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16 de abr de 2011

Os detentos escrevem sobre seus sonhos de felicidade

Redações dos apenados no presidio de Leopoldina sobre o filme "Em busca da felicidade", alunos da professora de Filosofia e Sociologia, Andrea Cangussu.

(Dois autorizaram publicar com o nome completo, e outros somente com as iniciais)

EM BUSCA DA FELICIDADE
Luiz Carlos Souza da Silva

Bom, minha história de vida é baseada no filme porque já pensei também em fazer o mesmo, terminar meus estudos, ser alguém na vida, mas acho que fiz a coisa errada, por não ter acreditado que eu poderia ser tudo que sonhei.

Quer dizer, já fiz isso, queria ser diferente, sair da rotina que me deixa assim aflito ou até mesmo privado de certas coisas, mas não fui muito longe, tive que voltar, aí não foi nada fácil recomeçar tudo de novo.

No começo foi fácil, mas tudo a cada dia que passava ficava mais difícil, então quando dei por mim, já estava no mundo das drogas, piorando mais e mais.

Acabei vindo parar nesse lugar, mas não me questiono, porque quem sabe não foi melhor assim, outras coisas ruins poderia ter me acontecido até mesmo a própria morte.

Sei que Deus corrige a quem ama e castiga aquele que tem como filho, é para minha correção que hoje eu sofro.

Porque Deus nem sempre nos ajuda como queremos, mas da melhor forma possível para a nossa real felicidade.


EM BUSCA DA FELICIDADE
Victor Carioca Machado da Silva

Já passei diversas coisas, já andei em muitos lugares, conheci diversas pessoas. Já vivenciei coisas boas e ruins. E com tudo isso aprendi, me surpreendi, não me abalei.

Já fui ao luxo de ter o que eu queria e quem eu queria, como também já passei necessidade, e com esse aprendizado que a vida me proporcionou, sempre aprendi e tirei como lição as coisas boas e sempre procuro ser melhor: como pai, como filho, amigo, neto, primo, sobrinho, irmão, profissional em todas as coisas.

Não abro mão de nenhuma experiência que eu tive, todas elas me ensinaram a ser quem eu sou hoje em dia. Tenho meus defeitos, as minhas falhas, mas também tenho muitas qualidades e virtudes.

Eu aprendi com os meus erros e acertos e levo as coisas boas. Sobre os erros espero não mais cometê-los.


EM BUSCA DA FELICIDADE
B.M.B –
Eu estou em busca da minha felicidade já tem um bom tempo, igual o rapaz do filme, que largou tudo o que ele tinha para ir atrás da sua felicidade. Largou os seus pais, a faculdade, dinheiro e carro, mas no final de tudo ele percebeu que a felicidade dele estava ao lado dos seus pais e de sua família.

Eu larguei a casa dos meus pais com 17 anos para ir viver com a mãe da minha filha, que hoje tem 3 anos, mas também não foi aí que eu achei a felicidade, foi onde que tentei encontrar nas drogas.
Quando a minha filha fez um ano de idade eu já era dono de uma boca de fumo, aí eu achava que era feliz.
Quando a minha filha estava completando 2 anos eu larguei da mãe dela e fui morar com a minha esposa que está comigo até hoje, mas ainda não me contentei com o dinheiro das drogas, eu queria mais, aí eu comecei a fazer assaltos e acabei sendo preso e aqui estou eu, atrás da felicidade e da minha liberdade.


G.A.C –
A minha esperança, pelo menos no lugar que estou hoje, é sair daqui e ficar com os meus filhos, diferente do rapaz do filme que queria viver sozinho, buscar a sua felicidade na natureza e não teve um final feliz.

A minha vida foi totalmente diferente, a única coisa que eu buscava pelo menos na minha adolescência, era curtir a vida, ir para bailes, usar drogas até eu parar onde parei, e agora paro e penso, e vejo que não valeu a pena as coisas que eu fiz, só me misturei com gente que não prestava, que me fez e ensinou a cometer vários erros. E hoje eu me pergunto se tem volta.

