assassino confesso, condenado pelo júri, sair livre tranquilamente liberto pela justiça, ainda temos esta afronta: o Ministério Público considera que Pimenta Neves foi prejudicado e pede novo julgamento.
Leia a notícia do site Comunique-se
Da Redação
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu, no dia 15/05, parecer do Ministério Público Federal pedindo a anulação do júri que condenou Antonio Marcos Pimenta Neves, ex-diretor de redação do Estado de S. Paulo, a 18 anos de prisão pela morte da jornalista Sandra Gomide, ex-namorada de Pimenta e repórter do jornal. Pimenta Neves é réu confesso do crime que completará oito anos no dia 20/08.
O parecer foi juntado a recurso especial da defesa de Pimenta Neves que tramita no STJ, sob análise da ministra Maria Thereza de Assis Moura, da 6ª Turma. A argumentação do documento, assinado pela subprocuradora-geral da República Delza Curvello Rocha, contesta a redação dos quesitos apresentados ao conselho de sentença, classificando-os de confusos e indutores ao erro.
Redação
Deuza também argumenta que o quesito 6 – “O crime foi cometido com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, consistente em tê-la alvejado nas costas assim que ela conseguiu se desvencilhar do esforço físico do acusado que a forçava a entrar no veículo dele e, também, pelo fato de tê-la alvejado uma segunda vez quando já se achava ferida e prostrada ao solo, como conseqüência do primeiro disparo?” – foi formulado de acordo com a versão da acusação.
O quesito 7 – “Existem circunstâncias atenuantes em favor do acusado?” – é citado no parecer por configurar uma decisão contrária à prova dos autos por Pimenta Neves ter confessado o assassinato ainda na fase de inquérito policial, e que o tribunal reduzir a pena aplicada seria “invasão da competência do Conselho de Sentença”.
Novo julgamento
O parecer do MPF foi divulgado pelo Consultor Jurídico, e pode ser lido no site.
Fonte: Site