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18 de out de 2007

Presídios para a desigualdade








HAJA PRESÍDIOS

O governo de São Paulo anuncia que vai construir 44 presídios até 2010. Eles receberão 30 mil detentos a se manter a média de 6 mil presos por ano ingressando no sistema penitenciário paulista. Quando estiverem concluídos, São Paulo totalizará 189 prisões, com mais vagas do que todos os outros Estados somados.

Os presidiários serão quase todos pretos, pobres ou quase pretos de tão pobres, confirmando que o Haiti, um dos países mais miseráveis do mundo, é mesmo aqui. É a maneira de a sociedade se proteger dos ladrões de Rolex de 50 mil reais.

Faz todo o sentido São Paulo ter tamanha quantidade de presídios. É lá que está a maior parte do dinheiro no Brasil e onde a desigualdade brasileira, ao nível de Haiti e dos mais pobres países africanos, se expressa com todo o seu esplendor. Andar por certas áreas de São Paulo chega ser ofensivo. Calçadas com tapetes, carros importados, grifes sofisticadas e restaurantes que cobram por uma refeição o que um trabalhador levaria vários meses para acumular.

Quando perde alguns de seus pertences, a parcela mais rica grita pelo capitão Nascimento, que vem sendo aplaudido nas salas de cinema. Aos mais pobres, a lei e os presídios. Em certos casos, às favas com os direitos civis, a julgar pela aprovação aos métodos do Bope, personagem do pirateado Tropa de Elite.

Nas ruas das grandes cidades, cada vez mais polícia para tomar conta da desigualdade. Nas frequentes blitz, motoristas negros são parados por policiais também negros numa espiral irônica em que pobres tomam conta de pobres enquanto a minoria mantém a mais cruel concentração de renda. Políticas distributivas são atacadas como demagógicas e populistas, e sua continuidade é ameaçada pelo conservadorismo político. O Brasil continua sob o capitalismo selvagem, sem desfrutar das reformas que o civilizaram. Essa é a estreiteza das elites, tão minoritárias e egoístas.

É essa a insustentabilidade do modelo brasileiro. Não tem crescimento de 5 por cento ao ano que reduza as tensões geradas pela desigualdade e concentração de renda. Um estudo de 2006 da New Economic Foundation, da Grã Bretanha, dizia que com o rtimo de crescimento de pouco mais de 2 por cento ao ano, o Brasil levaria 304 anos para atingir o mesmo nível de distribuição de renda dos países ricos. Podemos considerar que com o dobro do crescimento, levaríamos um século e meio. O crescimento da economia é fundamental, sim, para atacar esses problemas, mas é preciso mais. Na Noruega, a diferença entre os 10 por cento mais ricos e os 10 por cento mais pobres é de apenas seis vezes. No Brasil, é de 57 vezes. A fatia de renda do 1 por cento mais rico é a mesma dos 50 por cento mais pobres, diz estudo do Ipea de 2006.

O insuspeito Banco Mundial afirma que a pobreza retarda o crescimento e defende a redistribuição de renda em países como o Brasil. Enquanto a pobreza não for vencida por políticas públicas, entre elas a educação de qualidade universalizada e o acesso ao mercado de trabalho ampliado, não haverá sossego nas grandes cidades, nem presídios que dêem conta da explosão social.

Fonte: site Direto da Redação

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