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13 de fev de 2008

Indignação e solidariedade (3)

Mais uma uma vez, agradeço a todos que têm enviado mensagens de repúdio à minha condenação, o que me deixa duplamente feliz por saber que nosso povo não perdeu a capacidade de se indignar e protestar contra a injustiça e abuso de poder em nosso país, principalmente quando isso parte da própria instituição encarregada de fazer justiça: o Judiciário.
Hoje recebemos esta manifestação do professor de História de Porto Alegre-RS, Ruy Guimarães.
...a atitude do judiciário mineiro para contigo nada mais é do que mais uma demonstração desta luta entre o poder burguês e o temor do levante do poder popular.
Cara Glória,
Escrevo desde Porto Alegre para empenhar minha solidariedade à tua luta em defesa dos DDHH. Recebi via e-mail a notícia da tua condenação por denunciar a condição desumana em que são mantidos os presos de Leopoldina. Não surpreende que o judiciário mineiro tenha agido de tal forma.
Primeiro, porque Minas (me desculpe o povo lutador de MG, mas este sabe bem do que falo) é o estado mais conservador do Brasil. Não esqueçamos a sustentação que a classe média mineira deu ao golpe de 64 e à ditadura militar. Claro, não podemos esquecer os tantos mineiros e mineiras que deram suas vidas na luta contra a ditadura. Todavia, o conservadorismo é a característica marcante desse estado.
Segundo, porque vivemos num quartel histórico de extremo conservadorismo no mundo inteiro, situação que se agrava após o 11 de setembro novaiorquino. Esta luta do "bem contra o mal", que na verdade é a luta dos opressores contra os oprimidos, dos ricos contra os pobres, do andar de cima contra o subsolo, é a expressão mais cabal, disfarçada de combate à violência e à criminalidade, da luta de classes. Obviamente, não vou dissertar aqui sobre isto, mas é preciso demarcar que a atitude do judiciário mineiro para contigo nada mais é do que mais uma demonstração desta luta entre o poder burguês e o temor do levante do poder popular.
Certamente, estão nas masmorras de Leopoldina, assim como nas masmorras do país e do mundo inteiro, além de alguns psicopatas realmente bandidos, milhares de homens e mulheres que ousaram "agredir" a sacrossanta propriedade privada na busca desesperada da sobrevivência, da comida para si e para os seus.
Muitos que, na ausência de uma alternativa digna de sobrevivência, se submeteram à exploração dos produtores e mercadores da mais lucrativa mercadoria que a sociedade capitalista já produziu (vide a Guerra do Ópio, na China): a droga! Não é por acaso, Glória, que filmes como Tropa de Elite fazem tanto sucesso nos dias de hoje.
Não há dúvida de que vivemos hoje na encruzilhada descrita por Rosa Luxemburgo como socialismo ou barbárie. E, se baixarmos a cabeça, se não houver pessoas como tu que ousam denunciar os podres poderes, a barbárie que campeia dominará finalmente.
Não há dúvida de que a barbárie que campeia e a reação burguesa, com suas leis e seus cárceres, são a clara manifestação da crise porque passa o capitalismo e a sua sociedade e o medo-pânico da derrubada das "Bastilhas" que eles mantêm no mundo inteiro. Desde a que mantém enjaulado, no corredor da morte há décadas o Pantera Negra Mumia Abu Jamal, passando por Guantánamo, Abu-Grahib, até o Presídio Central de Porto Alegre ou o Presídio de Leopoldina.
Para encerrar, companheira, deixo duas frases do velho, bom e sempre atual Karl Marx: "O poder político do Estado moderno nada mais é do que um comitê (Ausschuss) para administrar os negócios comuns de toda a classe burguesa" (Manifesto Comunista).
"Enquanto a aristocracia fazia as leis, regia a administração do Estado, dispunha de todos os poderes públicos organizados e dominava a opinião pública, por meio dos fatos e por meio da imprensa, repetia-se em todas as esferas, desde a corte até o Café Borgne a mesma prostituição, a mesma fraude descarada, o mesmo afã de enriquecimento, não mediante a produção, mas por meio da escamoteação da riqueza alheia, já criada". (As Lutas de Classes na França (1848-1850) ).
Avante, companheira! Não esmoreça na tua luta! Estamos contigo! E, como escreveu o poeta: "glória a todas as lutas inglórias que através da nossa história, não esquecemos jamais..."!
Saludos rojos!
Ruy Guimarães
Porto Alegre - RS

2 comentários:

  1. Minha sincera solidariedade ao Jornal Recomeço.

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  2. Anônimo15/2/08

    Parabéns, antes de tudo, ao trabalho da professora Glória Reis. São realmente poucos os que se embrenham na luta justa e verdadeira por um mundo melhor.
    Contudo, não posso compartilhar da opinião do colega silete. Penso que esse discurso que divide o mundo entre os que tem recursos financeiros e os que não tem, entre os "burgueses" e os "operários", é um discurso raivoso que apenas agravará as relações humanas de parte à parte, principalmente porque hoje poucos critérios temos para dividir estes grupos.
    Além disso, se focarmos com atenção, perceberemos que trata-se de uma discriminação a maneira como se busca atingir a burguesia, trata-se de um preconceito econômico generalista e irresponsável, tão baixo como seria o de falarmos dos negros, dos judeus, dos cristãos, dos italianos, dos torcedores do time tal.
    Não estamos mais em épocas de usar a divisão para crescer. Isso não é real. Não é viável.
    Sds.
    Alexander Luvizetto
    Advogado em Viamão/RS

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