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11 de set de 2008

Tortura e morte em Minas Gerais

Shakespeare cada vez mais atual: Há algo de podre no Reino das Minas Gerais
Carta de uma mãe publicada no jornal Estado de Minas (seção Cartas à redação, 11/9/08). O editor coloca no título que a mãe "suspeita", quando, na verdade, o que lemos é um relato, uma afirmação.
Enquanto lia o desabafo dessa pobre mãe, eu ouvia pela TV os debates da 3ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos na Assembléia Legislativa. O ministro Paulo de Tarso Vannuchi, Secretário Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, solicitava aos presentes que levassem em conta os "grandes" avanços sobre "Direitos Humanos" no país.
Realmente, senhor Ministro, o que é mais um morto e torturado pelo estado em Minas Gerais? São tantos...
Mas imagine, senhor ministro, se fosse, por exemplo, Daniel Dantas, morto e torturado nas 48 horas em que ficou detido, mais um dia que o filho desta mãe humilde? A essa hora, todos os jornais do país dariam a notícia na primeira página. Os ministros do STF, comandados por Gilmar Mentes, estrariam em crise de indignação e, tal como fizeram com as algemas e os grampos, tratariam de criar uma frente contra a tortura no país.
Mas não foi Daniel Dantas, nem algum de seus pares. O governador Aécio Neves nem tomará conhecimento e continuará tranquilamente sua campanha a presidência em 2010 e o seu vice continuará sorridente nas festas dos ricaços mineiros.
NOTA - Sobre a "celeridade" do Judiciário quando se trata de gente do andar de cima, ler interessante análise no O Processo Penal
Segue a carta na íntegra:
Mãe suspeita que filho tenha morrido sob tortura
Alciente Aparecida Rodrigues Pereira - Uberlândia-MG
“Em 16 de julho, meu filho Neilimberg Rodrigues Pereira foi preso pela Polícia Militar na Rua Salvador com Avenida Cesário Alvim, em Uberlândia, Triângulo Mineiro. Foi levado para a 16ª Delegacia Regional de Segurança Pública, no Bairro Umuarama. Fui informada da prisão e me dirigi à unidade policial, onde já encontrei o dono do bar, de nome José, que recebeu ordens expressas para só falar com o delegado quando fosse depor sobre o caso. Às 22h20, eu ouvi gritos de dor do meu filho. Ao indagar os policiais sobre o fato, um deles, Bruno, me informou que os gritos eram de um bêbado que estava detido na mesma cela. Pouco depois, como não pude ver o meu filho, fui para casa.
Mas na manhã do dia seguinte fui informada que Neilimberg havia morrido e que eu deveria ir até a delegacia para as providências cabíveis. Disseram-me que ele havia cometido suicídio, por enforcamento. No velório, notei que sua cabeça apresentava considerável afundamento, o que não combinava com a notícia de enforcamento. Se ele tivesse essa intenção, não iria esperar ser preso – segundo a polícia, com uma porção de maconha –para só então se matar dentro da 16ª Delegacia Regional. Como mãe e por ter ouvido os gritos de dor naquela trágica noite, tenho todo o direito de duvidar da versão da polícia. A morte dele não foi devidamente esclarecida e quem pode dizer que ele não foi torturado pelos policiais dentro da cela? Para aumentar minhas dúvidas, na época, a imprensa local nada divulgou a respeito. Minha família é simples, mas que a justiça seja feita.”

3 comentários:

  1. Olá,

    obrigado pela indicação.

    e parabéns pelo site, é importante que as pessoas mostrem a verdade por trás das cifras.

    Abraços,
    Pedro

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  2. Anônimo13/9/08

    oi. amiga aqui e o ROMILDO DE SAO PAULO,ACHO QUE ASENHORA TEM TODA RAZAÕ DE DESCONFIAR DA VERSÃO DA POLICIA , ISSO PRECISA SER ESCLARECIDO..UMM ABRAÇO FICA NA PAZ

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  3. Anônimo4/11/12

    Com certeza a senhora tá certa em duvidar da versão ridicula dada pelos policiais, eu fui amiga do Neilimberg, estudei com ele e sou certa de que ele jamais faria isso, ele pode ter feito muita coisa errada mas nunca ele tiraria a propria vida.

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