Eu sei que tem, porque ainda sou muito nova e posso dar a volta por cima.


J.P –
Vou falar sobre o filme. Sobre mim não tenho nada a falar, pois para falar de felicidade tenho que estar feliz, coisa que não tem condições neste lugar.

Eu achei o filme depressivo, uma pessoa larga tudo só porque não se adaptou à filosofia de vida dos pais? Abandonou tudo, entrou em conflito consigo mesmo, não aceitou os ideais das pessoas, mas quis que as pessoas aceitassem seus ideais.
Foi para o Alaska, praticamente se laskou. Não teve uma companheira. Sofreu praticamente a vida toda. Não teve tempo de montar uma ONG e passar seus ideais para as pessoas. Não proliferou suas idéias. Creio eu que ele não acreditou muito em si mesmo.

Depois de tanto sofrimento, isolamento, conflitos, morrendo envenenado chegou à conclusão que para ter felicidade tem que compartilhar. Para mim foi um filme baixo astral, procurar a felicidade para descobrir, morrendo sozinho, que a felicidade tem que ser compartilhada.

Para mim, felicidade é viver a vida da melhor maneira possível e ajudar a quem precisa de ajuda, e não se fechar procurando uma coisa tão simples , que é viver.


K.D.P –
A felicidade eu busco no amor, no carinho e na compaixão. Estou feliz porque encontrei um alguém para me fazer feliz, me dar um pouco de atenção e de “carinho”.

Tem momentos que me bate a tristeza, a tristeza da falta da minha mãe, dos meus irmãos e da minha vida lá fora. O que eu mais quero na verdade é ir embora, o que eu mais quero é ser feliz, do lado de quem me ama de verdade.

Mas eu tenho fé no Senhor Jesus que eu já mudei, e mudei para melhor. Já sofri muito, o que eu mais quero agora, é buscar a minha felicidade e ser feliz por completo.

M.A.A
Acredito que a felicidade é o principal motivo para dar força no dia a dia, assim como os sonhos. Sonhar é fundamental e o mais importante é torná-lo realidade. Com isso você estaria sendo feliz.

Às vezes para sermos felizes e tornar o sonho, o seu desejo realidade temos que abrir mão de muitas coisas, nem que isso possa magoar outras pessoas próximas de você. Até mesmo mudar seu “plano de vida”.

Assim como o filme “Em busca da felicidade”, um rapaz de família bem sucedida, da “alta sociedade”, recém formado abre mão de todos os “seus bens”, de todo luxo e conforto que sua família lhe oferecia para buscar seu ideal, tornar seu sonho real. Buscando sua felicidade.

Até que saiu em sua jornada procurando o melhor ponto com o “seu eu interior” e por aí vai conhecendo lugares novos, pessoas novas e até mesmo culturas diferentes.

Mas ao final descobre que “a felicidade só é real quando compartilhada”. Algo que não tinha com quem compartilhá-la, pois tinha largado para trás todo o carinho de sua família, que são as pessoas mais importantes de sua vida.

S.M.M.B –
Cada um de nós trilhamos nosso próprio caminho “em busca da felicidade”. Somos livres para escolher a caminhada, mas às vezes escolhemos de maneira errada. Deus permite para que possamos aprender, seja ela no amor ou na dor.

Infelizmente existem aqueles que acham que a felicidade está no dinheiro, nos bens materiais, no poder, no orgulho, na arrogância, etc. Outros já encontram no amor, no companheirismo, na caridade e não se orgulhando de bens. Talvez esta última forma seja a melhor, pois é muito ruim tornarmos escravos de podridão, ganância, poder, egoísmo, etc.

Por isso devemos ir em busca da felicidade, às vezes tropeçando, caindo e levantando, mas tentando encontrá-la.

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