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9 de jul de 2008

Polícia para matar

Tribuna da imprensa, 09 de julho de 2008
Polícia do Rio é a que mais mata no mundo
Nunca policiais fluminenses mataram tanto quanto neste ano. E se distanciaram ainda mais em um ranking negativo: é a polícia que mais mata no mundo, como já mostravam dados de 2003. Um em cada cinco homicídios, como a execução do menino João Roberto, de 3 anos, tem como autor um policial.
Entre os Estados brasileiros e países que registram dados oficiais, os 1.195 autos de resistência - quando o agente alega ter matado em confronto - de 2003 já superavam todos os casos na Europa e na América do Norte. Em todas as divisões dos Estados Unidos, registraram-se 370 vítimas em ações policiais. Nem mesmo as forças sul-africanas, consideradas as mais violentas do mundo, chegaram perto dos colegas fluminenses naquele período - 681 vítimas.
Só o Estado de São Paulo, com 756 registros, se aproximou. Na comparação com países europeus, havia um abismo. Duas pessoas foram mortas em confronto com a polícia francesa em 2003, mesmo número registrado no Reino Unido. Em Portugal, apenas uma pessoa morreu nesse período. Na América Latina, o líder negativo era a Argentina, mesmo assim com 288 vítimas.
No ano passado, porém, as diferenças entre paulistas e fluminenses se acentuaram. No Estado de São Paulo, houve 377 autos de resistência; no Rio, foram 1.330. Para piorar, o total de mortes em confronto registrados no Estado do Rio avançou 12% entre janeiro e abril deste ano (502 autos de resistência) em relação ao mesmo período do ano passado (449 casos).Isso, apesar da queda de 9% no número de homicídios no Rio no mesmo período, com 2.030 registros, o que significa que 20% dos homicídios relatados neste ano no Estado foram praticados por policiais.
São Paulo e Rio são os únicos Estados brasileiros que divulgam estatísticas de letalidade policial. "A falta de dados oficiais atrapalha a comparação. Mas os números que existem servem para mostrar como os rumos tomados pela polícia do Rio estão equivocados", diz a coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, Sílvia Ramos. Baixas oficiais - Apesar do aumento nas mortes de civis, as baixas de policiais em serviço vêm diminuindo. Saíram de 53 casos em 2004 para 23 no ano passado.
A letalidade policial no Rio também foi acompanhada por uma menor apreensão de armas, drogas e de prisões. Enquanto 15.615 armas foram encontradas em 2003, no ano passado, esse total caiu para 11.062. "Talvez hoje o Rio só seja páreo para os casos de pena de morte na China. Mas lá, antes de matar, ainda existe a simulação de um julgamento", ironiza o coronel José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança Pública. Em 2005, a China executou 1.770 prisioneiros.

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